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Nigeriano transforma conflito e fome em tecnologia para plantar sem solo, instala mais de 3 mil sistemas e divide prêmio de US$ 300 mil com soluções que criam banheiro sem água e absorventes de resíduos agrícolas

Nigeriano transforma conflito e fome em tecnologia para plantar sem solo, instala mais de 3 mil sistemas e divide prêmio de US$ 300 mil com soluções que criam banheiro sem água e absorventes de resíduos agrícolas

6 min de leitura

Nigeriano transforma conflito e fome em tecnologia para plantar sem solo, instala mais de 3 mil sistemas e divide prêmio de US$ 300 mil com soluções que criam banheiro sem água e absorventes de resíduos agrícolas

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 28/08/2026 às 20:54

Atualizado em 28/08/2026 às 20:55

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Smart Israel, Diana Yousef e Oghenekevwe William Emadago recebem US$ 100 mil cada no Global Citizen Waislitz Awards 2026 por projetos ligados à segurança alimentar, saneamento e saúde menstrual.

Um empreendedor que cresceu vendo conflitos, deslocamentos e mudanças climáticas agravarem a fome na Nigéria transformou essa experiência em uma tecnologia capaz de cultivar alimentos sem solo, com energia solar e inteligência artificial. Agora, Smart Israel, fundador da Smartel Agri Tech, venceu o principal prêmio do Global Citizen Waislitz Awards 2026, uma edição que distribuirá US$ 300 mil entre três iniciativas de impacto social. As informações foram divulgadas pelo Global Citizen em 18 de agosto de 2026.

Israel receberá US$ 100 mil para ampliar um projeto que já implantou mais de 3 mil sistemas e atende milhares de agricultores e famílias. Além dele, a premiação escolheu a empreendedora Diana Yousef, criadora de um banheiro que dispensa água e rede de esgoto, e o pesquisador Oghenekevwe William Emadago, cuja empresa transforma resíduos agrícolas em absorventes de baixo custo.

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Ao todo, cada vencedor receberá US$ 100 mil para expandir sua organização. Assim, três problemas diferentes — fome, falta de saneamento e pobreza menstrual — colocaram tecnologias desenvolvidas para comunidades vulneráveis no centro de uma premiação internacional que chega ao seu 12º ano.

Smart Israel cresceu vendo conflitos agravarem fome e cria cultivo sem solo

A trajetória do vencedor do Grand Prize começa no chamado Middle Belt da Nigéria. Segundo o Global Citizen, Smart Israel acompanhou como conflitos por recursos, deslocamentos populacionais e mudanças climáticas alimentavam problemas de fome e desnutrição em sua comunidade.

A experiência levou o empreendedor a fundar a Smartel Agri Tech, empresa de tecnologia climática voltada à produção de alimentos em comunidades vulneráveis.

Em vez de depender do cultivo convencional, a solução utiliza sistemas hidropônicos alimentados por energia solar e apoiados por inteligência artificial. Dessa forma, as comunidades conseguem produzir alimentos sem solo e em diferentes condições ambientais.

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A combinação de agricultura com novas tecnologias também mostra como soluções inicialmente complexas podem chegar a aplicações práticas. No caso da Smartel, o objetivo está diretamente ligado ao acesso sustentável a alimentos nutritivos.

Agricultura sem solo já soma mais de 3 mil sistemas instalados

A iniciativa saiu da fase conceitual. Conforme os dados divulgados pela organização do prêmio, a Smartel já implantou mais de 3 mil sistemas hidropônicos.

Essas instalações ajudaram milhares de agricultores e famílias a obter acesso sustentável a alimentos nutritivos, segundo o Global Citizen.

Agora, o prêmio de US$ 100 mil deverá financiar a próxima etapa.

A organização afirma que o dinheiro permitirá a Smart Israel alcançar mais 5 mil famílias, oferecendo produção de alimentos acessível e adaptada ao clima. Além disso, o empreendedor pretende expandir o modelo de hubs hidropônicos comunitários da Smartel.

Portanto, o número de 5 mil famílias representa uma meta possibilitada pelo prêmio, e não um resultado já alcançado.

Ex-NASA identifica problema que afeta 4,2 bilhões e cria banheiro sem água

A segunda vencedora partiu de outro problema básico: o banheiro.

Diana Yousef, fundadora e CEO da change:WATER Labs, recebeu o Global Citizen Waislitz Disruptor Award. Segundo a organização, enquanto trabalhava para a NASA, ela percebeu uma semelhança entre as dificuldades enfrentadas por astronautas e aquelas vividas por bilhões de pessoas na Terra: a impossibilidade de simplesmente usar água para eliminar resíduos sanitários.

O tamanho do problema é enorme. Conforme os dados apresentados pela fonte, 4,2 bilhões de pessoas ainda não têm acesso a um vaso sanitário convencional por falta de água ou infraestrutura de esgoto.

Diana e sua equipe desenvolveram, então, o iThrone.

O equipamento funciona sem água e sem conexão com uma rede de esgoto. Em vez disso, reduz rapidamente o volume dos resíduos por meio da evaporação de seu conteúdo de água.

A proposta é tornar o saneamento seguro mais barato e aplicável em locais onde a infraestrutura convencional não chega.

iThrone já ampliou acesso a saneamento para mais de 20 mil pessoas

A tecnologia já passou da fase de desenvolvimento.

De acordo com o Global Citizen, os banheiros iThrone melhoraram o acesso a instalações sanitárias seguras para mais de 20 mil pessoas em Uganda, Panamá e Estados Unidos.

Com os US$ 100 mil recebidos no prêmio, Diana pretende ampliar a distribuição do sistema. A meta divulgada é levar a tecnologia a milhões de outras pessoas até 2027.

Nesse sentido, o projeto segue uma lógica semelhante à de outras iniciativas que transformam limitações materiais em novas soluções. Até resíduos que perderiam valor podem se tornar matéria-prima para produtos completamente diferentes.

E é justamente essa transformação que aparece de maneira ainda mais direta no terceiro projeto premiado.

Resíduos agrícolas viram absorventes e produção supera 2,8 milhões de unidades

Oghenekevwe William Emadago, da Nigéria, recebeu o Global Citizen Waislitz People’s Choice Award.

Pesquisador de PhD, O’Shaughnessy Fellow, cofundador e COO da Girlified, Emadago cresceu no norte da Nigéria e presenciou meninas faltando à escola porque não conseguiam comprar ou obter absorventes.

A partir desse problema, ele ajudou a criar uma solução que conecta duas questões: pobreza menstrual e resíduos.

A Girlified transforma resíduos agrícolas em absorventes acessíveis e de baixo custo, reduzindo ao mesmo tempo a dependência de materiais plásticos.

Os números já alcançados são expressivos.

Desde 2021, a empresa produziu mais de 2,8 milhões de absorventes e alcançou mais de 70 mil mulheres e meninas, segundo os dados divulgados pelo Global Citizen.

O próximo objetivo, entretanto, é muito maior.

Girlified mira alcançar 10 milhões de mulheres e meninas por ano até 2030

Com os US$ 100 mil da premiação, Emadago pretende ampliar a escala da tecnologia.

A meta anunciada é fazer a inovação chegar a 10 milhões de mulheres e meninas por ano até 2030.

Isso significa que os 10 milhões ainda são um objetivo futuro, enquanto os 2,8 milhões de absorventes produzidos e as mais de 70 mil pessoas alcançadas representam os resultados informados até agora.

Essa diferença é especialmente importante porque a premiação busca justamente financiar a expansão das organizações.

Assim como ocorre com empresas que captam recursos para ampliar suas operações, o dinheiro recebido pelos vencedores funciona como capital para tentar levar soluções já desenvolvidas a uma escala maior.

Prêmio de US$ 300 mil avalia potencial de escala e adaptação das soluções

O Global Citizen Waislitz Awards está em sua 12ª edição.

A premiação distribui anualmente US$ 300 mil, divididos igualmente entre os três vencedores. Portanto, cada organização contemplada em 2026 receberá US$ 100 mil.

Os candidatos são avaliados em cinco critérios: cidadania global, prova de conceito, disrupção, escalabilidade e adaptabilidade.

Desde o início da iniciativa, 35 agentes de transformação de diferentes países já receberam reconhecimento. A Waislitz Foundation afirma ter desembolsado mais de US$ 2,65 milhões no apoio a soluções de base destinadas ao combate à pobreza extrema.

Os vencedores anteriores vieram de países como Bangladesh, Colômbia, Índia, Quênia, Malawi, Nepal, Nigéria, Paquistão, Ruanda, África do Sul, Uganda e Estados Unidos, entre outros.

Três tecnologias partem de problemas básicos e agora enfrentam o desafio da escala

Os três projetos premiados em 2026 nasceram de necessidades diferentes, porém compartilham uma característica: tentam resolver problemas cotidianos sem depender exclusivamente de grandes estruturas tradicionais.

Smart Israel levou a hidroponia apoiada por energia solar e IA a comunidades vulneráveis e já soma mais de 3 mil sistemas.

Diana Yousef desenvolveu um banheiro sem água nem esgoto que já beneficiou mais de 20 mil pessoas.

Enquanto isso, Oghenekevwe William Emadago ajudou a transformar resíduos agrícolas em mais de 2,8 milhões de absorventes, alcançando mais de 70 mil mulheres e meninas desde 2021.

Agora, os US$ 300 mil distribuídos entre os três vencedores colocam uma nova pergunta sobre essas tecnologias: até onde elas conseguirão crescer sem perder justamente a capacidade de funcionar nas comunidades para as quais foram criadas?

Você acredita que soluções como agricultura sem solo, banheiros que dispensam água e absorventes feitos de resíduos agrícolas podem ganhar escala suficiente para atender milhões de pessoas em regiões sem infraestrutura?

Fonte

Global Citizen


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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