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O apresentador que chegou tarde demais ao diagnóstico do câncer nos olhos da própria filha transformou a dor da família em causa pública e a campanha De Olho nos Olhinhos que criou ao lado da mulher já alertou mais de 150 milhões de pessoas
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 05/08/2026 às 14:45
Atualizado em 05/08/2026 às 14:54
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Lua tinha 11 meses quando o retinoblastoma foi identificado, já em estágio avançado. Tiago Leifert e Daiana Garbin decidiram tornar o caso público em 2022 e criaram uma campanha que virou ONG, com apoio do Conselho Federal de Medicina desde 2023.
A frase que resume tudo veio da mãe. “Chegamos tarde ao diagnóstico e ao tratamento”, disse Daiana Garbin à revista Quem, ao explicar por que ela e o marido, o apresentador Tiago Leifert, resolveram falar publicamente sobre o câncer ocular da filha Lua. O caso da menina já estava bem avançado quando foi descoberto.
O que faltava era informação básica. Segundo ela, o casal não sabia que o retinoblastoma existia nem que todo bebê deve passar por consulta oftalmológica de rotina aos 6 meses. Foi essa lacuna que originou a campanha De Olho nos Olhinhos, que chegou à quarta edição em 2025 e já impactou mais de 150 milhões de pessoas.
O que aconteceu com a filha deles
Lua foi diagnosticada aos 11 meses de vida, já em estágio avançado da doença, segundo material divulgado pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Em setembro de 2025, ela tinha 4 anos e seguia em acompanhamento médico.
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O pai descreveu o intervalo perdido de forma direta: entre os primeiros sintomas e a consulta que cravou o diagnóstico, a família perdeu bastante tempo. É exatamente esse intervalo que a campanha tenta encurtar na vida de outras famílias. Em publicação recente nas redes, ele informou que a filha está bem, ao responder a um seguidor que perguntou sobre o estado de saúde dela.
Que doença é essa
O retinoblastoma é um tumor que se desenvolve na retina, camada interna do olho. Ele atinge principalmente crianças de zero a cinco anos de idade.
O prognóstico depende quase inteiramente da velocidade da descoberta. Quando diagnosticado rapidamente e tratado em centro especializado, o retinoblastoma pode alcançar índices de até 90% de cura, segundo informações divulgadas pelo Conselho Federal de Medicina. Se a doença já estiver disseminada além do olho, o quadro muda completamente. Cerca de 15% dos casos chegam ao atendimento em estágio muito avançado, já com metástase, conforme dados apresentados pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
O que os pais podem observar em casa
O sinal mais conhecido aparece em fotografia. Chama-se leucocoria e consiste em um reflexo esbranquiçado na pupila quando a luz do flash atinge o olho, no lugar do vermelho habitual. Muita gente conhece o fenômeno como olho de gato.
Outro indício frequente é o estrabismo, quando os olhos ficam desalinhados. Também merecem consulta a vermelhidão persistente e alterações na reação da pupila à luz. Nenhum desses sinais confirma diagnóstico sozinho, e todos exigem avaliação profissional. A orientação repetida pelo casal é buscar oftalmologista, e, onde não houver, procurar o pediatra ou o médico da unidade básica de saúde.
Como a campanha nasceu
A decisão de tornar o caso público foi tomada com um objetivo declarado. Segundo o apresentador, a ideia foi proteger outras crianças, para que elas tenham diagnóstico o mais precoce possível.
A partir daí, a família adotou a prevenção à cegueira infantil como causa e lançou a iniciativa em 2022. Ela deixou de ser apenas uma ação de comunicação e se transformou em organização não governamental, que além da conscientização atua na prática, ajudando famílias de todo o país a encontrar médicos, marcar exames e chegar a centros de referência quando há diagnóstico confirmado.
Quem apoia a iniciativa
A campanha recebe apoio do Conselho Federal de Medicina desde 2023. O material informativo foi elaborado com a participação do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria, e distribuído entre médicos de todo o país.
O presidente do conselho à época, José Hiran Gallo, tomou conhecimento do caso e ofereceu apoio à iniciativa. A adesão de entidades médicas fez a campanha atingir também o público profissional, e não apenas pais e mães, o que importa porque parte do atraso no diagnóstico ocorre justamente na porta de entrada do atendimento.
As ações que ganharam rua
A divulgação combina meios digitais com presença física. A empresa de mídia externa Eletromidia disponibilizou mais de 10 mil telas em abrigos de ônibus, aeroportos, transportes, edifícios comerciais e residenciais e shopping centers.
No Rio de Janeiro, um ônibus da Itabus circulou envelopado com adesivos da campanha. Também no Rio, uma ação promovida pela TUCCA, associação para crianças e adolescentes com câncer, apagou as luzes da estátua do Cristo Redentor. Em São Paulo, o Programa Einstein na Comunidade realizou atividade em Paraisópolis voltada a mães, gestantes e equipe multiprofissional de saúde.
Mutirões e testes gratuitos
Parte relevante das edições envolve atendimento presencial. Em shopping centers de São Paulo, médicos voluntários realizaram testes gratuitos do reflexo vermelho, exame rápido que ajuda a identificar alterações em bebês.
O casal participa pessoalmente de algumas dessas ações, respondendo dúvidas de famílias. A estratégia mistura material educativo em farmácias, óticas e redes de varejo com eventos em cidades de diferentes regiões, com atenção especial a localidades onde o acesso à informação de saúde é mais restrito.
O objetivo que eles declaram
A meta anunciada pelo casal é ambiciosa e simples de enunciar. Eles dizem querer zerar o número de óbitos relacionados ao retinoblastoma no Brasil.
O raciocínio apresentado por Tiago é encadeado: para zerar mortes é preciso que o diagnóstico seja rápido, e para que ele seja rápido é preciso que todo mundo fique de olho nos olhinhos. Ele também registra que o trabalho está longe do fim, porque os casos continuam chegando avançados aos serviços, o que reduz a chance de cura.
O que a experiência deixou na família
O tom das declarações mudou ao longo dos anos, e a fala mais recente de Daiana é sobre outra coisa que não estatística. Ela diz que a família aprendeu de forma muito difícil que a vida é rara, que não se controla a maior parte do que acontece e que ter os filhos e as pessoas amadas com saúde é uma bênção.
Ela descreve celebrar cada momento comum: levar a filha à escola, ver a casa bagunçada de brinquedos, os vidros das janelas cheios de adesivos. A frase que encerra o relato é a que dá dimensão ao susto, quando ela diz que aquilo emociona porque ela poderia não estar vivendo nada disso.
E você, sabia que existe um exame de olho recomendado já nos primeiros meses de vida? Conta aqui nos comentários se o pediatra do seu filho chegou a orientar isso, e se você já tinha ouvido falar em retinoblastoma antes desta matéria.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

