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Navio de 347,03 metros, maior que a Torre Eiffel, entra no Porto de Itajaí e passa a ser a maior embarcação já operada pela JBS Terminais em Santa Catarina, enquanto mais de 3 mil movimentos de contêineres mobilizam o terminal

Navio de 347,03 metros, maior que a Torre Eiffel, entra no Porto de Itajaí e passa a ser a maior embarcação já operada pela JBS Terminais em Santa Catarina, enquanto mais de 3 mil movimentos de contêineres mobilizam o terminal

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Navio de 347,03 metros, maior que a Torre Eiffel, entra no Porto de Itajaí e passa a ser a maior embarcação já operada pela JBS Terminais em Santa Catarina, enquanto mais de 3 mil movimentos de contêineres mobilizam o terminal

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 15/08/2026 às 11:51

Atualizado em 15/08/2026 às 11:52

Curiosidades

Canal

Navio APL Salalah, de 347,03 metros, atraca em Itajaí e marca recorde da JBS Terminais numa operação com mais de 3 mil movimentos.

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O APL Salalah tem bandeira de Singapura, foi construído em 2012 e pode transportar aproximadamente 10,7 mil TEUs. O navio integra o serviço SEA3, que liga a Ásia à costa leste sul-americana, passou por Santos e chegou a Itajaí para uma escala com previsão de recorde operacional no terminal catarinense.

O navio APL Salalah entrou no Porto de Itajaí, no litoral de Santa Catarina, na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, com 347,03 metros de comprimento. A embarcação tornou-se a maior já operada pela JBS Terminais desde que a companhia assumiu a área arrendada do porto, em outubro de 2024.

Além do porte, a escala foi planejada para superar 3 mil movimentos de contêineres entre embarques e desembarques. A previsão representa um recorde de produtividade em uma única passagem pela operação da empresa. A chegada chama atenção pelo tamanho, mas o resultado portuário depende do volume movimentado e da capacidade de concluir o trabalho com segurança.

Navio supera a altura atual da Torre Eiffel em 17,03 metros

Navio APL Salalah, de 347,03 metros, atraca em Itajaí e marca recorde da JBS Terminais numa operação com mais de 3 mil movimentos.

O APL Salalah mede 347,03 metros de uma extremidade à outra. A Torre Eiffel alcançou 330 metros em 2022, depois da instalação de uma antena de rádio digital de seis metros. A diferença entre as duas medidas é, portanto, de 17,03 metros.

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A comparação ajuda a visualizar a escala, embora coloque lado a lado dimensões distintas: o comprimento horizontal de uma embarcação e a altura vertical de um monumento. Sem a antena, a estrutura arquitetônica da torre é menor, mas a referência usada pela fonte considera sua altura total atual.

Outra comparação regional envolve o Yachthouse, em Balneário Camboriú. Uma das torres possui aproximadamente 294,1 metros, deixando o porta-contêineres quase 53 metros mais extenso. Colocado em pé apenas como exercício visual, o casco ultrapassaria tanto o monumento parisiense quanto o edifício catarinense.

APL Salalah pode transportar aproximadamente 10,7 mil TEUs

Navio APL Salalah, de 347,03 metros, atraca em Itajaí e marca recorde da JBS Terminais numa operação com mais de 3 mil movimentos.

Construído em 2012 e registrado sob a bandeira de Singapura, o APL Salalah é um porta-contêineres de grande porte. Dados do Porto de Hamburgo indicam 347 metros de comprimento, 45,2 metros de largura e capacidade nominal para cerca de 10.700 TEUs.

TEU é a unidade padronizada equivalente ao espaço ocupado por um contêiner de 20 pés. Um contêiner de 40 pés corresponde, em termos nominais, a dois TEUs. A capacidade do navio, portanto, não significa necessariamente 10.700 caixas físicas, porque a composição da carga pode reunir equipamentos de tamanhos diferentes.

A capacidade nominal também não informa quanto estava carregado na escala de Itajaí. Peso, calado, distribuição da carga, disponibilidade de contêineres e programação da rota influenciam o aproveitamento de cada viagem. O número de 10,7 mil TEUs descreve o limite projetado da embarcação, não o volume efetivamente descarregado em Santa Catarina.

Mais de 3 mil movimentos não significam 3 mil TEUs

A operação previa mais de 3 mil movimentos de contêineres durante a escala. No vocabulário portuário, cada retirada ou colocação de uma unidade a bordo representa um movimento executado pelos equipamentos e pelas equipes do terminal.

Esse indicador mede o trabalho realizado no cais, mas não deve ser confundido automaticamente com TEUs. Um movimento pode envolver um contêiner de 20 ou 40 pés, vazio ou carregado. Por isso, três mil movimentos não equivalem necessariamente a três mil TEUs nem revelam, sozinhos, o peso total das mercadorias.

A contagem inclui cargas de importação retiradas do navio e unidades de exportação colocadas a bordo. Quanto maior o volume programado, maior a necessidade de sincronizar guindastes, caminhões internos, pátio, conferência documental e liberação. O recorde previsto é operacional: mede a intensidade da escala, não apenas o tamanho do casco atracado.

Embarcação integra rota entre Ásia e costa leste sul-americana

O APL Salalah participa do serviço SEA3, conexão marítima entre portos asiáticos e a costa leste da América do Sul. Segundo a reportagem do ND Mais, a viagem começou em Singapura em 18 de julho e incluiu uma passagem pelo Porto de Santos antes da chegada a Itajaí.

Serviços regulares funcionam por sequências programadas de escalas. Em cada porto, parte dos contêineres é descarregada, novas cargas são embarcadas e outras unidades permanecem a bordo até destinos posteriores. A eficiência depende de horários coordenados ao longo de toda a rota.

Para exportadores e importadores catarinenses, uma escala integrada a uma linha de longo curso reduz etapas quando há conexão adequada com os mercados atendidos. Isso não elimina transbordos em todos os trajetos, mas amplia as possibilidades logísticas do terminal. A relevância do navio está também na rota que ele representa, não somente nos 347,03 metros.

Recorde pertence à JBS Terminais, não a todo o complexo

O APL Salalah é a maior embarcação já atendida pela JBS Terminais no Porto de Itajaí. A formulação exige esse recorte porque o Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes recebeu anteriormente um navio ligeiramente maior.

Em junho de 2020, o APL Paris, de 347,40 metros, passou pelo canal e atracou no berço 3 da Portonave, em Navegantes. A Marinha do Brasil registrou a operação como um marco envolvendo planejamento, praticagem e apoio de rebocadores.

A diferença entre os dois navios é de apenas 37 centímetros a favor do APL Paris. Ainda assim, os terminais e os períodos são diferentes. Chamar o APL Salalah de maior navio da história de todo o complexo apagaria o registro de 2020; o marco correto começa com a atual operadora da área de Itajaí.

Entrada de embarcação desse porte exige coordenação no canal

Receber um porta-contêineres próximo do limite de 350 metros envolve mais do que possuir um cais comprido. Profundidade do canal, maré, corrente, vento, calado do navio, área de giro e disponibilidade de berço precisam ser analisados antes da manobra.

Práticos orientam a navegação em trechos portuários, enquanto rebocadores podem auxiliar movimentos de entrada, aproximação, giro e saída. Autoridade marítima, administração portuária, terminal e tripulação trabalham com responsabilidades distintas para reduzir riscos durante o deslocamento.

O complexo passou a receber com maior regularidade embarcações dessa classe após a implantação da nova bacia de evolução. A estrutura foi homologada para operações com navios de até 350 metros dentro de condições definidas. A margem entre o APL Salalah e esse parâmetro é inferior a três metros.

Dragagem mantém a profundidade necessária para as operações

O acúmulo de sedimentos pode reduzir a profundidade disponível e limitar o calado autorizado. Por isso, dragagens de manutenção retiram material do fundo do canal e preservam as condições estabelecidas para entrada e saída de embarcações.

Em abril de 2026, o governo federal anunciou a retomada de um contrato de dragagem de R$ 63,8 milhões, inicialmente válido por 12 meses. O serviço foi apresentado como necessário para garantir navegabilidade e previsibilidade operacional.

O tamanho de um navio não determina sozinho se ele pode entrar. A profundidade exigida muda conforme o peso transportado e o calado naquela viagem. Um casco com dimensões aceitas ainda depende das condições reais do canal no dia da manobra.

Terminal passou por retomada após período de paralisação

O Porto de Itajaí enfrentou aproximadamente um ano e meio de redução severa e paralisação das operações de contêineres durante a transição de contratos. A retomada começou antes da entrada da JBS Terminais, mas ganhou novo ritmo quando a empresa assumiu a área arrendada em outubro de 2024.

Em 2025, primeiro ano completo da operação atual, a companhia informou movimentação próxima de 390 mil TEUs, volume 11% superior ao registrado em 2022. Até abril de 2026, o terminal comunicava mais de 560 mil TEUs acumulados desde o início da gestão.

Esses números são divulgados pela própria empresa e devem ser lidos dentro dos períodos comparados. Mesmo assim, ajudam a contextualizar por que a escala do APL Salalah foi tratada como símbolo da recuperação. O recorde surge depois de uma fase em que a principal preocupação era restabelecer a atividade regular.

Investimentos ampliaram equipamentos e capacidade terrestre

A JBS Terminais informou ter aplicado aproximadamente R$ 230 milhões na retomada até maio de 2026. Os aportes incluíram dois guindastes móveis com capacidade declarada de 125 toneladas e alcance de até 20 fileiras de contêineres.

A estrutura divulgada pela companhia reúne 180 mil metros quadrados de área operacional, 1.030 metros de cais, quatro berços com 14 metros de profundidade, mais de 1.700 tomadas para contêineres refrigerados e oito gates reversíveis. Em maio, a empresa anunciou ainda R$ 9 milhões para adquirir 25 caminhões destinados ao deslocamento interno entre cais e pátio.

Os equipamentos terrestres são decisivos porque descarregar rapidamente o navio apenas transfere a pressão para o pátio. Contêineres precisam ser posicionados, ligados quando refrigerados, conferidos e encaminhados ao próximo modal. Uma escala de 3 mil movimentos testa a cadeia inteira dentro do terminal.

Porto voltou a ampliar linhas e volumes em 2026

Em maio, a operadora anunciou que o terminal passaria a contar com 12 linhas regulares, conectando Santa Catarina a destinos nas Américas, Ásia, Europa, Oriente Médio e África. Abril havia encerrado com mais de 44,8 mil TEUs, então apontados como a maior movimentação mensal da história da área operada.

No conjunto do Porto de Itajaí, o Ministério de Portos e Aeroportos registrou 1,67 milhão de toneladas nos quatro primeiros meses de 2026, avanço próximo de 40% sobre o mesmo período do ano anterior. Em abril, foram 430,3 mil toneladas.

TEUs, toneladas e movimentos são indicadores diferentes e não devem ser misturados. O primeiro mede capacidade equivalente de contêineres, o segundo expressa massa movimentada e o terceiro conta operações físicas. Juntos, eles ajudam a enxergar volume, peso e intensidade do trabalho portuário.

Escala recorde expõe avanço e limites do Porto de Itajaí

A chegada do APL Salalah demonstra que a operação atual consegue receber um navio próximo de 350 metros e planejar milhares de movimentos numa única escala. Ao mesmo tempo, o episódio reforça a dependência de dragagem contínua, acesso aquaviário seguro e integração com estradas e pátios.

O governo prepara uma concessão do canal com investimentos projetados em R$ 311 milhões durante 25 anos. A proposta inclui dragagens periódicas, sinalização, manutenção e gestão do tráfego, buscando elevar a capacidade futura do complexo.

O navio de 347,03 metros tornou-se um retrato visível da retomada, mas o verdadeiro teste será repetir operações desse porte com regularidade, segurança e eficiência. Na sua opinião, qual investimento deve ser priorizado em Itajaí: dragagem, acesso rodoviário, equipamentos de cais ou ampliação da bacia de evolução? Conte nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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