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Nova espécie de lagarto batizada em homenagem a A Casa do Dragão foi registrada num único trecho de floresta acima de 1.300 metros, e os pesquisadores já alertam que o isolamento pode virar sentença de vulnerabilidade

Nova espécie de lagarto batizada em homenagem a A Casa do Dragão foi registrada num único trecho de floresta acima de 1.300 metros, e os pesquisadores já alertam que o isolamento pode virar sentença de vulnerabilidade

7 min de leitura

Nova espécie de lagarto batizada em homenagem a A Casa do Dragão foi registrada num único trecho de floresta acima de 1.300 metros, e os pesquisadores já alertam que o isolamento pode virar sentença de vulnerabilidade

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 11/08/2026 às 11:54

Atualizado em 11/08/2026 às 11:59

Meio Ambiente

Lagarto batizado em homenagem a A Casa do Dragão só foi registrado acima de 1.300 metros na Tailândia, e o isolamento preocupa os pesquisadores.

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Acanthosaura syrax foi descrita a partir de oito exemplares coletados no Parque Nacional Mae Wong, na Tailândia. A equipe procurava outra espécie e encontrou um animal que não batia com nenhum registro conhecido. O nome vem de Syrax, a dragão de Rhaenyra Targaryen.

A equipe subiu a montanha atrás de um lagarto que os registros do parque diziam existir ali, e não encontrou nenhum. Em 23 de abril de 2025, a 1.340 metros de altitude no Parque Nacional Mae Wong, no oeste da Tailândia, Poramad e Krittiya Trivalairat coletaram três pequenos répteis com chifres que não correspondiam a nenhuma espécie listada para aquela área.

Um mês depois, voltaram ao mesmo ponto e recolheram outros cinco. Esses oito exemplares se tornaram a base de Acanthosaura syrax, espécie nova para a ciência descrita na revista ZooKeys e batizada em homenagem a Syrax, a dragão montada pela rainha Rhaenyra Targaryen em A Casa do Dragão, conforme reportagem assinada por Gabriel Bueno e publicada pelo ND Mais em 11 de agosto de 2026. O animal só foi registrado naquele trecho de floresta acima de 1.300 metros.

Lagarto pertence ao grupo dos dragões-de-chifres-da-montanha

Lagarto batizado em homenagem a A Casa do Dragão só foi registrado acima de 1.300 metros na Tailândia, e o isolamento preocupa os pesquisadores.

O gênero Acanthosaura reúne répteis conhecidos como dragões-de-chifres-da-montanha, nome que vem de uma característica física evidente. Eles carregam uma crista de escamas alargadas que percorre a nuca e desce pela coluna, além de espinhos no pescoço e nas costas.

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A distribuição do grupo cobre boa parte do Sudeste Asiático, indo de Mianmar e do sul da China até a Península Malaia. Com a descrição de Acanthosaura syrax, o gênero passou a somar 23 espécies conhecidas. Nenhum outro membro do grupo tem espinhos tão curtos na nuca e nas costas quanto esse novo lagarto, e essa é uma das marcas que o separam dos parentes.

Nome foi escolhido por três coincidências com a dragão da série

A homenagem não é decorativa nem gratuita. Em A Casa do Dragão e no livro que originou a série, Fire and Blood, de George R. R. Martin, Syrax é reconhecida por três características: coloração amarela marcante, tamanho modesto em comparação com os outros dragões Targaryen e a postura de um número incomum de ovos.

O lagarto reúne as três. Apresenta tons verde-amarelados, é um dos menores membros do gênero Acanthosaura e produz ninhadas grandes para o próprio porte. A equipe propôs “dragão-de-chifres-da-montanha de Syrax” como nome comum em inglês, acompanhado de um nome tailandês com a mesma tradução. A escolha foi deliberada e feita item por item, e não um apelido colado depois da descoberta.

Cinquenta e uma características físicas foram medidas

A descrição de uma espécie nova não se resolve no olho. Os pesquisadores registraram 51 características físicas dos oito exemplares e as compararam com as de outros dragões-de-chifres-da-montanha já catalogados.

As diferenças que apareceram são específicas. O novo lagarto tem as menores escamas de crista de nuca e de dorso já registradas no gênero, além de corpo pequeno no conjunto. Falta nele a mancha preta ao redor dos olhos, presente em várias espécies aparentadas. E há uma marca escura em formato de diamante atravessando o pescoço, que lembra um colar. É esse conjunto que permite identificar o animal em campo sem depender de análise laboratorial.

Análise de DNA confirmou linhagem separada

Lagarto batizado em homenagem a A Casa do Dragão só foi registrado acima de 1.300 metros na Tailândia, e o isolamento preocupa os pesquisadores.

A morfologia sozinha não fecha uma descrição. A equipe extraiu e analisou dois genes mitocondriais dos oito exemplares para testar se o que viam a olho nu correspondia a uma linhagem geneticamente distinta.

O resultado confirmou. As distâncias genéticas em relação às espécies mais próximas ficaram entre 14% e 28%, enquanto a variação dentro do próprio grupo de exemplares se mostrou mínima. Essa combinação é o padrão que a taxonomia molecular considera evidência de espécie nova: muita diferença para fora, pouca para dentro. O parente mais próximo identificado é Acanthosaura lepidogaster, justamente a espécie que os registros do parque indicavam para aquela altitude e que não apareceu na busca.

Registro se limita a uma faixa estreita acima de 1.300 metros

Todos os exemplares vieram de florestas perenes acima de 1.300 metros de altitude, no Parque Nacional Mae Wong, situado entre as províncias de Tak e Kamphaeng Phet, na Cordilheira Dawna.

Os autores não encontraram registros confirmados do lagarto fora dessa área, e a descrição afirma que ele aparentemente não vive em nenhum outro lugar. Há uma ressalva importante nessa conclusão, e ela consta no próprio estudo: a ausência de registro não permite descartar a presença do animal em regiões ainda não pesquisadas. Boa parte das florestas de altitude do Sudeste Asiático nunca recebeu levantamento sistemático de répteis, e novas espécies do gênero continuam sendo descritas na região.

Relevo montanhoso já mantém as populações separadas

O ponto que preocupa os pesquisadores não é a raridade em si, é a geografia. O terreno acidentado da cordilheira mantém as populações desse lagarto naturalmente fragmentadas, sem que exista qualquer interferência humana envolvida.

Populações isoladas em manchas de habitat funcionam de forma diferente de uma população contínua. Elas trocam menos indivíduos entre si, o que reduz a variabilidade genética disponível, e não conseguem recolonizar uma área caso a mancha vizinha desapareça. A avaliação da equipe é condicional e vale reproduzir com precisão: se as florestas de altitude sofrerem maior pressão humana, essa distribuição já limitada pode aumentar a vulnerabilidade do lagarto. Não se trata de declarar a espécie ameaçada hoje, e sim de apontar a fragilidade estrutural do arranjo.

Pesquisadores pedem reforço da proteção em Mae Wong

A recomendação prática apresentada no estudo é o fortalecimento da proteção das florestas de altitude do Parque Nacional Mae Wong. Os autores sugerem que o novo lagarto possa funcionar como espécie-bandeira da área.

Espécie-bandeira é o animal carismático usado para atrair atenção e recursos para a conservação de todo um ecossistema, beneficiando indiretamente as demais espécies que dividem o mesmo território. No caso de Mae Wong, esse território abriga ainda a tartaruga-de-floresta-asiática, a tartaruga-folha de Oldham e o tigre-da-Indochina. Um nome ligado a uma série de sucesso global é exatamente o tipo de atributo que uma espécie-bandeira precisa ter, e a equipe demonstrou estar consciente disso ao escolher a homenagem.

Estudo saiu na ZooKeys com acesso aberto

O trabalho que formalizou a espécie foi publicado na revista científica ZooKeys, de acesso aberto, com data de 31 de julho. O título descreve Acanthosaura syrax como espécie nova de dragão-de-chifres-da-montanha de habitats de alta elevação do oeste da Tailândia, dentro da ordem Squamata e da família Agamidae.

A autoria é de cinco pesquisadores: Poramad Trivalairat, Krittiya Trivalairat, Nawee Moungkhaek, Simon Caponov e Benchapol Lorsunyaluck. A equipe está vinculada à Chulabhorn Royal Academy e à Kasetsart University, ambas na Tailândia. O acesso aberto significa que qualquer pessoa pode ler a descrição completa, com as 51 medidas e as imagens dos exemplares, sem pagar assinatura.

Descoberta começou com uma espécie que não apareceu

O detalhe mais curioso da história está no ponto de partida. A expedição não saiu para procurar um lagarto novo: os registros oficiais do parque indicavam a presença de Acanthosaura lepidogaster nas florestas altas do oeste tailandês, e era ela que a dupla de pesquisadores esperava encontrar.

O animal esperado nunca apareceu no local. No lugar dele surgiram exemplares que não batiam com nenhuma espécie listada para a área, e foi essa incompatibilidade que abriu a investigação. O intervalo entre a primeira coleta, em abril de 2025, e a publicação, em julho de 2026, dá a medida do trabalho envolvido: pouco mais de um ano entre pegar o bicho na mão e provar que ele era novo para a ciência.

Conta nos comentários: você acha que dar nome de personagem de série a espécie nova ajuda a conservação ou banaliza o trabalho científico? E se dependesse de você, qual animal brasileiro ainda pouco conhecido mereceria um nome capaz de virar assunto no mundo inteiro?

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Cientistas


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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