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O chão está afundando e o alerta cresce: solo pode ceder, travar portas, rachar prédios, danificar ruas e agravar inundações em áreas costeiras

O chão está afundando e o alerta cresce: solo pode ceder, travar portas, rachar prédios, danificar ruas e agravar inundações em áreas costeiras

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O chão está afundando e o alerta cresce: solo pode ceder, travar portas, rachar prédios, danificar ruas e agravar inundações em áreas costeiras

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 27/08/2026 às 12:10

Atualizado em 27/08/2026 às 12:44

Ciência e Tecnologia

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Imagem: Ilustração

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Afundamento do solo provocado por fatores naturais e ação humana já afeta grandes cidades, compromete infraestrutura, aumenta riscos de inundação e pode dobrar a elevação relativa do nível do mar em regiões costeiras densamente povoadas

Regiões da Cidade do México chegam a afundar até 2 centímetros por mês devido à subsidência do solo, fenômeno capaz de comprometer edifícios, ruas, pontes, túneis e sistemas de drenagem. O problema também atinge cidades na Ásia, nos Estados Unidos e no Brasil e pode agravar os efeitos da elevação do nível do mar.

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Subsidência do solo pode causar rachaduras, colapsos e problemas na drenagem

A subsidência é o afundamento gradual do terreno provocado tanto por processos geológicos naturais quanto por atividades humanas.

Embora muitas vezes seja quase imperceptível no cotidiano, seus efeitos acumulados podem alterar significativamente a infraestrutura urbana.

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O caso da Cidade do México ganhou repercussão após um mapeamento por satélite da NASA mostrar que determinadas regiões da capital chegam a afundar até 2 cm por mês.

Segundo Jefferson de Lima Picanço, professor do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o rebaixamento do terreno pode provocar impactos importantes no médio e longo prazo.

Entre os problemas citados estão danos em ruas, pontes e túneis, além do aparecimento de rachaduras e até do risco de colapso de casas e edifícios.

Outro efeito ocorre na drenagem. A subsidência pode reduzir a capacidade de escoamento de canais naturais e artificiais, deixando áreas urbanas mais vulneráveis a inundações e, em determinadas regiões, à entrada de água do mar.

A qualidade da água também pode ser afetada. De acordo com Picanço, há possibilidade de mudanças na qualidade e até de salinização, enquanto governos, empresas e moradores podem enfrentar despesas adicionais com manutenção e reparos.

O afundamento gradual do solo, conhecido como subsidência, ameaça cidades em diferentes partes do mundo e pode comprometer edifícios, ruas e sistemas de drenagem. Tóquio é um exemplo de cidade que conseguiu reduzir o problema ao controlar a extração de água subterrânea — Foto: MaedaAkihiko/Wikimedia Commons

Extração de água subterrânea está entre as principais causas

As causas do fenômeno variam. Entre os processos naturais estão falhas geológicas, rebaixamento tectônico e compactação ou consolidação de camadas de sedimentos existentes abaixo da superfície.

Entre as causas provocadas pela atividade humana, uma das mais importantes é a retirada de fluidos do subsolo, principalmente água subterrânea, petróleo e gás.

Na Cidade do México, a relação com a água é especialmente importante. A cidade foi construída sobre lagos e a demanda hídrica levou à exploração de água subterrânea, processo que provoca a compactação do terreno.

Na Ásia, o problema também está relacionado à retirada de água subterrânea e ao peso das estruturas urbanas em cidades densamente ocupadas.

A Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (ESCAP) descreve a subsidência como uma “crise silenciosa”, porque se desenvolve lentamente e permanece pouco visível até que seus efeitos se tornem graves.

Entre os exemplos citados estão Jacarta, na Indonésia, onde a taxa média de afundamento é de 13,7 mm por ano, e Tianjin, na China, com aproximadamente 13,5 mm anuais.

Bangkok, na Tailândia, apresenta taxa de 8,5 mm por ano. Embora os ritmos sejam diferentes, os números demonstram que o movimento do terreno não está restrito a uma única região ou continente.

71% da população costeira vive em áreas que estão afundando

A subsidência do solo ganha outra dimensão quando ocorre em áreas costeiras. Um estudo publicado pela revista Nature relaciona diretamente esse movimento ao aumento relativo do nível do mar percebido pelas populações dessas regiões.

Segundo a pesquisa, 71% da população costeira mundial vive em áreas que estão afundando.

Nos locais atingidos, a taxa de aumento relativo do nível do mar pode dobrar e atingir aproximadamente 6 mm.

Os pesquisadores afirmaram que a subsidência responde por cerca de metade da elevação relativa do nível do mar atualmente sentida pelas populações costeiras.

O estudo também aponta potencial para reduzir esse avanço por meio da mitigação da subsidência provocada pelo homem, especialmente com a regulamentação da retirada de água subterrânea.

Nova Orleans, nos Estados Unidos, exemplifica como diferentes fatores podem atuar simultaneamente. A cidade está construída sobre sedimentos jovens e pouco consolidados, cuja compactação contribui para o afundamento.

Esse processo pode ser acelerado pela exploração de água subterrânea e petróleo. Estudos também indicam que movimentos tectônicos profundos podem representar parcela significativa do rebaixamento em algumas áreas, mesmo onde não ocorre extração de água, gás ou petróleo.

No Brasil, a retirada de materiais do subsolo também aparece associada a um dos principais casos citados. Em Maceió, Alagoas, a exploração de sal-gema durante décadas foi relacionada ao afundamento do terreno.

Associado à atividade da Braskem, o fenômeno provocou danos em áreas dos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol.

O processo levou à desocupação de milhares de imóveis e afetou aproximadamente 60 mil pessoas.

Controle da água subterrânea e fundações profundas podem reduzir impactos

Além dos danos mais graves, a subsidência pode aparecer em problemas cotidianos dentro dos imóveis.

Paulo A. C. Luz, especialista em geotecnia e professor da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que a segurança das residências e edifícios está entre os principais impactos para os moradores.

Quando existe risco de desabamento, a situação pode obrigar famílias a deixarem suas casas temporária ou permanentemente.

Afundamentos diferentes dentro de uma mesma área também podem comprometer o funcionamento das construções.

Entre os sinais estão portas e janelas emperradas, pisos desnivelados e dificuldades para a água chegar aos ralos e sistemas de drenagem.

Segundo os especialistas, reduzir a subsidência exige controle do uso do solo, gestão adequada da água subterrânea e fiscalização de atividades de mineração.

Em terrenos com subsolo de argila mole, uma das medidas apontadas é controlar a construção de edifícios altos e exigir fundações profundas apoiadas em camadas mais firmes.

Tóquio é apresentada como exemplo de controle da exploração dos aquíferos. A regulamentação rigorosa reduziu as taxas de rebaixamento do terreno, e atualmente o abastecimento da cidade ocorre por meio de reservatórios de águas superficiais.

Outra estratégia são as chamadas cidades-esponja, conceito que utiliza pavimentos permeáveis, áreas verdes, jardins de chuva e sistemas modernizados de drenagem para aumentar a absorção da água e melhorar a capacidade urbana de enfrentar eventos extremos.

Também existem medidas diretamente voltadas aos aquíferos. Shanghai, na China, injeta água do rio Yangtzé novamente no solo utilizando antigos poços de bombeamento, método que deve ser combinado com a redução da retirada subterrânea.

Segundo os especialistas, Shenzhen e Chongqing, na China, e San Salvador, em El Salvador, também adotam medidas de recarga artificial.

Na construção civil, as orientações incluem monitoramento de edifícios, fundações profundas, estruturas capazes de suportar pequenos movimentos sem fissuras e redes flexíveis de saneamento, permitindo que tubulações acompanhem deslocamentos do solo sem se romper.

Esta matéria foi elaborada com base nas informações, estudos e declarações fornecidas no material-base, incluindo dados da NASA, Unicamp, Universidade Presbiteriana Mackenzie, ESCAP e pesquisa publicada pela revista Nature, com números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.

Fonte

https://revistacasaejardi


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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