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Navio construído na Inglaterra em 1891 afundou no rio Itajaí-Açu durante a Revolta da Armada, permaneceu mais de 130 anos no fundo do canal e hoje virou obstáculo à passagem de grandes embarcações, levando o Porto de Itajaí a preparar sua retirada para aprofundar a área e receber navios maiores

Navio construído na Inglaterra em 1891 afundou no rio Itajaí-Açu durante a Revolta da Armada, permaneceu mais de 130 anos no fundo do canal e hoje virou obstáculo à passagem de grandes embarcações, levando o Porto de Itajaí a preparar sua retirada para aprofundar a área e receber navios maiores

8 min de leitura

Navio construído na Inglaterra em 1891 afundou no rio Itajaí-Açu durante a Revolta da Armada, permaneceu mais de 130 anos no fundo do canal e hoje virou obstáculo à passagem de grandes embarcações, levando o Porto de Itajaí a preparar sua retirada para aprofundar a área e receber navios maiores

Escrito por Carla Teles

Publicado em 13/08/2026 às 18:06

Atualizado em 13/08/2026 às 18:07

Construção

Navio naufragado Pallas, da Revolta da Armada, terá destroços avaliados pelo Porto de Itajaí antes da retirada.

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O navio naufragado Pallas repousa há mais de 130 anos no canal portuário de Itajaí, onde seus destroços dificultam a navegação; mergulho técnico vai avaliar a estrutura antes da retirada, etapa necessária para aprofundar o canal, ampliar a bacia de evolução e receber navios de maior porte nos próximos anos.

O navio naufragado Pallas permanece há mais de 130 anos no fundo do canal portuário de Itajaí, em Santa Catarina, depois de afundar em 25 de outubro de 1893 durante o período da Revolta da Armada. Construída na Inglaterra em 1891, a embarcação acabou partida ao meio e seus destroços hoje representam um obstáculo para os planos de aprofundamento do canal, levando o Porto de Itajaí e a Universidade do Vale do Itajaí a avançarem nos estudos para definir como a estrutura poderá ser retirada.

As informações foram publicadas pela NSC Total em 13 de agosto de 2026. Um mergulho técnico estava previsto inicialmente para 12 de agosto, mas precisou ser adiado por causa das condições climáticas e ainda não tinha nova data definida. A inspeção representa a última etapa de campo dos estudos desenvolvidos pela Superintendência do Porto de Itajaí em parceria com a Univali antes da definição da estratégia de remoção do Pallas.

Navio naufragado está no fundo do canal desde 1893

Pallas naufragou há mais de 130 anos e ainda causa prejuízos à Itajaí. Imagem: Porto de Itajaí/Divulgação.

O Pallas foi construído na Inglaterra em 1891 e era considerado uma embarcação moderna para sua época. Segundo os registros apresentados pela reportagem, o navio transportava alimentos e passageiros entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, fazendo passagens por Itajaí, provavelmente para operações de abastecimento.

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A trajetória terminou apenas dois anos depois de sua construção. O navio naufragado afundou em 25 de outubro de 1893 no rio que separa Itajaí e Navegantes, deixando destroços que permaneceriam submersos durante mais de um século antes de voltar ao centro dos planos de infraestrutura portuária da região.

Naufrágio ocorreu durante a Revolta da Armada

A fonte relaciona o naufrágio ao contexto da Revolta da Armada. Acredita-se que o episódio tenha ocorrido depois que o comandante do Pallas teria se recusado a apoiar os revoltosos que tentavam derrubar o governo de Floriano Peixoto.

A embarcação também teria sido saqueada e perdido objetos de valor durante o episódio. Embora o naufrágio tenha adquirido importância histórica, hoje a preocupação principal do Porto de Itajaí está ligada ao impacto físico dos destroços sobre a navegação e a expansão do complexo.

Destroços permaneceram escondidos por mais de um século

Depois do afundamento, partes da embarcação permaneceram no leito do rio durante mais de 100 anos. Ao longo desse período, o Pallas passou a integrar a história submersa da região portuária sem que sua presença fosse plenamente considerada nas operações modernas.

Os destroços só foram identificados novamente em 2017, durante trabalhos de dragagem associados à implantação da nova bacia de evolução. A redescoberta transformou o navio naufragado de curiosidade histórica em um problema concreto de engenharia portuária.

Estrutura está partida ao meio no fundo do rio

Levantamentos realizados posteriormente indicaram que a embarcação não permanece intacta. O Pallas está partido ao meio, com estruturas metálicas e fragmentos de madeira distribuídos pelo leito do rio.

Essa condição aumenta a complexidade de uma futura retirada. Antes de remover qualquer parte da embarcação, as equipes precisam compreender onde estão os fragmentos, em que estado se encontram e como uma intervenção poderá afetar o canal portuário.

Mergulhadores vão avaliar os destroços de perto

O próximo passo é justamente uma inspeção subaquática detalhada. O mergulho técnico deverá permitir que especialistas observem diretamente os restos da embarcação e coletem informações adicionais para definir o método de remoção.

A operação estava programada para quarta-feira, 12 de agosto, mas foi adiada em razão do mau tempo. Ainda não existe nova data confirmada, e o Porto de Itajaí considera a vistoria como a última etapa de campo necessária antes de avançar no planejamento definitivo.

Univali participa dos estudos para retirada

O trabalho é desenvolvido em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí. A coordenação científica é do diretor do Museu Oceanográfico da Univali, professor Jules Soto, que já participou de pesquisas relacionadas ao naufrágio.

O convênio entre a universidade e a Superintendência do Porto de Itajaí prevê investimento de R$ 310 mil. O trabalho inclui inspeções subaquáticas, sondagens e análises estruturais voltadas a compreender a condição atual dos destroços e as alternativas disponíveis para a retirada.

Navio naufragado virou obstáculo à expansão do porto

Imagem: Divulgação.

A importância do projeto está diretamente relacionada ao tamanho das embarcações que utilizam o complexo. Os restos do navio naufragado dificultam a navegação de grandes navios no canal e interferem nos planos para aumentar a profundidade disponível.

Para o Porto de Itajaí, retirar o Pallas significa eliminar uma limitação física existente há mais de um século. A área ocupada pelos destroços impede que o aprofundamento seja realizado da forma desejada, restringindo uma parte dos projetos de expansão operacional.

Aprofundamento do canal depende da retirada

A expectativa é que a remoção permita avançar no aprofundamento do canal de acesso. Com maior profundidade, embarcações de maior porte podem operar com mais segurança e capacidade dentro do complexo portuário.

A retirada também está ligada à ampliação da bacia de evolução, espaço utilizado pelos navios para realizar manobras. Quanto maiores forem as embarcações recebidas, maiores também são as exigências de profundidade, largura e espaço operacional.

Porto quer receber embarcações maiores

A modernização do canal é considerada estratégica porque a indústria marítima passou a operar navios de dimensões superiores às encontradas décadas atrás. Portos que não conseguem adaptar seus acessos podem enfrentar limitações para atender determinadas rotas e armadores.

Nesse contexto, o Pallas deixou de representar somente um vestígio histórico. Seus destroços ocupam uma área que hoje precisa ser preparada para navios maiores, tornando a retirada parte da estratégia de crescimento do Complexo Portuário de Itajaí.

Competitividade também está ligada ao projeto

O superintendente do complexo portuário, Artur Antunes Pereira, classificou a remoção como uma etapa estratégica para o futuro das operações. A intenção é preparar a infraestrutura para novos investimentos e para a evolução do tamanho dos navios atendidos.

A lógica é que um canal mais profundo e com menos obstáculos amplia as possibilidades operacionais. A retirada do navio naufragado pode, portanto, ter reflexos que vão além da própria obra, influenciando a capacidade de Itajaí de competir por cargas e serviços portuários.

Ainda não existe prazo para começar a remoção

Apesar do avanço dos estudos, a retirada propriamente dita ainda não possui data definida. O mergulho técnico precisa acontecer antes da conclusão da estratégia de engenharia que será adotada.

Também não há prazo informado para o início ou o término da operação. A complexidade dos destroços exige planejamento antes que qualquer cronograma de remoção possa ser estabelecido com segurança.

Valor histórico precisa ser considerado durante operação

O Pallas possui importância por sua ligação com o final do século XIX e com a Revolta da Armada. Isso significa que a intervenção não envolve apenas engenharia, mas também uma embarcação com relevância histórica para a região.

Os estudos científicos ajudam justamente a documentar o estado atual dos restos antes de qualquer movimentação. A retirada precisa conciliar as necessidades do porto com o conhecimento acumulado sobre uma estrutura que permaneceu submersa por mais de 130 anos.

Redescoberta em 2017 mudou o destino do Pallas

Durante décadas, o naufrágio não interferiu diretamente nos projetos portuários modernos. Essa situação mudou quando os destroços foram novamente identificados durante os trabalhos de dragagem realizados em 2017.

A partir daí, levantamentos mostraram a extensão da estrutura e sua posição no fundo do canal. O que durante décadas permaneceu praticamente invisível passou a fazer parte das decisões sobre o futuro da infraestrutura portuária de Itajaí.

Retirada pode liberar área estratégica do canal

Remover estruturas metálicas e fragmentos de madeira do leito pode liberar uma área essencial para o aprofundamento e para as futuras manobras de embarcações maiores.

O benefício esperado não depende apenas de retirar os restos visíveis. A operação precisa garantir que a área fique adequada aos parâmetros necessários para a navegação, o que explica a realização de sondagens e avaliações técnicas antes da intervenção.

Operação mistura mergulho, engenharia e pesquisa histórica

O projeto reúne diferentes áreas de conhecimento. Mergulhadores precisam avaliar os destroços em condições subaquáticas, engenheiros estudam a viabilidade da retirada e pesquisadores documentam uma embarcação que faz parte da história portuária regional.

Essa combinação torna a operação mais complexa do que uma simples dragagem. Cada fragmento precisa ser entendido dentro da estrutura original do Pallas e da posição que ocupa hoje no leito do rio, principalmente porque o casco está partido ao meio.

Mais de 130 anos depois, Pallas ainda interfere na navegação

O naufrágio aconteceu em um período em que o atual complexo portuário ainda estava longe de possuir a escala e as demandas operacionais atuais. Mesmo assim, o episódio de 1893 continua produzindo consequências físicas em pleno século XXI.

A presença do casco demonstra como uma estrutura histórica pode se transformar em limitação de infraestrutura ao longo do tempo. Mais de 130 anos depois, o Pallas ainda condiciona decisões sobre profundidade, manobras e capacidade de atendimento a grandes navios.

Navio naufragado pode finalmente deixar o fundo do Itajaí-Açu

O navio naufragado Pallas passou mais de um século no fundo do canal de Itajaí depois de uma trajetória iniciada na Inglaterra em 1891 e interrompida durante a Revolta da Armada em 1893. Agora, os estudos caminham para definir como remover os destroços e liberar uma área considerada estratégica para o aprofundamento do acesso portuário.

A vistoria subaquática será uma etapa decisiva antes da definição do método de retirada, mas ainda não há calendário para a obra. Para você, a prioridade deve ser retirar completamente os destroços para permitir a entrada de navios maiores ou preservar ao máximo a estrutura histórica durante a operação? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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