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Navio capaz de erguer 14 mil toneladas encontra ponte de apenas 70 metros no caminho, precisa afundar parte da estrutura no mar e obriga Turquia a interromper tráfego nos dois sentidos

Navio capaz de erguer 14 mil toneladas encontra ponte de apenas 70 metros no caminho, precisa afundar parte da estrutura no mar e obriga Turquia a interromper tráfego nos dois sentidos

4 min de leitura

Navio capaz de erguer 14 mil toneladas encontra ponte de apenas 70 metros no caminho, precisa afundar parte da estrutura no mar e obriga Turquia a interromper tráfego nos dois sentidos

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 12/08/2026 às 20:33

Atualizado em 12/08/2026 às 20:36

Logística e Transporte

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Um dos maiores navios-guindaste offshore do mundo precisou aumentar o próprio calado, abaixar suas enormes estruturas e atravessar o estreito escoltado por rebocadores após autoridades fecharem a navegação nos dois sentidos durante a passagem sob a ponte 1915 Çanakkale.

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Um dos maiores navios-guindaste offshore do mundo precisou aumentar o próprio calado, abaixar suas enormes estruturas e atravessar o estreito escoltado por rebocadores após autoridades fecharem a navegação nos dois sentidos durante a passagem sob a ponte 1915 Çanakkale.

O Saipem 7000 estava acostumado a levantar estruturas de milhares de toneladas no meio do oceano, mas em 7 de agosto de 2026 enfrentou um obstáculo que força não conseguiria resolver: uma ponte atravessando seu caminho nos Dardanelos, na Turquia.

Com quase 198 metros de comprimento e estruturas que podem alcançar cerca de 135 metros de altura, o gigante precisava passar sob a ponte 1915 Çanakkale, onde o espaço vertical destinado à navegação é de aproximadamente 70 metros.

A solução transformou a travessia em uma operação especial. O navio recebeu água do mar nos tanques de lastro, desceu alguns metros na água, abaixou seus enormes guindastes e reduziu seu perfil vertical para aproximadamente 57 metros, enquanto o tráfego marítimo era suspenso nos dois sentidos.

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Saipem 7000 chegou aos Dardanelos depois de trabalhar no mar Negro

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A passagem aconteceu durante a viagem do Saipem 7000 em direção ao mar Egeu.

Semanas antes, a embarcação havia entrado no mar Negro para participar do projeto de gás Neptun Deep, em águas da Romênia, depois de atravessar os estreitos turcos no sentido contrário.

O retorno colocou novamente diante da tripulação um problema conhecido: pontes importantes limitam a altura disponível para embarcações que cruzam a região.

Estruturas de 135 metros não cabiam sob ponte com vão de 70 metros

Em sua configuração normal, o perfil vertical do Saipem 7000 chegava a aproximadamente 135 metros, quase o dobro do espaço de navegação existente sob a ponte 1915 Çanakkale.

Não bastava simplesmente conduzir o navio pelo centro do canal.

Era necessário alterar temporariamente a configuração de uma plataforma offshore projetada para operar com equipamentos gigantescos sobre o convés.

Água do mar fez o navio navegar mais baixo

Navio-guindaste gigante atravessa os Dardanelos sob a ponte 1915 Çanakkale com os guindastes abaixados, acompanhado por rebocadores durante a operação especial que exigiu a suspensão temporária do tráfego marítimo.

Parte da solução veio dos tanques de lastro.

O Saipem 7000 possui dezenas de compartimentos capazes de receber grandes volumes de água do mar. Ao aumentar controladamente o peso da embarcação, a tripulação eleva o calado e faz o casco navegar mais baixo.

Segundo dados técnicos da própria Saipem, o sistema inclui 40 tanques com capacidade superior a 81 mil m³, além de tanques destinados a operações rápidas de lastro.

Quatro bombas podem movimentar até 6 mil m³ de água por hora cada uma.

Guindastes também precisaram ser abaixados para chegar aos 57 metros

O enchimento dos tanques, porém, não explica sozinho a redução de 135 para 57 metros.

As enormes estruturas associadas aos guindastes foram abaixadas, aproximando-se de uma posição horizontal e diminuindo drasticamente a altura total da embarcação.

Foi a combinação entre o aumento do calado e a mudança de posição dessas estruturas que permitiu chegar ao perfil de aproximadamente 57 metros.

Comparado aos cerca de 70 metros de espaço sob a ponte, isso representa uma diferença nominal próxima de 13 metros, embora esse número não deva ser interpretado como margem operacional exata, já que condições do mar e critérios de segurança também entram nos cálculos da travessia.

Tráfego nos Dardanelos foi suspenso nos dois sentidos

Vista aérea mostra a dimensão do navio-guindaste e seus enormes braços estruturais rebaixados durante a travessia pelos Dardanelos, em uma operação planejada para reduzir a altura da embarcação e permitir a passagem sob a ponte.

A operação não envolveu apenas o próprio Saipem 7000.

Segundo a Anadolu Agency, agência estatal de notícias da Turquia, o tráfego marítimo nos Dardanelos foi suspenso nos dois sentidos a partir das 7h durante a passagem.

Os rebocadores Pacific Discovery e GH Discovery participaram da movimentação, enquanto embarcações de segurança e salvamento turcas acompanharam o navio.

Práticos especializados também fizeram parte da operação.

Somente depois que o gigante completou a região crítica e avançou em direção ao mar Egeu a navegação voltou a ser normalizada.

O mesmo navio havia acabado de instalar estruturas de até 9 mil toneladas

A cena nos Dardanelos chama atenção porque contrasta com aquilo que o Saipem 7000 foi construído para fazer.

Seus dois guindastes principais podem movimentar até 7 mil toneladas cada um e chegar a aproximadamente 14 mil toneladas quando trabalham em conjunto.

No projeto Neptun Deep, pouco antes da travessia, o navio participou da instalação de uma estrutura de cerca de 135 metros de altura e mais de 7.500 toneladas, seguida por uma parte superior da plataforma com aproximadamente 9 mil toneladas.

O gigante capaz de erguer milhares de toneladas sobre o mar precisou, portanto, alterar o próprio peso, baixar suas estruturas e atravessar lentamente um estreito com a navegação interrompida ao redor.

Durante algumas horas, uma das rotas marítimas mais importantes da Turquia ficou subordinada a poucos metros de engenharia, cálculos de lastro e controle de altura.

Quantas máquinas construídas para enfrentar o oceano também precisam saber exatamente quando usar sua força e quando simplesmente se abaixar para continuar o caminho?

Fonte

Anadolu Agency


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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