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Mulher que nunca morou na cidade e diz que só vai à rua para comprar o que falta colhe laranja o ano inteiro na roça, achava que os pés de coco tinham parado de produzir e encontrou todos carregados, cozinha tudo em fogão a lenha e ainda puxou duas traíras da represa ao lado de casa

Mulher que nunca morou na cidade e diz que só vai à rua para comprar o que falta colhe laranja o ano inteiro na roça, achava que os pés de coco tinham parado de produzir e encontrou todos carregados, cozinha tudo em fogão a lenha e ainda puxou duas traíras da represa ao lado de casa

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Mulher que nunca morou na cidade e diz que só vai à rua para comprar o que falta colhe laranja o ano inteiro na roça, achava que os pés de coco tinham parado de produzir e encontrou todos carregados, cozinha tudo em fogão a lenha e ainda puxou duas traíras da represa ao lado de casa

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 10/08/2026 às 20:21

Atualizado em 10/08/2026 às 20:31

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Ela nunca morou na cidade, colhe laranja o ano inteiro na roça, cozinha tudo no fogão a lenha e tirou duas traíras da represa ao lado de casa

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Jilene vive num sítio em Urupá, Rondônia, com pé de laranja que dá o ano todo, três tipos de banana, coco, ingá, mandioca, abacaxi e uma represa de fundo de areia. O almoço do dia saiu inteiro na lenha, com frango caipira e polenta de milho verde.

O quintal tem tanta coisa que ela mesma perde a conta. Numa volta pela roça no próprio terreno, Jilene descobriu um pé de mamão que não sabia que existia e um cacho de banana já maduro que os passarinhos tinham encontrado antes dela, conforme registro publicado pelo canal Zé Caipira Na Roça, gravado no sítio da irmã do apresentador, no município de Urupá, em Rondônia.

O motivo é simples e ela explica sem rodeio: faz tempo que não entra naquele trecho, porque o mato cresceu com a chuva. Ainda assim, é dali que sai quase tudo que vai para a mesa. No dia da gravação, o almoço inteiro foi feito no fogão a lenha, e a tarde terminou com duas traíras puxadas da represa ao lado de casa.

Sítio fica no município de Urupá, em Rondônia

Ela nunca morou na cidade, colhe laranja o ano inteiro na roça, cozinha tudo no fogão a lenha e tirou duas traíras da represa ao lado de casa

A propriedade está em Urupá, no interior rondoniense, e o registro foi feito na época das águas, quando a vegetação está no auge. Do quintal se vê uma serra ao fundo, imagem que ela faz questão de mostrar.

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O argumento tem endereço certo. Segundo ela, muita gente que não conhece Rondônia pessoalmente imagina o estado como um lugar só de mato. A paisagem que aparece do terreiro contraria essa ideia, com gramado aparado na frente da casa, plantação em volta e a serra fechando o horizonte.

Fogão a lenha fica aceso todos os dias

O fogão não é peça decorativa nem recurso ocasional. Jilene diz que raramente o deixa apagado e que acende quase todo dia, porque é nele que sai o almoço.

Na manhã da visita, já havia feijão cozinhando e leite fervendo ao mesmo tempo. Parte do leite ela ferve na véspera e guarda na geladeira, e o restante vai ao fogo no dia seguinte. Ela sustenta que comida feita na lenha fica mais saborosa, e estende a regra também para doce, afirmando que qualquer coisa preparada ali melhora de sabor.

Almoço saiu inteiro na lenha, com frango caipira

Ela nunca morou na cidade, colhe laranja o ano inteiro na roça, cozinha tudo no fogão a lenha e tirou duas traíras da represa ao lado de casa

O cardápio do dia foi montado com o que havia em casa. Frango caipira descongelando desde cedo, feijão no fogo, arroz, polenta de milho verde, abobrinha e salada.

Nada disso passou por fogão a gás. O prato foi servido com a observação de que estava 100% feito na lenha, e a mesa reuniu ainda o café da manhã que abriu a visita: pão de queijo feito com leite condensado e tapioca. Ela mesma avisa que não faz muito, porque é para pouca gente, só a família.

Pé de laranja produz o ano inteiro

Entre todas as fruteiras do quintal, uma tem status próprio. É um pé de laranja que aparece em praticamente todas as gravações feitas na propriedade, porque produz durante os doze meses.

Na visita mais recente ele estava em renovação, soltando broto novo e ganhando galho. Cresceu bastante desde a primeira filmagem, quando era baixo. Ao redor, outros pés estavam carregados e com fruta começando a amarelar, no ponto de colher antes que caia e resseque no chão.

Pés de coco estavam carregados quando ela achava que tinham parado

A surpresa daquele dia veio dos coqueiros. Jilene comentou que estava achando que aqueles pés tinham parado de produzir, e ao olhar de perto encontrou os cachos cheios.

Não é caso isolado na região. O apresentador conta que viu a mesma coisa no sítio do pai e na propriedade de outro conhecido, com os coqueiros lotados. Coco tem época e não produz o ano todo, e naquele ciclo a safra veio forte em toda a vizinhança. Um dos pés do quintal, mais baixo que os demais, acaba sendo o mais colhido justamente por ficar ao alcance.

Bananas se dividem em três tipos no sítio

Ela nunca morou na cidade, colhe laranja o ano inteiro na roça, cozinha tudo no fogão a lenha e tirou duas traíras da represa ao lado de casa

A banana da terra é a preferida da casa. Jilene diz que come frita todos os dias sem enjoar, e o cacho colhido no quintal estava separado na cozinha.

Há também a chamada banana maranhão, que dá cacho grande, e um terceiro tipo que ela não aprovou. Ganhou algumas de um conhecido, comeu e achou sem doçura. Tentou transformar em doce e também não gostou do resultado. Sobre essa última, a avaliação dela é que só funciona frita e antes de amadurecer demais. Um dos cachos do quintal já estava maduro no pé sem que ninguém tivesse percebido, com passarinho comendo.

Ingá está maduro e as maritacas chegaram primeiro

O pé de ingá do terreno é grande e estava no ponto. As vagens se soltavam com facilidade, sem precisar de esforço para abrir, e a polpa estava doce.

As maritacas já haviam começado a atacar antes da colheita. A reação da casa não é de espanto nem de combate: eles deixam um cacho de banana amadurecendo de propósito para os pássaros. A justificativa dela é que assim se divide com os bichos, e que é por isso que a propriedade tem tanto passarinho aparecendo.

Pitaia dá flor todo ano e nunca vingou um fruto

Este é o problema não resolvido do quintal. O pé de pitaia está grande, bonito, solta muita flor, e até hoje nenhuma fruta chegou a vingar. Nem uma.

Jilene desconfia que falte polinização e que talvez seja preciso ter outro pé por perto. Ela recebeu mudas novas e plantou duas, que pegaram, mas o resultado continua o mesmo. A dúvida ficou registrada em aberto no vídeo, com pedido de sugestão de quem entende do assunto.

Graviola está atacada por uma praga que fura os galhos

O pé de graviola apresenta furos ao longo dos galhos, e a parte atingida vai morrendo. O diagnóstico feito ali no quintal foi de broca, o besouro cuja larva perfura o interior da madeira e interrompe a passagem de seiva.

O efeito é visível: os galhos secam e a planta não avança. Sem seiva subindo, o ramo morre da ponta para trás, e a árvore não consegue formar fruto. A conclusão da conversa foi que o caso exige aplicação de produto específico, ainda não feita.

Horta murchou com o excesso de chuva

Ela nunca morou na cidade, colhe laranja o ano inteiro na roça, cozinha tudo no fogão a lenha e tirou duas traíras da represa ao lado de casa

A horta é o ponto fraco do momento e ela não esconde. As couves estão murchas e feias, e a primeira suspeita levantada foi falta de adubo.

Jilene descarta a hipótese: colocou esterco poucos dias antes e a situação não mudou. A avaliação a que chegaram é de excesso de chuva, típico daquela época do ano. Ela pretende mudar a horta de lugar, transferindo o canteiro para outro ponto do terreno. Ao lado, no entanto, o pé de giló segue carregado, produzindo mais do que a casa consome.

Galinhas estão no mato e os pintinhos sumiram

O plantel de galinhas existe, mas está espalhado. Elas passam o dia longe da casa, dentro do mato, e só se aproximam na hora do milho.

A criação de pintinhos deu uma parada. As poucas ninhadas recentes vieram todas de galinha de pescoço pelado, e o número caiu para cerca de quatro. Uma galinha estava botando fora do ninho, e os ovos apareceram sujos e molhados por causa de uma chuva de vento na véspera, o que provavelmente inviabiliza o choco.

Criação de porco, marreco, ganso e peru foi encerrada

O sítio já teve muito mais bicho do que tem hoje. Havia porco, marrecos, gansos e perus, e nenhum deles permanece na propriedade.

A pausa é atribuída a desânimo temporário do marido, responsável pela criação. Jilene aposta que a situação se inverte em pouco tempo, porque ele funciona assim: para por um período e depois volta com tudo. A previsão dela é que um porco novo apareça em breve.

Marimbondos ficam há anos e ninguém mexe

Duas casas de marimbondo estão instaladas no pé de manga do quintal, uma na frente e outra atrás. Uma delas já aparecia em gravação anterior no mesmo local.

A decisão da casa foi deixar quietas. O raciocínio é de convivência: enquanto os marimbondos não atacam ninguém, ninguém ataca os marimbondos. Eles colhiam manga naquele pé sem problema, e a única condição estabelecida é que, se começarem a perturbar, aí a situação muda.

Represa tem fundo de areia e traíra de carne clara

A represa fica a poucos metros da casa, na altura do piquete dos bezerros. O detalhe que define a qualidade do peixe está no fundo dela.

Enquanto represas de fundo barrento produzem traíra escura e com gosto de barro, essa tem fundo de areia e água limpa. O resultado aparece no peixe: carne clara, quase prateada, sem o sabor que costuma afastar quem não gosta de traíra. Jilene já chegou a tirar sete ou oito peixes numa mesma pescaria, e a região recebe pescadores de fora com frequência, o que às vezes deixa o local batido e os peixes ariscos.

Duas traíras saíram na mesma tarde

A pescaria foi feita no fim da tarde, horário que ela considera melhor para traíra. As duas primeiras vieram fisgadas bem na ponta da boca.

Ela puxa o peixe até a margem, mas não tira o anzol. O motivo é a dentição: a traíra fecha a mandíbula com força e não solta, e ela prefere não arriscar o dedo. Quem retira é o irmão. A pescaria terminou antes do previsto porque nuvem escura apareceu no horizonte, sinal de chuva a caminho.

Água de coco custa R$ 40 no mercado da cidade vizinha

A comparação de preço surgiu quando o irmão contou quanto paga onde mora, no município de Cacoal, também em Rondônia. Ali, a garrafa de dois litros de água de coco sai por R$ 40, e o coco individual para beber na hora custa R$ 10.

A reação dela foi de espanto. Do quintal, o coco é pego na hora em que der vontade, à vontade e sem custo. A observação que fecha a conversa é a de que quem tem nem sempre percebe o que tem, e que o valor só aparece quando se vê o preço na prateleira.

Vida na cidade nunca entrou nos planos dela

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Perguntada sobre morar na rua, a resposta é direta: nunca morou em cidade e não pretende. Diz que vai até lá apenas para comprar o que falta e volta em seguida para casa.

Ela reconhece que muita gente enxerga o sítio como lugar de tédio, sem movimento e sem diversão, e discorda ponto a ponto. Descreve a caminhada pelo quintal como terapia e conta que é para lá que vai quando enjoa de ficar dentro de casa. A única concessão que faz é no longo prazo: admite que, quando ficar bem mais velha, talvez a cidade entre na conta, mas enquanto aguentar o serviço quer permanecer ali.

Conta nos comentários: quem entende de pitaia, o que fazer para o fruto vingar quando a planta dá muita flor e nenhuma pega? E você, que preço paga pela água de coco onde mora, perto dos R$ 40 que a garrafa custa lá em Cacoal?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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