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O chão está afundando até 10,9 cm por ano: retirada de água subterrânea e urbanização comprimem o terreno, rebaixam bairros inteiros e aumentam o risco de enchentes enquanto o mar avança sobre a costa da Grande Manila

O chão está afundando até 10,9 cm por ano: retirada de água subterrânea e urbanização comprimem o terreno, rebaixam bairros inteiros e aumentam o risco de enchentes enquanto o mar avança sobre a costa da Grande Manila

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O chão está afundando até 10,9 cm por ano: retirada de água subterrânea e urbanização comprimem o terreno, rebaixam bairros inteiros e aumentam o risco de enchentes enquanto o mar avança sobre a costa da Grande Manila

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 31/08/2026 às 16:42

Construção

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O solo afundou até 10,9 cm por ano em partes da Grande Manila

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Partes da Grande Manila afundaram até 10,9 cm por ano, enquanto extração de água e compactação do solo ampliam riscos de enchentes e danos urbanos.

Em 2024, pesquisadores da University of the Philippines Diliman publicaram um levantamento por satélite que revelou um processo silencioso sob uma das regiões urbanas mais populosas do Sudeste Asiático: partes da Grande Manila apresentaram subsidência de até 109 milímetros por ano, ou 10,9 centímetros, durante o período analisado entre 2014 e 2020. Segundo a universidade, o valor máximo apareceu na província de Bulacan, ao norte de Metro Manila, enquanto áreas urbanas e industriais continuavam exercendo pressão sobre aquíferos e sedimentos relativamente jovens

O fenômeno não significa que toda Manila esteja descendo 10,9 centímetros a cada ano. A subsidência é altamente desigual e forma bolsões de deformação, alguns muito mais rápidos do que outros.

O problema é que, onde o terreno baixa continuamente, ruas, casas, indústrias e sistemas de drenagem também perdem altitude em relação ao nível do mar, deixando comunidades costeiras progressivamente mais expostas a enchentes, marés altas e tempestades.

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Bulacan concentrou a maior taxa de afundamento medida na Grande Manila

O estudo analisou a movimentação vertical do terreno em diferentes regiões metropolitanas filipinas utilizando dados do satélite Sentinel-1. Na Grande Manila, os pesquisadores identificaram a maior subsidência em uma zona que inclui os municípios de Guiguinto, Bulakan e Balagtas, na província de Bulacan.

Ali, a velocidade máxima chegou a 109 mm por ano. O número corresponde à movimentação observada em pontos específicos e não deve ser aplicado indiscriminadamente a toda a província ou a toda a região metropolitana, mas demonstra a intensidade que o processo pode alcançar em determinadas áreas.

O levantamento também encontrou deformação em partes de Manila, Pasay, Parañaque, Las Piñas e Muntinlupa, mostrando que o problema não está restrito ao ponto de máxima subsidência em Bulacan.

Satélites conseguem perceber mudanças de poucos milímetros no terreno

Para detectar um fenômeno que ocorre lentamente e não pode ser observado apenas olhando para uma rua, os pesquisadores utilizaram interferometria de radar de abertura sintética, conhecida como InSAR.

A técnica compara sucessivas imagens de radar de uma mesma região e permite identificar pequenas alterações na distância entre a superfície e o satélite.

O estudo utilizou dados Sentinel-1 processados por meio dos sistemas LiCSAR e LiCSBAS para reconstruir séries temporais de movimentação entre 2014 e 2020.

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Em vez de mostrar uma cidade inteira descendo como um único bloco, os mapas revelaram áreas de subsidência com formatos aproximadamente circulares ou elípticos. Esses bolsões de deformação apareceram principalmente em zonas intensamente urbanizadas.

Grandes áreas industriais coincidiram com alguns dos bolsões que mais afundaram

Um dos padrões mais importantes apareceu quando os pesquisadores compararam os mapas de deformação com a ocupação urbana.

Muitas das áreas com subsidência elevada coincidiam com complexos industriais e comerciais, além de zonas residenciais densas.

O solo afundou até 10,9 cm por ano em partes da Grande Manila

Jolly Joyce Sulapas, uma das pesquisadoras envolvidas no trabalho, chamou atenção para a demanda de água nessas áreas.

Segundo ela, instalações industriais precisam de grandes quantidades de água para manter operações, enquanto bairros residenciais também ampliam o consumo conforme a população e a urbanização crescem.

O estudo não afirma que o peso dos edifícios ou o bombeamento de água expliquem isoladamente todos os pontos de subsidência. O processo pode envolver uma combinação de extração de águas subterrâneas, compactação natural dos sedimentos, urbanização e características geológicas locais.

Retirar água do subsolo pode fazer sedimentos perderem volume

A relação entre bombeamento e subsidência ocorre abaixo da superfície. Aquíferos armazenam água em espaços existentes entre sedimentos e materiais geológicos. Quando grandes volumes são retirados, a pressão que ajuda a sustentar parte dessa estrutura pode diminuir.

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Em formações com camadas compressíveis, especialmente sedimentos finos, a redução dessa pressão pode favorecer compactação. O espaço anteriormente ocupado e sustentado pela água diminui, e a superfície acima dele pode ceder gradualmente.

Na Grande Manila, estudos relacionam a subsidência antropogênica principalmente à extração intensa e contínua de água subterrânea para usos residenciais, industriais e comerciais. Uma análise publicada em 2026 sobre nível relativo do mar na Baía de Manila também identifica o bombeamento como um dos motores centrais do processo.

Em algumas áreas costeiras, o terreno baixa muito mais rápido que o mar sobe

A subsidência cria um problema adicional para cidades costeiras porque altera a relação entre o terreno e o oceano. Mesmo que o nível absoluto do mar subisse lentamente, uma cidade que também está descendo enfrentaria uma elevação relativa muito maior da água.

O estudo de 2026 sobre a Baía de Manila estima taxas de subsidência entre aproximadamente 2 e 11 centímetros por ano em amplos setores costeiros, com máximas ainda maiores em partes de Bulacan e do norte da baía com base nos dados de 2014 a 2020.

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Para comparação, o mesmo trabalho usa uma taxa média global de elevação eustática do mar de aproximadamente 3,7 milímetros por ano. Nos bolsões mais rápidos da Grande Manila, portanto, o movimento vertical do próprio terreno pode superar amplamente a contribuição média global do oceano.

Perder altura torna enchentes mais difíceis de controlar

Quando o terreno afunda, a água não precisa subir tanto para alcançar determinadas ruas e bairros. Sistemas de drenagem projetados para uma topografia anterior também podem perder eficiência à medida que as diferenças de elevação se modificam.

Os autores do estudo de 2024 destacam que a subsidência aumenta a exposição a enchentes, incursões de maré e tempestades costeiras, além de elevar o risco de danos a edifícios e infraestrutura.

Em Bulacan, onde a maior velocidade foi registrada, enchentes recorrentes já constituem um problema conhecido.

Pesquisadores ouvidos pela GMA News após a publicação do levantamento afirmaram que a subsidência é um dos fatores capazes de contribuir para a persistência dessas inundações, embora não seja a única causa.

O afundamento não acontece na mesma velocidade em todos os bairros

Uma das características mais importantes da subsidência na Grande Manila é sua heterogeneidade espacial. Alguns pontos permanecem relativamente estáveis enquanto outros, separados por poucos quilômetros, descem muito mais rapidamente.

O solo afundou até 10,9 cm por ano em partes da Grande Manila

Estudo mais recente sobre a região da Baía de Manila mostra esse contraste. O Porto de Manila apresentou valores muito menores do que os máximos registrados ao norte, enquanto setores de Malabon, Navotas e Bulacan registraram deformações significativamente maiores.

Essa diferença pode ser especialmente problemática para infraestrutura extensa. Rodovias, tubulações, redes de drenagem e outras estruturas atravessam diferentes tipos de solo e podem sofrer tensões quando um trecho se movimenta mais rapidamente que outro.

Rachaduras podem surgir onde a deformação deixa de ser uniforme

O estudo de 2024 também realizou trabalhos de reconhecimento em campo. Próximo ao traçado da West Valley Fault, pesquisadores documentaram rupturas no terreno com deslocamentos verticais entre aproximadamente 5 e 7 centímetros e aberturas chegando a 12 centímetros.

Essas rupturas exigem cautela na interpretação. Um estudo posterior sobre a região sudeste de Metro Manila indicou que algumas delas podem envolver interação entre retirada excessiva de água subterrânea e controle tectônico associado à falha, e não simplesmente subsidência uniforme causada pelo bombeamento.

O problema já era conhecido antes de o novo estudo encontrar 10,9 cm por ano

A preocupação com subsidência em Metro Manila não começou em 2024. Pesquisas anteriores já haviam detectado movimento descendente expressivo, principalmente na área conhecida como CAMANAVA, formada por Caloocan, Malabon, Navotas e Valenzuela.

Dados obtidos para o período entre 2003 e 2011 apontaram taxas da ordem de 20 a 42 milímetros por ano nessa zona. O levantamento mais recente encontrou máximas significativamente superiores no norte da Grande Manila, chegando aos 109 milímetros anuais observados em Bulacan.

Os autores interpretam a atualização como essencial para compreender como o padrão de deformação mudou à medida que população, urbanização e demanda por água continuaram crescendo.

Restringir a retirada de água é uma das principais respostas propostas

Identificar os pontos onde o solo está descendo é apenas a primeira etapa. A equipe da University of the Philippines defende uso sustentável de águas subterrâneas e melhores práticas de gerenciamento hídrico como medidas importantes para reduzir o problema.

Segundo Sulapas, estudos anteriores sobre subsidência já haviam chamado a atenção do National Water Resources Board, responsável pela gestão dos recursos hídricos nas Filipinas. A entidade identificou zonas onde o uso de águas subterrâneas deveria sofrer restrições.

O desafio é que a região metropolitana possui enorme demanda por água para residências, comércio e indústria. Reduzir bombeamento sem ampliar fontes alternativas de abastecimento pode ser difícil, especialmente em áreas que cresceram mais rapidamente do que sua infraestrutura hídrica.

O risco real surge quando uma cidade costeira perde altitude ano após ano

Os 10,9 centímetros por ano encontrados no ponto de maior subsidência não significam que toda a Grande Manila esteja caminhando para um mesmo destino.

O dado representa um máximo medido durante o intervalo estudado e precisa ser interpretado dentro de uma paisagem extremamente desigual.

Ainda assim, o número mostra que a transformação pode ser muito mais rápida do que parece à superfície. Em determinados bolsões urbanos, o problema não é apenas que o oceano está avançando em relação à costa.

O próprio terreno sobre o qual casas, fábricas, estradas e bairros inteiros foram construídos também pode estar perdendo altitude.

É essa combinação que torna a subsidência particularmente perigosa para a Grande Manila. O processo acontece silenciosamente, pode acumular centímetros em poucos anos e atua justamente sobre uma região onde milhões de pessoas dependem de sistemas de drenagem, proteção contra enchentes e infraestrutura construída para uma topografia que, em alguns pontos, já não permanece na mesma altura.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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