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NASA encontra cratera de 18 metros deixada pelo foguete da SpaceX na Lua

NASA encontra cratera de 18 metros deixada pelo foguete da SpaceX na Lua

5 min de leitura

NASA encontra cratera de 18 metros deixada pelo foguete da SpaceX na Lua

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 21/08/2026 às 20:27

Atualizado em 21/08/2026 às 20:28

Ciência e Tecnologia

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NASA registrou uma cratera de 18 metros aberta por um estágio de Falcon 9 na Lua e analisou materiais escavados pelo impacto. Fonte: CANVA.

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NASA registrou uma cratera de 18 metros aberta por um estágio de Falcon 9 na Lua e analisou materiais escavados pelo impacto.

Encontrar uma estrutura de apenas 18 metros em meio à superfície lunar exigiu da NASA uma operação de observação calculada com precisão de segundos. Depois que um estágio superior de um Falcon 9 atingiu a Lua em 5 de agosto de 2026, engenheiros passaram a preparar o Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) para registrar o ponto exato da colisão.

As imagens finalmente foram obtidas nos dias 11 e 12, revelando uma cratera com menos de três metros de profundidade e marcas de material lançado para fora pelo choque.

O interesse científico não se limitou à fotografia. O episódio forneceu uma oportunidade para comparar imagens anteriores e posteriores ao impacto, observar como diferentes camadas do solo lunar foram expostas e testar métodos usados para prever onde objetos podem atingir a superfície.

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Dez segundos fariam a NASA perder o centro do alvo por 16 quilômetros

A dificuldade começou com o próprio movimento do LRO. A sonda circula a Lua de polo a polo em aproximadamente duas horas e, durante as observações, estava a cerca de 97 quilômetros da superfície. Sua velocidade era próxima de 1,6 km/s. Isso tornava a escolha do instante da fotografia decisiva.

Segundo a NASA, uma diferença de apenas dez segundos no disparo faria o ponto desejado aparecer aproximadamente 16 quilômetros distante do centro previsto da imagem.

Por isso, os engenheiros precisaram modificar a orientação da nave durante as passagens sobre a área e direcionar a câmera para a região correta. A espera de seis dias após a colisão esteve relacionada à necessidade de o local voltar a uma geometria adequada para ser observado.

Cratera revelou material que estava enterrado na Lua

Quando as imagens chegaram, os pesquisadores conseguiram ir além da confirmação do impacto. A nova cratera mede cerca de 18 metros de uma borda à outra. Sua profundidade, inferior a três metros, foi calculada a partir da sombra formada dentro da depressão.

Ao redor da estrutura, as fotografias mostraram faixas com tonalidades diferentes. Elas funcionam como pistas sobre os materiais mobilizados pela colisão.

NASA registrou uma cratera de 18 metros aberta por um estágio de Falcon 9 na Lua e analisou materiais escavados pelo impacto. Fonte: NASA Goddard/Intuitive Machines.

As áreas mais claras próximas da borda correspondem a material relativamente fresco, que permanecia protegido em camadas mais profundas antes de ser lançado para fora. Já parte das faixas escuras está associada a poeira e rochas que haviam ficado expostas por longos períodos às condições do ambiente lunar.

Impacto alcançou camada a cerca de 46 centímetros da superfície

A colisão não apenas deslocou o material que já estava na parte externa do terreno. As análises indicaram que o estágio do foguete conseguiu escavar componentes situados a aproximadamente 46 centímetros de profundidade.

Isso permitiu colocar lado a lado materiais com históricos de exposição diferentes. O que permaneceu por muito tempo na superfície havia sofrido efeitos do vento solar, de raios cósmicos galácticos e de sucessivos impactos de micrometeoritos.

O material recém-exposto, por outro lado, estava mais protegido dessas condições. Essa diferença ajuda os pesquisadores a examinar como o ambiente modifica gradualmente a aparência e as propriedades do solo lunar.

Outra sonda encontrou primeiro o ponto de impacto

A localização da cratera não foi resultado apenas do trabalho do LRO. Antes das observações detalhadas da NASA, cálculos realizados por astrônomos independentes já haviam fornecido estimativas para a trajetória do estágio superior.

O Center for Near Earth Object Studies (CNEOS) refinou essas previsões e repassou uma área provável de impacto para uma equipe sul-coreana. A sonda Danuri, também chamada de Korea Pathfinder Lunar Orbiter, então participou da busca. Utilizando sua câmera LUTI, ela conseguiu registrar o local poucas horas após a colisão.

A previsão usada naquela etapa ficou a aproximadamente um quilômetro da posição efetiva. Depois da identificação inicial, as coordenadas obtidas pela missão sul-coreana ajudaram os responsáveis pelo LRO a ajustar as observações posteriores.

Posição foi recalculada depois das novas imagens

Com fotografias de antes e depois disponíveis, os cientistas puderam determinar com maior precisão onde a colisão ocorreu. O centro da estrutura foi atualizado para 19,4759° de latitude norte e 266,7138° de longitude leste, em uma região situada a 511 metros de altitude lunar.

O ponto fica nas proximidades da cratera Einstein. Para analisar uma formação tão pequena a partir da órbita, o LRO empregou sua Narrow-Angle Camera. O instrumento possui capacidade para distinguir detalhes lunares com aproximadamente um metro de largura.

As diferentes condições de iluminação registradas nas passagens também ajudaram a evidenciar relevo, sombras e padrões de ejeção.

Falcon 9 havia sido lançado para missão Blue Ghost 1

O objeto responsável pelo impacto não havia sido enviado com o objetivo de atingir a Lua. Tratava-se do estágio superior de um Falcon 9 da SpaceX, lançado em janeiro de 2025 como parte da operação que transportou a missão Blue Ghost 1, da Firefly Aerospace. Mais de um ano e meio depois, esse componente acabou encontrando a superfície lunar.

O evento criou, assim, uma situação pouco comum para os pesquisadores: a origem do objeto era conhecida, sua trajetória pôde ser acompanhada e o terreno podia ser comparado com registros anteriores à colisão. Isso transformou a ocorrência em um experimento involuntário sobre formação de crateras.

NASA registrou uma cratera de 18 metros aberta por um estágio de Falcon 9 na Lua e analisou materiais escavados pelo impacto. Fonte: SpaceX.

NASA usa episódio para aperfeiçoar previsão de impactos

O CNEOS, instalado no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), na Califórnia, aproveitou o caso para colocar suas técnicas de previsão à prova.

A participação de observadores independentes, especialistas da NASA e da missão sul-coreana formou uma cadeia de informações: primeiro vieram estimativas orbitais, depois o refinamento da área provável, a identificação pela Danuri e, por fim, as imagens detalhadas do LRO.

Essa sequência também mostrou como diferentes sistemas podem trabalhar de forma complementar quando um novo impacto precisa ser encontrado rapidamente.

Cratera vira laboratório para entender colisões futuras

Para a ciência lunar, o valor da observação está no fato de a cratera possuir uma origem e uma data conhecidas.

Os pesquisadores podem relacionar o tamanho da formação ao objeto que a produziu, estudar a dispersão do material e observar quais camadas foram trazidas à superfície. Ao mesmo tempo, a experiência ajuda a melhorar procedimentos para localizar novos impactos no futuro.

O episódio, portanto, deixou um registro permanente na Lua e um conjunto de dados para a ciência. A NASA não apenas fotografou o resultado da queda de um estágio de foguete: conseguiu transformar uma colisão inesperada em oportunidade para testar previsões, examinar material subterrâneo e entender melhor como uma cratera recente se apresenta logo depois de formada.

Fonte

Olhar Digital


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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