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No Ceará, criação de gado Wagyu mostra como um dos bois mais caros do mundo saiu do Japão, vive em ambiente climatizado e transforma fazenda de Itaitinga em aposta de alto valor na carne premium
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 24/08/2026 às 18:35
Atualizado em 24/08/2026 às 18:36
Agronegócio
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Com cerca de 20 animais em Itaitinga, o gado Wagyu no Ceará já movimenta uma aposta de alto valor que mistura manejo especial, carne nobre e custo elevado por cabeça.
No meio do calor da Região Metropolitana de Fortaleza, uma fazenda em Itaitinga abriga cerca de 20 cabeças de gado wagyu, uma das raças bovinas mais valorizadas do mundo. No Ceará, esses animais recebem cuidado especial de temperatura, alimentação e manejo, em uma criação que foge do modelo tradicional e aposta na carne premium.
O negócio é tocado pelo produtor rural e advogado Abdias Oliveira, dono dos animais na propriedade de 13 hectares. O preço de cada cabeça pode variar entre R$ 26,4 mil e R$ 34,4 mil, o que ajuda a explicar por que o gado wagyu no Ceará virou uma aposta tão diferente em uma região marcada por outra lógica de pecuária.
Segundo o Diário do Nordeste, a criação começou em 2019 e hoje divide espaço com outros bovinos e ovinos na propriedade. O objetivo não é volume, mas valor agregado. E isso muda tudo na rotina da fazenda.
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Animais vivem em ambiente climatizado e recebem manejo mais rígido
Na prática, os wagyu não ficam soltos sob as mesmas condições de outros bovinos. O ambiente passa por climatização, principalmente nos períodos de calor mais intenso, e os animais são mantidos em regime de semi-confinamento, com recolhimento nas horas mais quentes do dia.
Abdias afirma que a raça exige atenção maior, porque a exposição ao sol e a alimentação interferem diretamente no marmoreio da carne — a mistura entre gordura e músculo que cria a textura valorizada por chefs e críticos gastronômicos. Por isso, o manejo precisa ser cuidadoso do começo ao fim.
Ele também diz que os animais estão livres de zoonoses e outras enfermidades, embora o wagyu seja considerado mais suscetível a carrapatos e verminoses. No dia a dia, isso significa vigilância constante e reforço nos cuidados sanitários.
Preço alto por cabeça e carne que pode passar de R$ 2 mil o quilo
O valor do wagyu ajuda a entender o tamanho da aposta. De acordo com os dados citados na reportagem, a arroba do boi wagyu gordo pode custar o dobro da arroba do Nelore, raça que domina o rebanho brasileiro. Já o peso médio de um animal confinado varia entre 620 kg e 650 kg.
Com essa conta, o preço estimado de cada boi no Brasil fica entre R$ 26,4 mil e R$ 34,4 mil. Em frigoríficos especializados, o kobe beef produzido a partir de animais abatidos no país pode partir de R$ 153,50 em porção de 540 gramas, e ultrapassar R$ 2 mil por quilo no caso de carne importada.
É um mercado pequeno, mas de ticket alto. E é justamente aí que entra a lógica da criação em Itaitinga: um rebanho reduzido, criado com atenção redobrada, mirando um nicho disposto a pagar caro por qualidade e raridade.
Ceará tem potencial, mas ainda esbarra em pouca estrutura para o corte premium
Apesar da experiência bem-sucedida na propriedade, especialistas e representantes do setor pedem cautela. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará, Amílcar Silveira, avalia que ainda falta uma cadeia produtiva de pecuária de corte mais forte no Estado, além de frigoríficos certificados para atender esse tipo de carne.
O cenário, no entanto, não é fechado. O Ceará tem regiões com clima mais favorável ao wagyu, como a Serra da Ibiapaba e a Chapada do Apodi, onde o microclima pode ajudar a manter a temperatura média abaixo de 30°C, condição considerada importante para a raça.
O Estado também tem buscado fortalecer a pecuária de corte com sistemas intensivos e superintensivos, que usam menos terra, mais controle de temperatura e alimentação planejada. Para quem aposta no wagyu, esse pode ser o caminho para fazer o negócio ganhar escala sem perder o padrão de qualidade.
Um mercado pequeno, mas que pode abrir espaço para mais produtores
No Brasil, há pouco mais de 3,5 milhões de bois dessa espécie, segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos das Raças Wagyu. Já são 207 mil animais abatidos e 52 criadores credenciados no Ceará, o que mostra que ainda existe espaço para expansão, mesmo em um nicho bastante exigente.
Abdias também estuda oferecer cerveja no processo de abate, com uma lata por dia, para avaliar se o resultado do marmoreio melhora. A ideia reforça a busca por diferenciação em um mercado onde cada detalhe pode alterar o valor final da carne.
O caso de Itaitinga revela que o wagyu não é mais exclusividade do Japão ou de mercados de luxo do exterior. No Ceará, ele já virou aposta real de produção, com potencial para mexer com o agronegócio de alto valor e abrir uma vitrine incomum para a carne nobre feita em solo cearense.
Se você acompanha o agronegócio, vale ficar de olho nessa tendência — e contar nos comentários o que achou dessa aposta premium no interior do Ceará.
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Diário do Nordeste
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

