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Mulheres de 20 países se reuniram no Rio de Janeiro para enfrentar cenários que não existem, mas o treinamento brasileiro simulou ambientes hostis, tomada de decisão, ações humanitárias e negociação exigidas quando operações internacionais de paz se tornam reais

Mulheres de 20 países se reuniram no Rio de Janeiro para enfrentar cenários que não existem, mas o treinamento brasileiro simulou ambientes hostis, tomada de decisão, ações humanitárias e negociação exigidas quando operações internacionais de paz se tornam reais

RJ

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Mulheres de 20 países se reuniram no Rio de Janeiro para enfrentar cenários que não existem, mas o treinamento brasileiro simulou ambientes hostis, tomada de decisão, ações humanitárias e negociação exigidas quando operações internacionais de paz se tornam reais

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 18/08/2026 às 20:21

Atualizado em 18/08/2026 às 20:22

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Treinamento internacional da Marinha reúne participantes de 20 países no Rio de Janeiro e combina operações de paz, ambientes hostis, liderança, negociação e componentes humanitários em uma programação prática que aproxima militares e civis de desafios enfrentados em missões das Nações Unidas.

Mais de 50 mulheres de diferentes partes do mundo se reuniram no Rio de Janeiro para uma preparação que colocou situações de pressão, ambientes hostis, decisões operacionais, negociação e componentes humanitários no centro do treinamento organizado pela Marinha do Brasil.

Voltada à aproximação de militares e civis com desafios encontrados em operações internacionais de paz das Nações Unidas, a atividade reuniu experiências profissionais distintas e levou as participantes a lidar com situações construídas especificamente para treinamento.

Segundo a Marinha do Brasil, por meio da Agência Marinha de Notícias, a 16ª edição do Curso de Operações de Paz para Mulheres reuniu 54 participantes de 20 países no Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval, o COpPazNav.

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Desse grupo, 31 participantes eram brasileiras, sendo 13 militares da Marinha e 18 civis ligadas a instituições de ensino superior, enquanto outras 23 mulheres vieram do exterior para integrar a programação realizada no Rio de Janeiro.

Realizada entre 10 e 14 de agosto de 2026, a capacitação combinou conteúdo teórico com exercícios voltados à reprodução de dificuldades enfrentadas por profissionais mobilizados para missões de paz, aproximando conceitos institucionais de situações práticas.

Em vez de restringir a formação a aulas sobre estruturas internacionais, o curso levou as participantes para atividades de campo nas quais precisaram lidar com situações criadas especificamente para treinamento e capazes de reproduzir parte da pressão encontrada em operações reais.

Curso de Operações de Paz reúne participantes de 20 países

Ao longo da edição, estiveram representados Bahamas, Bangladesh, Benin, Botsuana, Brasil, Colômbia, Costa do Marfim, Equador, Estados Unidos, Guiana, Guiné, Honduras, México, Moçambique, Paraguai, Peru, Senegal, Tailândia, Trinidad e Tobago e Vietnã.

Marinha reúne 54 mulheres de 20 países no Rio para treinamento com operações de paz, ambientes hostis, liderança e missões da ONU.

Essa composição colocou no mesmo ambiente mulheres com experiências profissionais, formações e referências nacionais diferentes, característica recorrente nas estruturas multinacionais empregadas em operações internacionais e especialmente relevante quando equipes precisam atuar sob procedimentos e culturas distintas.

Na etapa inicial, a programação concentrou-se no funcionamento do sistema das Nações Unidas e nos princípios relacionados às missões de manutenção da paz, oferecendo às participantes uma base comum antes do avanço para atividades de caráter prático.

Também entraram no conteúdo temas relacionados à cooperação internacional, participação de civis e agenda Mulheres, Paz e Segurança, que aborda a presença feminina em processos de prevenção de conflitos, proteção de populações e construção da paz.

Missões de paz da ONU servem de referência para o treinamento

Depois da introdução institucional, o treinamento avançou para casos concretos de missões internacionais, permitindo relacionar conceitos apresentados em sala de aula a situações enfrentadas por profissionais que atuam em diferentes operações vinculadas às Nações Unidas.

Entre as experiências estudadas estavam aquelas relacionadas à Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana, conhecida como MINUSCA, além dos desafios encontrados por observadoras militares na Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental, a MINURSO.

Outros exemplos incluídos na programação envolveram a Força Interina das Nações Unidas no Líbano, a UNIFIL, e a participação brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, conhecida internacionalmente pela sigla MINUSTAH.

A partir desses casos, tornou-se possível conectar o conteúdo apresentado em sala com experiências registradas em operações reais, sem que o exercício realizado no Brasil reproduzisse integralmente qualquer conflito específico ou transformasse um país existente em cenário de treinamento.

Ambientes hostis e combate urbano entram na preparação

Quando a capacitação deixou o ambiente predominantemente teórico, as participantes seguiram para as Instalações de Treinamento de Combate Urbano, onde passaram a lidar com atividades estruturadas para reproduzir parte da tensão operacional encontrada em áreas consideradas hostis.

Marinha reúne 54 mulheres de 20 países no Rio para treinamento com operações de paz, ambientes hostis, liderança e missões da ONU.

Organizadas em grupos e orientadas antes dos exercícios, elas tiveram contato com um cenário criado para exigir atenção, leitura do ambiente e capacidade de adaptação, elementos importantes quando uma situação muda rapidamente e diferentes riscos precisam ser avaliados.

Esse tipo de preparação vai além da capacidade física de atravessar um espaço urbano, porque operações de paz podem colocar seus integrantes diante de informações incompletas, populações vulneráveis, riscos de segurança e tarefas vinculadas a responsabilidades humanitárias.

Dentro desse contexto, cada decisão precisa considerar não apenas o cumprimento de uma tarefa operacional, mas também as condições apresentadas pelo ambiente, a presença de civis e os limites estabelecidos para a atuação de uma missão internacional.

Tomada de decisão, liderança e negociação são colocadas à prova

Na Pista de Liderança, a tomada de decisão apareceu de maneira direta como parte do exercício, exigindo cooperação entre as participantes e capacidade de trabalhar coletivamente diante de situações apresentadas pela organização durante a atividade de campo.

Em uma missão multinacional, decisões tomadas sob pressão podem depender da interpretação correta do problema, da distribuição adequada de tarefas e da capacidade de manter profissionais com formações diferentes trabalhando em torno de um mesmo objetivo.

Já na etapa voltada à negociação, o treinamento ampliou o foco para situações em que respostas operacionais precisam conviver com diálogo, coordenação e compreensão de interesses distintos, aspectos frequentemente presentes em ambientes de manutenção da paz.

No encerramento da capacitação, uma simulação em escala reduzida reuniu conhecimentos táticos, humanitários e de negociação, permitindo que conteúdos trabalhados durante a semana fossem aplicados simultaneamente em uma situação construída para integrar diferentes competências.

Ao transferir conceitos do plano teórico para uma atividade prática, o exercício exigiu que as participantes lidassem com mais de uma dimensão do problema ao mesmo tempo, evitando que cada habilidade fosse treinada de maneira completamente isolada.

Componente humanitário amplia o alcance das operações de paz

Além dos aspectos operacionais, o componente humanitário ajudou a demonstrar por que a preparação para uma missão de paz ultrapassa o treinamento de combate e inclui responsabilidades relacionadas à proteção de pessoas afetadas por conflitos.

Em operações internacionais, integrantes podem encontrar populações vulneráveis, pessoas deslocadas, necessidades de proteção e situações nas quais militares precisam atuar em coordenação com estruturas civis, organismos internacionais e outros profissionais envolvidos na resposta.

Questões relacionadas à violência sexual em conflitos também integraram a programação, aparecendo dentro da experiência da MINUSCA e da agenda Mulheres, Paz e Segurança, que acrescenta ao treinamento uma dimensão específica de proteção da população civil.

Marinha reúne 54 mulheres de 20 países no Rio para treinamento com operações de paz, ambientes hostis, liderança e missões da ONU.

Ao tratar desse tema, a capacitação incorporou situações que exigem reconhecimento de riscos específicos enfrentados por pessoas em áreas de conflito e compreensão das responsabilidades assumidas por integrantes de uma missão internacional diante dessas circunstâncias.

Militares e civis compartilham a mesma preparação

Outra característica do curso foi a participação de estudantes brasileiras, presença que ampliou o caráter multidisciplinar da formação e colocou mulheres de diferentes trajetórias acadêmicas e profissionais dentro do mesmo ambiente de preparação para operações de paz.

Segundo a Marinha, havia participantes ligadas à Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense, Ibmec, Estácio, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Faculdades Metropolitanas Unidas, além de representantes da Escola de Guerra Naval.

Militares e civis, assim, compartilharam o mesmo ambiente de preparação, aproximando experiências que podem se cruzar em respostas internacionais nas quais questões militares convivem com demandas humanitárias, diplomáticas, institucionais e relacionadas à proteção de civis.

Essa aproximação acompanha a diversidade de profissionais presentes em operações internacionais, nas quais diferentes competências precisam funcionar de forma coordenada para que decisões operacionais, ações de assistência e medidas de proteção não sejam tratadas como atividades completamente separadas.

Curso criado em 2018 busca ampliar participação feminina

Criado em 2018, o curso está relacionado ao esforço brasileiro de ampliar a participação feminina na área de paz e segurança, reunindo ao longo de suas edições militares, civis e representantes estrangeiras interessadas em operações internacionais.

Na edição realizada no Rio de Janeiro, a presença de representantes de 20 países transformou a capacitação também em um espaço de intercâmbio, aproximando mulheres que podem encontrar estruturas, doutrinas e realidades distintas durante suas trajetórias profissionais.

Por meio do treinamento em ambientes hostis, a programação buscou aproximar as participantes da tensão operacional sem depender de um conflito real, utilizando situações controladas para apresentar problemas e testar respostas dentro de um ambiente de aprendizagem.

É justamente nesse tipo de simulação que decisões podem ser exercitadas antes de uma missão efetiva, permitindo combinar análise do cenário, liderança, negociação, conhecimento humanitário e adaptação a condições que mudam ao longo da atividade.

Ao reunir análise de missões reais, combate urbano, liderança, trabalho em equipe, negociação e conhecimento humanitário, o curso colocou diferentes dimensões das operações de paz dentro de uma mesma formação, sem concentrar a preparação em uma única habilidade.

As situações enfrentadas durante a capacitação pertenciam ao ambiente de treinamento, enquanto as competências trabalhadas foram selecionadas para contextos nos quais profissionais precisam tomar decisões diante de pressão, vulnerabilidade humana e exigências operacionais simultâneas.

Que tipo de preparação você considera mais decisiva para profissionais que precisam atuar sob pressão em missões internacionais de paz?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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