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Na Jordânia, donos de casas inacabadas tiveram as reformas financiadas em troca de receber refugiados sírios por até 18 meses sem cobrar aluguel, ajudando a criar 5.100 moradias
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 14/08/2026 às 22:33
Construção, Indústria
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Casas inacabadas na Jordânia foram reformadas para garantir moradia gratuita a refugiados sírios por até 18 meses. O projeto criou cerca de 5.100 unidades, atendeu mais de 18 mil pessoas, gerou trabalho na construção e ampliou a oferta habitacional das cidades.
Na Jordânia, donos de casas inacabadas tiveram as reformas financiadas e ofereceram os imóveis a refugiados sírios sem cobrar aluguel por até 18 meses. A obra funcionava como uma compensação antecipada pelo uso da propriedade.
O acordo transformou construções sem condições de ocupação em cerca de 5.100 moradias. Mais de 18 mil refugiados foram atendidos enquanto os proprietários receberam imóveis concluídos que permaneceram em seu patrimônio depois do contrato.
A World Habitat, organização internacional dedicada a soluções de moradia, registrou esses resultados em uma publicação de 28 de novembro de 2016. O programa ficou conhecido como Urban Shelter Project.
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Milhares de casas vazias diante de milhares de famílias sem moradia
A guerra na Síria levou muitas famílias a procurar proteção na Jordânia. A chegada dessas pessoas aumentou a procura por aluguel e pressionou cidades que já enfrentavam limitações na oferta de habitação.
Ao mesmo tempo, havia casas inacabadas e imóveis sem condições de uso. Algumas construções possuíam paredes e estrutura, mas ainda precisavam de instalações, acabamentos ou outros serviços antes de receber moradores.
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O programa aproximou essas duas necessidades. Em vez de construir todas as unidades do início, direcionou recursos para recuperar propriedades existentes e transformá las em moradias utilizáveis.
A solução oferecia abrigo aos refugiados e evitava que estruturas já levantadas continuassem vazias. Cada reforma também acrescentava uma residência permanente ao estoque habitacional das cidades jordanianas.
A reforma financiada substituía o aluguel por até 18 meses
O proprietário apresentava um imóvel inacabado ou sem condições adequadas de ocupação. O programa avaliava as obras necessárias e destinava recursos para tornar a casa habitável.
O dinheiro servia para subsidiar a reforma. Isso significa que os recursos do projeto pagavam os serviços necessários, reduzindo ou eliminando o valor que o dono precisaria desembolsar para concluir a propriedade.
Em troca, o proprietário aceitava receber uma família refugiada durante um período de 12 a 18 meses sem aluguel. A melhoria realizada no imóvel ocupava o lugar dos pagamentos mensais.
Dessa forma, a obra não era um benefício sem contrapartida. O dono recebia uma propriedade concluída, enquanto a família conquistava moradia gratuita durante o prazo estabelecido.
Proprietários e famílias passavam por uma seleção
A participação começava pela condição do imóvel. A casa precisava estar inacabada ou sem condições de uso, mas deveria permitir uma reforma capaz de transformá la em residência.
O proprietário também precisava aceitar as regras do programa. Ao receber o investimento, assumia o compromisso de liberar a propriedade e respeitar o período sem cobrança de aluguel.
As famílias eram escolhidas entre refugiados sírios que necessitavam de moradia nas áreas urbanas. O programa vinculava cada grupo familiar a um dos imóveis disponíveis depois da reforma.
Esse acordo não entregava a propriedade aos refugiados. Eles recebiam o direito temporário de ocupação, enquanto o imóvel continuava registrado em nome do dono jordaniano.
Contratos impediam a cobrança e o despejo antes do prazo
A troca precisava ser formalizada. O contrato estabelecia por quanto tempo a família poderia permanecer no imóvel e registrava que não haveria cobrança de aluguel durante esse período.
O documento era fundamental porque a reforma representava a compensação recebida pelo proprietário. Depois de aceitar as obras, o dono não poderia simplesmente cobrar aluguel ou retirar a família antes do término combinado.
Essa proteção dava aos refugiados um período de estabilidade habitacional. Durante até 18 meses, eles podiam organizar outras áreas da vida sem enfrentar imediatamente o peso de uma nova despesa mensal.
O contrato, porém, tinha prazo determinado. Ele evitava uma retirada antecipada, mas não criava direito definitivo de permanência depois do encerramento do acordo.
As reformas também geravam trabalho na construção
Cada casa recuperada exigia materiais e profissionais. Pedreiros, eletricistas, encanadores e outros trabalhadores podiam participar das obras realizadas pelo programa.
Os recursos humanitários circulavam na economia local por meio da compra de materiais e da contratação desses serviços. Isso fazia com que o projeto também movimentasse a construção civil jordaniana.
A World Habitat, organização internacional dedicada a soluções de moradia, identificou o Conselho Norueguês para Refugiados como a organização de contato do projeto. Os recursos aplicados nas reformas ajudavam a ampliar a oferta de casas e gerar trabalho.
Os proprietários também recebiam um benefício permanente. Depois do período gratuito, continuavam com um imóvel concluído e pronto para ser utilizado ou colocado no mercado de aluguel.
Depois de 18 meses, a gratuidade chegava ao fim
Ao terminar o prazo contratual, encerrava se a obrigação de oferecer a propriedade sem cobrança. A família precisava negociar um aluguel com o dono ou procurar outra moradia.
Esse ponto revela o principal limite do modelo. O programa garantia proteção temporária, mas não solucionava de forma permanente a dificuldade habitacional enfrentada pelos refugiados.
Também poderiam surgir conflitos sobre manutenção, conservação do imóvel e continuidade da ocupação. O contrato reduzia esses riscos durante o prazo gratuito, mas não eliminava todas as divergências entre moradores e proprietários.
Para algumas famílias, o fim do benefício significava voltar ao mercado de aluguel depois de até 18 meses. Sem renda suficiente, a procura por outra residência poderia se transformar em uma nova etapa de insegurança.
O projeto dependia de recursos humanitários para continuar
O modelo só funcionava enquanto havia dinheiro para financiar novas reformas. Sem recursos humanitários, o programa não conseguiria oferecer uma compensação aos proprietários nem preparar outras casas para ocupação.
Também era necessário encontrar imóveis adequados e donos dispostos a aceitar as condições. Por isso, a solução não poderia ser aplicada da mesma maneira em todos os bairros ou cidades.
Mesmo com essas limitações, o Urban Shelter Project conseguiu unir moradia temporária, recuperação de imóveis e geração de trabalho. As obras atendiam uma emergência imediata e deixavam casas utilizáveis depois da saída das famílias.
O resultado registrado em 2016 chegou a cerca de 5.100 moradias para mais de 18 mil refugiados. A experiência mostrou como imóveis inacabados podem ajudar a enfrentar uma crise habitacional quando existe financiamento, contrato e contrapartida clara.
Uma reforma financiada pode ser uma troca justa por moradia gratuita temporária, mesmo quando a família precisará encontrar outra solução ao fim do contrato?
Fonte
World Habitat
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

