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Novas expedições confirmam que a Amazônia continua escondendo espécies desconhecidas, com um grilo identificado pelo canto e batizado em referência à planta onde vive e se alimenta, descoberto numa reserva sustentável do Amazonas

Novas expedições confirmam que a Amazônia continua escondendo espécies desconhecidas, com um grilo identificado pelo canto e batizado em referência à planta onde vive e se alimenta, descoberto numa reserva sustentável do Amazonas

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4 min de leitura

Novas expedições confirmam que a Amazônia continua escondendo espécies desconhecidas, com um grilo identificado pelo canto e batizado em referência à planta onde vive e se alimenta, descoberto numa reserva sustentável do Amazonas

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 21/08/2026 às 22:36

Atualizado em 21/08/2026 às 22:37

Meio Ambiente

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Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no Amazonas, cientistas combinaram a análise do corpo e do som emitido pelos machos para reconhecer a nova espécie de grilo Oecanthus buxixu e entender sua relação com a vegetação local.

No meio da floresta, o canto de um inseto pode parecer apenas mais um som misturado à paisagem. Para os pesquisadores, porém, ele pode guardar pistas decisivas. Foi assim que uma nova espécie de grilo na Amazônia, chamada Oecanthus buxixu, ganhou reconhecimento científico.

A descoberta foi divulgada em 24 de setembro de 2024 pelo Instituto Mamirauá, centro de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O inseto foi encontrado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no município de Maraã, Amazonas.

O gênero Oecanthus reúne mais de 70 espécies distribuídas pelo planeta. Mesmo assim, Oecanthus buxixu é apenas a segunda espécie desse grupo conhecida na Amazônia. A outra foi descrita em Santarém, no Pará.

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Como se descobre uma nova espécie de grilo pelo corpo e pelo som

Reconhecer uma nova espécie exige mais do que encontrar um animal com aparência diferente. No caso do Oecanthus buxixu, os pesquisadores analisaram características externas e internas do corpo, observando detalhes que ajudam a separar um inseto de outro.

A identificação também considerou a chamada sinalização acústica. Em linguagem simples, esse termo descreve os sons usados pelos animais para se comunicar. Nos grilos, o canto emitido pelos machos pode apresentar características próprias e ajudar os cientistas a distinguir espécies.

Imagem: Diego Mendes

Isso significa que dois grilos aparentemente parecidos podem emitir sinais diferentes. Quando o canto característico combina com particularidades do corpo, os pesquisadores encontram uma base mais segura para reconhecer que estão diante de uma espécie ainda não descrita.

No caso do grilo amazônico, a sinalização acústica teve papel central. O som não serviu apenas como uma curiosidade da floresta, mas como uma espécie de identidade que complementou a análise física do inseto.

O nome buxixu revela a ligação do grilo com uma planta

O nome científico Oecanthus buxixu não foi escolhido ao acaso. A palavra buxixu faz referência à planta de mesmo nome, onde o grilo costuma ser encontrado.

O inseto vive sobre essa vegetação e se alimenta de frutos e folhas. Assim, o nome registra uma relação direta entre a espécie e o ambiente necessário para sua alimentação e sobrevivência.

A escolha também ajuda a guardar uma informação importante dentro da própria denominação científica. Ao encontrar a palavra buxixu, o pesquisador já recebe uma pista sobre a planta associada ao animal.

A origem apresentada para o nome, portanto, é botânica. Ela mostra que estudar uma nova espécie também exige observar onde ela vive, o que consome e quais elementos da floresta fazem parte de sua rotina.

Reserva Amanã abriga o pequeno ambiente onde o grilo vive

A descoberta ocorreu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, localizada no município de Maraã, no estado do Amazonas. É nesse território amazônico que o grilo foi encontrado associado aos arbustos de buxixu.

O Instituto Mamirauá, centro de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, registrou a presença do inseto em áreas de borda de floresta. Essas áreas marcam a passagem entre a vegetação mais fechada e os espaços ao redor.

Esse detalhe permite entender que preservar a Amazônia não significa olhar somente para grandes extensões de mata. Pequenos ambientes específicos também sustentam espécies que dependem de determinada planta, quantidade de luz e condição da vegetação.

Se os arbustos de buxixu desaparecem de uma área, o grilo pode perder tanto sua fonte de alimento quanto o local onde costuma viver. A descoberta liga a proteção do inseto à conservação da planta e da borda florestal que os abriga.

Por que cada nova espécie importa para a ciência

Dar nome a uma espécie permite que ela passe a ser reconhecida, estudada e diferenciada de outros animais. Sem essa identificação, informações sobre sua alimentação, seu canto e seu ambiente podem ficar misturadas aos dados de espécies parecidas.

Os grilos também participam da cadeia alimentar da floresta. Algumas espécies atuam na dispersão de sementes pelo solo, enquanto outras servem de alimento para diferentes animais. Cada função ajuda a compor as relações que mantêm o ambiente em atividade.

A descrição do Oecanthus buxixu mostra ainda que um animal pequeno pode revelar conexões maiores. O grilo está ligado à planta buxixu, aos frutos e folhas que consome e à área de borda onde foi encontrado.

Um pequeno canto amplia o mapa da biodiversidade amazônica

A descoberta do Oecanthus buxixu acrescenta uma nova espécie ao conhecimento sobre a Amazônia e mostra como a identificação pode unir corpo, som, alimentação e ambiente. O canto dos machos foi uma das principais pistas para separar o inseto de outros grilos.

O fato de esta ser apenas a segunda espécie do gênero Oecanthus conhecida na Amazônia também expõe quanto ainda existe para ser investigado. Cada planta observada e cada som analisado podem ajudar a revelar relações que permaneciam sem registro científico.

Você imaginava que o canto pudesse ajudar a identificar uma nova espécie? Conte nos comentários e compartilhe esta descoberta com quem se interessa pela Amazônia.

Fonte

Instituto Mamirauá


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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