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NASA coloca quase 87 mil litros de água dentro de foguete, explode seus estágios a mais de 100 km da Terra e cria enorme nuvem artificial na alta atmosfera

NASA coloca quase 87 mil litros de água dentro de foguete, explode seus estágios a mais de 100 km da Terra e cria enorme nuvem artificial na alta atmosfera

5 min de leitura

NASA coloca quase 87 mil litros de água dentro de foguete, explode seus estágios a mais de 100 km da Terra e cria enorme nuvem artificial na alta atmosfera

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 28/08/2026 às 20:21

Atualizado em 28/08/2026 às 20:39

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Agência levou dezenas de toneladas de água ao limite do espaço e destruiu parte do foguete de propósito para descobrir o que uma liberação gigantesca provocaria naquele ambiente

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Agência levou dezenas de toneladas de água ao limite do espaço e destruiu parte do foguete de propósito para descobrir o que uma liberação gigantesca provocaria naquele ambiente

Um enorme foguete subiu até uma região onde o ar praticamente desaparece carregando dezenas de toneladas de água. Quando ultrapassou os 100 quilômetros de altitude, operadores em terra enviaram um comando que provocou deliberadamente a destruição de parte do veículo.

Em poucos instantes, quase 87 mil litros de água foram liberados de uma só vez em condições completamente diferentes das encontradas na superfície terrestre. A operação produziu uma enorme nuvem artificial e permitiu aos cientistas observar fenômenos difíceis de reproduzir de outra maneira.

O experimento pode parecer apenas uma demonstração extrema, mas tinha objetivos científicos e de segurança bastante concretos. A NASA queria descobrir como uma quantidade gigantesca de líquido se comportaria quando liberada violentamente na alta atmosfera e quais alterações poderia provocar naquela região.

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Quase 87 mil litros estavam armazenados nos estágios superiores

A experiência recebeu o nome de Project Highwater e foi incorporada aos primeiros voos de desenvolvimento da família de foguetes Saturn. Naquela fase, nem todos os estágios superiores do veículo eram funcionais, e algumas estruturas existiam apenas para simular o peso e o comportamento aerodinâmico dos equipamentos definitivos.

Para fornecer a massa necessária, os engenheiros utilizaram água como lastro. No voo SA-2, cerca de 22.900 galões americanos, equivalentes a aproximadamente 86.700 litros e mais de 86 toneladas, estavam armazenados nos compartimentos superiores.

Em vez de transportar toda aquela massa sem qualquer outra utilidade, pesquisadores perceberam que poderiam transformar uma necessidade de engenharia em um experimento científico. A ideia era romper os reservatórios em grande altitude e observar o que aconteceria com dezenas de toneladas de água liberadas praticamente ao mesmo tempo.

Foguete Saturn I SA-2 posicionado no Complexo de Lançamento 34, em Cabo Canaveral, antes do voo que seria utilizado pela NASA no Project Highwater para liberar quase 87 mil litros de água na alta atmosfera.

Foguete foi destruído a cerca de 105 quilômetros acima da Terra

A primeira operação aconteceu em 25 de abril de 1962, durante o voo SA-2 do Saturn C-1, posteriormente conhecido como Saturn I. O foguete deixou o Complexo de Lançamento 34, em Cabo Canaveral, impulsionado pelos oito motores H-1 instalados no primeiro estágio.

Depois que os principais objetivos técnicos do voo haviam sido cumpridos, o veículo continuou subindo. Ao atingir aproximadamente 104,6 quilômetros de altitude, operadores enviaram da Terra o comando para destruir deliberadamente as estruturas superiores.

Cargas explosivas romperam os compartimentos e lançaram quase toda a água armazenada no ambiente ao redor. Sob uma pressão extremamente baixa, o líquido se dispersou rapidamente e deu origem a uma gigantesca nuvem formada por partículas de gelo.

Registros técnicos indicam que a formação alcançou vários quilômetros de extensão em pouco tempo. Para os pesquisadores, aquela enorme nuvem visível era apenas a parte mais evidente de uma série de fenômenos que estavam sendo medidos na alta atmosfera.

NASA queria saber o que uma explosão perto do espaço poderia provocar

Um dos principais interesses era compreender o que aconteceria caso um veículo espacial sofresse uma falha ou precisasse ser destruído em grande altitude. Nesse tipo de cenário, grandes volumes de propelentes e outros líquidos poderiam ser espalhados repentinamente pela atmosfera superior.

O Project Highwater permitiu reproduzir parte dessa situação de maneira controlada. Cientistas acompanharam efeitos ópticos, ionosféricos, elétricos e meteorológicos, além de alterações observadas em sinais de rádio e fenômenos relacionados à eletrificação da nuvem.

Os dados eram especialmente importantes porque o programa espacial avançava rapidamente e missões cada vez mais ambiciosas estavam sendo planejadas. Entender como materiais se dispersavam na ionosfera poderia ajudar pesquisadores a antecipar consequências de acidentes e comportamentos inesperados durante futuros voos.

Resultado chamou tanta atenção que NASA repetiu tudo meses depois

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A experiência foi considerada interessante o suficiente para ser repetida no mesmo ano. Em 16 de novembro de 1962, outro foguete, identificado como SA-3, partiu carregando novamente dezenas de toneladas de água em seus estágios superiores.

Dessa vez, porém, a destruição ocorreu muito mais longe da superfície. O veículo atingiu aproximadamente 167 quilômetros de altitude antes de receber o comando enviado do solo, liberando novamente cerca de 86 toneladas de água na ionosfera.

Outra enorme nuvem de partículas de gelo se formou em grandes altitudes. Problemas de telemetria prejudicaram parte das medições, mas análises posteriores concluíram que os dois experimentos produziram uma quantidade significativa de informações sobre a liberação repentina de líquidos naquele ambiente.

Água que servia apenas como peso acabou virando um experimento gigantesco

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O aspecto mais curioso do Project Highwater é que a NASA não colocou toda aquela água no foguete exclusivamente para realizar a experiência. O líquido já era necessário como lastro para simular a massa dos componentes que ocupariam os estágios superiores em versões futuras.

Os pesquisadores simplesmente perceberam que levar dezenas de toneladas de água até mais de 100 quilômetros acima da Terra representava uma oportunidade científica rara. Assim, uma solução relativamente simples de engenharia acabou transformada em um dos testes mais incomuns dos primeiros anos da exploração espacial.

Quase 87 mil litros de água foram carregados até o limite do espaço e liberados através da destruição deliberada dos próprios estágios do foguete. O que deveria servir apenas como peso terminou criando uma gigantesca nuvem artificial e ajudando cientistas a entender melhor o que poderia acontecer quando enormes volumes de líquido fossem lançados violentamente na alta atmosfera.

Fontes

NASA – Marshall at 65

NASA Technical Reports


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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