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Novas imagens da NASA revelam como dunas de até 30 metros se movem e lagoas desaparecem nos Lençóis Maranhenses
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 07/08/2026 às 16:18
Atualizado em 07/08/2026 às 16:19
Ciência e Tecnologia
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NASA registra do espaço a transformação dos Lençóis Maranhenses, onde dunas se deslocam e centenas de lagoas surgem após as chuvas.
Imagens obtidas pela NASA em junho de 2026 revelam que os Lençóis Maranhenses estão longe de ser uma paisagem imóvel. Registrado pelo satélite Landsat 9, o parque no Maranhão combina dunas que migram continuamente, lagoas que aparecem durante parte do ano e um sistema natural em que chuva, vento, areia e água subterrânea modificam o cenário ao longo das estações.
A dimensão dessa transformação também pode ser observada em períodos maiores. Registros de satélite indicam que determinadas áreas do campo de dunas avançaram aproximadamente 500 metros para oeste entre 1986 e 2026, evidenciando como o relevo continua sendo remodelado mesmo em escalas de poucas décadas.
NASA acompanha dunas que podem avançar até 25 metros por ano
Uma das forças responsáveis pelas mudanças é o vento. Na estação seca, correntes predominantes vindas do nordeste podem ultrapassar 50 km/h e empurrar enormes quantidades de areia para o interior do território maranhense.
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Dependendo da área, as dunas apresentam velocidades estimadas de deslocamento entre 4 e 25 metros por ano. Esse movimento permanente também ajuda a explicar por que grande parte da superfície arenosa apresenta dificuldade para sustentar vegetação fixa durante longos períodos.
As formações podem atingir cerca de 30 metros de altura e ocupam um campo com aproximadamente 900 quilômetros quadrados. Vistas de cima, suas curvas criam a aparência de grandes lençóis brancos amassados, origem do nome pelo qual a região ficou conhecida.
Lagoas aparecem quando água encontra uma barreira subterrânea
O aspecto semelhante a um deserto esconde uma diferença fundamental: há bastante chuva. A região recebe aproximadamente 1.250 milímetros de precipitação por ano, alimentando um ciclo que transforma depressões secas em centenas de reservatórios naturais.
Parte da água não consegue penetrar profundamente no terreno porque encontra camadas de argila e rocha. Ela permanece, então, nas áreas mais baixas existentes entre as dunas e forma as lagoas registradas nas imagens da NASA.
Junho e julho normalmente concentram o maior número dessas formações cheias. Depois, com a diminuição das precipitações entre agosto e novembro, o nível subterrâneo cai e muitas lagoas reduzem progressivamente até desaparecer por volta de dezembro.
Cores vistas do espaço também carregam informações
As lagoas não apresentam sempre o mesmo aspecto. Profundidade, sedimentos, matéria orgânica dissolvida e presença de algas microscópicas interferem na tonalidade observada em cada ponto do parque.
Águas mais rasas podem assumir cores azuladas ou esverdeadas, enquanto áreas profundas tendem a apresentar tons mais escuros. Por isso, uma imagem de satélite registra não somente a localização da água, mas diferenças entre ambientes separados por pequenas distâncias.
Esse ciclo anual cria uma paisagem que muda simultaneamente em duas direções: a areia continua sendo deslocada horizontalmente pelos ventos, enquanto o volume de água cresce e diminui de acordo com a estação.
Areia chegou à costa transportada por grandes rios
A origem do campo de dunas envolve processos muito mais antigos que as variações observadas atualmente pela NASA. Rios como Mearim e Parnaíba transportaram grandes quantidades de quartzo até a planície costeira do Maranhão.
Ao longo de centenas de milhares de anos, oscilações no nível do mar e a atuação contínua dos ventos redistribuíram esses sedimentos. O resultado foi a construção progressiva do sistema de dunas que permanece em movimento atualmente.
Essa dinâmica impede que os Lençóis sejam entendidos apenas como uma formação geológica antiga. A paisagem continua sendo modificada pelas mesmas forças naturais responsáveis por sua construção.
Animais precisam acompanhar o desaparecimento da água
Apesar das condições extremas, o parque reúne mais de 850 espécies registradas. A área está em uma zona influenciada pela Amazônia, pelo Cerrado e pela Caatinga, além de possuir manguezais e restingas próximas ao sistema de dunas.
Entre os animais ameaçados encontrados na região estão o peixe-boi-marinho, a jaguatirica-do-mato, a lontra-neotropical e o guará. A diversidade foi um dos elementos que ampliaram a importância ambiental de uma paisagem conhecida principalmente por suas lagoas.
Um dos exemplos mais incomuns de adaptação é a traíra. Quando determinadas lagoas secam, esse peixe predador consegue permanecer protegido em zonas de lama úmida sob a areia, entrando em dormência até que as chuvas voltem a preencher o ambiente.
UNESCO reconheceu os Lençóis Maranhenses em 2024
A importância natural do sistema recebeu reconhecimento internacional quando a UNESCO classificou o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses como Patrimônio Mundial em 2024. A combinação entre biodiversidade, dunas móveis e águas sazonais cria um ambiente com características particulares na costa brasileira.
As observações feitas pelo Landsat 9 acrescentam agora uma perspectiva orbital a esse cenário. Mais do que produzir fotografias impressionantes, o acompanhamento por satélite permite comparar décadas diferentes e observar deslocamentos que seriam difíceis de perceber somente a partir do solo.
Fonte
Olhar Digital
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

