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Nos Estados Unidos, comunidade reuniu 60 moradias, colocou famílias adotivas ao lado de idosos voluntários e criou uma rede de apoio para crianças que já haviam passado pelo acolhimento
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 14/08/2026 às 23:36
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Uma comunidade com 60 moradias nos Estados Unidos colocou famílias adotivas perto de pessoas mais velhas dispostas a participar voluntariamente da rotina de crianças que passaram pelo acolhimento.
A Treehouse at Easthampton Meadow fica em Easthampton, no estado de Massachusetts. O projeto reúne 48 moradias para pessoas com 55 anos ou mais e 12 casas maiores destinadas a famílias que acolhem crianças ou concluíram uma adoção recentemente.
MassHousing, agência de financiamento habitacional de Massachusetts, publicou em 10 de maio de 2019 os principais dados do empreendimento. A comunidade combina moradia acessível, convivência entre gerações e serviços sociais dentro do próprio bairro.
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A arquitetura das 60 moradias foi pensada para aproximar os moradores
As 48 unidades destinadas às pessoas mais velhas possuem um quarto. Todas elas são classificadas como moradias com aluguel acessível, voltadas para residentes com 55 anos ou mais.
As outras 12 unidades são casas com vários quartos. Elas atendem famílias que participam do acolhimento ou que adotaram crianças recentemente. Entre essas casas, seis possuem aluguel acessível e seis são alugadas pelos preços praticados no mercado.
Essa divisão aproxima famílias e moradores mais velhos sem colocar todos dentro do mesmo imóvel. Cada pessoa mantém sua residência e sua privacidade, mas encontra vizinhos conhecidos nos caminhos, nas áreas de lazer e no centro comunitário.
O planejamento ainda inclui áreas abertas protegidas, caminhos para pedestres e casas com uso eficiente de energia. A proposta usa a própria organização das moradias para facilitar encontros cotidianos.
Idosos voluntários dedicam até 10 horas semanais às crianças
Os moradores mais velhos não recebem a obrigação de substituir pais, mães ou profissionais. Eles participam como voluntários e podem dedicar de 6 a 10 horas por semana ao contato com crianças e adolescentes da comunidade.
Na prática, eles formam uma espécie de grupo de avós de convivência. A expressão representa a proximidade criada entre gerações, mas não significa que esses moradores assumam responsabilidade legal pelas crianças.
O valor do modelo está na presença regular de pessoas conhecidas. Crianças e responsáveis passam a encontrar apoio dentro da própria vizinhança, sem depender apenas de atividades distantes ou encontros ocasionais.
Os idosos também deixam de viver isolados. A relação pode oferecer convivência e participação comunitária, embora cada vínculo dependa da vontade, do tempo e dos limites dos próprios moradores.
A rede tenta reduzir a instabilidade depois do acolhimento
Uma criança que passa pelo sistema de acolhimento pode enfrentar mudanças de residência, escola, vizinhança e pessoas de referência. A Treehouse tenta criar um ambiente mais estável depois dessas experiências.
A moradia representa apenas uma parte desse trabalho. A comunidade também oferece espaços de convivência, atividades educativas e acompanhamento para crianças e responsáveis.
O centro comunitário funciona como o coração do empreendimento. Ele possui biblioteca, computadores, cozinha, sala para diferentes atividades e escritórios das organizações que atuam no local.
A área externa conta com dois espaços infantis e uma horta comunitária. Esses ambientes facilitam encontros entre moradores sem exigir que toda aproximação aconteça durante atividades formais.
Profissionais acompanham famílias e crianças dentro da comunidade
O Berkshire Center for Families and Children mantém atendimento no próprio empreendimento. A instituição possui licença para atuar na proteção à infância e oferece apoio diário no local.
Esse acompanhamento atende crianças, famílias e pessoas mais velhas envolvidas na rede. A presença de profissionais ajuda a separar o apoio voluntário das responsabilidades que exigem conhecimento especializado.
Assim, os idosos não são apresentados como cuidadores gratuitos. Eles complementam uma estrutura que também envolve famílias, instituições sociais, administração residencial e órgãos públicos.
A comunidade recebeu apoio da cidade de Easthampton, do Departamento de Crianças e Famílias e de órgãos estaduais ligados à habitação. Essa participação mostra que a experiência não depende somente da boa vontade dos moradores.
Financiamento público ajudou a viabilizar as moradias
MassHousing, agência de financiamento habitacional de Massachusetts, destinou US$ 5,2 milhões em financiamento para a Treehouse e para o empreendimento vizinho Homes at Easthampton Meadow.
A aprovação da comunidade ocorreu parcialmente por meio do Capítulo 40B. Essa lei de planejamento regional permite a criação de moradias acessíveis em Massachusetts.
A Beacon Communities e a Treehouse Foundation aparecem como responsáveis pelo desenvolvimento. A administração residencial ficou com a Beacon Communities, enquanto diferentes instituições passaram a ocupar o centro comunitário.
O modelo possui limites e não substitui políticas públicas
A proximidade entre idosos, famílias e crianças pode fortalecer relações, mas não garante sozinha que novas mudanças de casa serão evitadas. A estabilidade depende de moradia, renda, acompanhamento profissional e continuidade das políticas públicas.
Também existem custos de construção, administração, manutenção e atendimento. O funcionamento exige imóveis acessíveis, espaços coletivos e profissionais disponíveis dentro da comunidade.
O ponto mais relevante está na união de problemas que costumam receber respostas separadas. A Treehouse trata isolamento na velhice, moradia acessível, adoção e acolhimento infantil como partes de uma mesma realidade social.
As 60 moradias mostram que o planejamento de um bairro pode aproximar pessoas sem retirar a responsabilidade das famílias ou do poder público. A arquitetura abre espaço para os encontros, enquanto os vínculos dependem da participação diária dos moradores.
A experiência também sugere que oferecer uma casa pode ser apenas o começo. Para crianças que passaram pelo acolhimento, estabilidade envolve endereço, convivência, serviços próximos e pessoas em quem possam confiar.
Se uma comunidade como essa fosse construída no Brasil, aproximar famílias adotivas e idosos voluntários realmente ajudaria crianças acolhidas ou criaria novos desafios?
Fonte
MassHousing
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

