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Navio de 800 anos ficou enterrado no fundo do mar até a China colocar o naufrágio dentro de uma caixa de aço de 5.500 toneladas, içar tudo de uma vez e levar até os sedimentos para dentro de um museu

Navio de 800 anos ficou enterrado no fundo do mar até a China colocar o naufrágio dentro de uma caixa de aço de 5.500 toneladas, içar tudo de uma vez e levar até os sedimentos para dentro de um museu

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Navio de 800 anos ficou enterrado no fundo do mar até a China colocar o naufrágio dentro de uma caixa de aço de 5.500 toneladas, içar tudo de uma vez e levar até os sedimentos para dentro de um museu

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 11/08/2026 às 21:33

Marítimo

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O resgate do Nanhai No. 1 uniu arqueologia subaquática e engenharia pesada para retirar do mar um navio de 800 anos sem desmontar o casco

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O resgate do Nanhai No. 1 uniu arqueologia subaquática e engenharia pesada para retirar do mar um navio de 800 anos sem desmontar o casco, uma caixa de aço de 5.500 toneladas que envolveu o naufrágio e preservou sua relação com os sedimentos.

Uma caixa gigantesca emergindo do mar carregava muito mais do que um navio de 800 anos. Dentro dela estava o Nanhai No. 1, um antigo navio mercante chinês, acompanhado pelos sedimentos que haviam protegido o casco e mantido parte de sua carga na posição em que ficou durante séculos.

A operação aconteceu em 21 de dezembro de 2007, vinte anos depois da descoberta do naufrágio na costa de Guangdong, na China. Em vez de desmontar a embarcação ou retirar apenas cerâmicas e metais, o projeto levou para terra o casco, a carga e parte do contexto arqueológico preservado no fundo do mar.

A informação foi publicada por The UNESCO Courier, revista da UNESCO sobre cultura, ciência e patrimônio. A descoberta ocorreu em 1987, e o resgate usou uma caixa estanque de aço de 5.500 toneladas antes da transferência do naufrágio para um museu preparado especialmente para receber a embarcação.

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Encontrado por acaso em 1987, o Nanhai No. 1 guardava uma história do comércio marítimo chinês

O Nanhai No. 1 foi descoberto em 1987, a cerca de 23 metros de profundidade. Uma equipe chinesa e britânica procurava outro naufrágio quando encontrou o navio mercante que havia afundado no século XIII.

A embarcação foi construída por volta de 1216, durante a dinastia Song do Sul. Ela pertence ao tipo Fuchuan, associado à província de Fujian, e transportava uma carga que ajuda a revelar a dimensão das antigas rotas comerciais marítimas ligadas à China.

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O valor arqueológico não estava apenas nas peças que podiam ser retiradas. A posição de cada objeto, o modo como os produtos estavam embalados e a relação deles com o casco permitiam reconstruir aspectos da viagem, da organização da carga e da vida a bordo.

Uma tentativa de retirar objetos mostrou por que desmontar o naufrágio significaria perder informações

Logo após a descoberta, uma missão conseguiu recuperar alguns objetos, mas a parte traseira do navio foi destruída durante o processo. O episódio mostrou o risco de tratar o local apenas como uma coleção de peças valiosas espalhadas no fundo do mar.

Na arqueologia, o lugar onde um objeto aparece também conta uma história. Uma cerâmica retirada sozinha pode ser estudada, mas sua posição perto de outras peças, alimentos, embalagens ou partes do navio ajuda a explicar como aquela embarcação funcionava e como sua carga era organizada.

Os sedimentos tinham papel importante nessa leitura. Eles conservaram vestígios e ajudaram a manter objetos em posições que poderiam desaparecer durante uma retirada convencional. Preservar o conjunto significava proteger não apenas coisas antigas, mas as relações existentes entre elas.

Caixa de aço de 5.500 toneladas transformou o fundo do mar em um bloco transportável

As condições no local dificultavam uma escavação detalhada. Havia baixa visibilidade e fortes correntes, o que tornava o trabalho debaixo d’água mais limitado e complexo.

A solução foi construir uma enorme caixa estanque de aço de 5.500 toneladas. Era uma estrutura fechada capaz de envolver o naufrágio e criar proteção suficiente para que ele pudesse ser retirado sem precisar ser desmontado.

A caixa foi afundada sobre o local e pressionada contra o leito marinho. Depois, o material ao redor da estrutura foi removido e uma base foi colocada na parte inferior, formando um conjunto que poderia ser levantado até a superfície.

Caixa de aço de 5.500 toneladas transformou o fundo do mar em um bloco transportável

Na prática, a engenharia permitiu transportar o próprio local de escavação. O navio não saiu limpo e separado do ambiente em que estava. Parte dos sedimentos permaneceu junto do naufrágio, protegendo informações que seriam difíceis de recuperar caso tudo fosse retirado peça por peça.

Em 2007, o navio de 800 anos deixou o fundo do mar sem ser dividido em partes

A preparação para o resgate durou nove meses. Em 21 de dezembro de 2007, o conjunto foi içado e retirado do leito marinho, vinte anos depois de o Nanhai No. 1 ter sido encontrado.

A diferença estava no que subiu junto. O casco permaneceu envolvido pela estrutura, enquanto sedimentos e materiais associados ao naufrágio seguiram protegidos dentro do sistema. Isso permitiu levar para terra uma parcela muito maior do contexto arqueológico.

O procedimento pode ser comparado ao transporte de um canteiro de escavação inteiro. Em vez de estudar tudo apenas a 23 metros de profundidade, os pesquisadores passaram a trabalhar em um ambiente controlado, com acesso direto ao casco e à carga.

Museu criado para receber o Nanhai No. 1 virou também um grande laboratório arqueológico

O destino do naufrágio foi o Museu da Rota Marítima da Seda de Guangdong, construído na ilha de Hailing, perto da cidade de Yangjiang, na província de Guangdong. Um de seus espaços foi preparado para abrigar o navio e reproduzir condições adequadas à sua preservação.

A escavação da carga começou em 2013. Arqueólogos passaram a trabalhar ao lado de especialistas em conservação, restauração, mapeamento digital e museologia, reunindo diferentes áreas no mesmo local enquanto a pesquisa avançava.

The UNESCO Courier, revista da UNESCO sobre cultura, ciência e patrimônio, detalhou a escavação aberta à observação dos visitantes. O espaço funcionava ao mesmo tempo como área de pesquisa, conservação e exposição.

Museu criado para receber o Nanhai No. 1 virou também um grande laboratório arqueológico

Essa mudança alterou a própria lógica do trabalho. Em vez de retirar objetos rapidamente do mar para estudar tudo depois, os especialistas podiam abrir áreas do naufrágio com mais controle e acompanhar a posição de cada descoberta.

Porcelanas, moedas e metais mostram o tamanho da carga preservada no navio

Na entrevista publicada em 2017, 13.000 peças de porcelana de cinco importantes centros produtores já haviam sido escavadas. Também estavam registradas 17.000 moedas de cobre, além de 151 conjuntos de ouro, 124 de prata e 170 de cobre.

A estimativa citada para a carga chegava a 100.000 conjuntos de antiguidades. Mais importante do que a quantidade, porém, era a possibilidade de observar como parte desses materiais estava organizada dentro da embarcação.

Os pesquisadores encontraram evidências sobre embalagens, armazenamento de produtos e alimentação a bordo. Objetos pessoais também apareceram durante a escavação, ampliando a leitura sobre as pessoas que viajavam naquele navio mercante.

O Nanhai No. 1 mostra por que preservar um naufrágio pode exigir muito mais do que recuperar seus objetos. Ao manter casco, carga e sedimentos associados, o projeto conservou informações que poderiam desaparecer caso o navio fosse desmontado ainda no fundo do mar.

A operação de 2007 juntou arqueologia subaquática, engenharia pesada e preservação museológica em uma mesma solução. Uma caixa de 5.500 toneladas permitiu que um navio de cerca de 800 anos deixasse o mar acompanhado por parte do ambiente que guardava sua história.

Se retirar apenas os objetos teria sido muito mais simples, você acha que mover parte do fundo do mar foi justificável para preservar a história completa do navio? Conte sua opinião.

Fonte

The UNESCO Courier


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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