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O craque revelado na Baixada Santista levantou um instituto de 8.400 metros quadrados num terreno cedido pela prefeitura por 30 anos e o lugar atende 3 mil crianças de graça
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 05/08/2026 às 14:09
Atualizado em 05/08/2026 às 14:22
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O Instituto Projeto Neymar Jr. foi inaugurado em 23 de dezembro de 2014, no Jardim Glória, em Praia Grande, bairro onde o jogador passou a infância. O terreno pertencia à prefeitura e abrigava um clube desativado. A cessão vale por 30 anos, renováveis por mais 30.
O bairro é o mesmo em que ele empinava pipa. O craque revelado na Baixada Santista inaugurou em 23 de dezembro de 2014 o Instituto Projeto Neymar Jr., no Jardim Glória, em Praia Grande, no litoral paulista, complexo educacional e esportivo erguido em uma área de 8.400 metros quadrados, conforme informações divulgadas pela Prefeitura de Praia Grande na data.
O terreno pertence ao município e antes abrigava o Clube Grêmio, desativado. A cessão foi feita por 30 anos, com possibilidade de renovação por mais 30. Hoje, segundo a própria instituição, o espaço tem capacidade para atender cerca de 3 mil crianças e adolescentes, além das famílias deles.
Quem construiu, afinal
Aqui há uma divergência entre as fontes que vale registrar. A prefeitura informou, na inauguração, que a administração municipal cedeu o terreno e teve papel determinante no processo, versão confirmada pelo pai do jogador, que é também empresário dele.
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Já o verbete da Wikipédia em português sobre a instituição afirma que o projeto foi idealizado pelo jogador e construído pela prefeitura de Praia Grande. Nenhuma das publicações consultadas detalha a divisão de custos da obra nem informa o valor total investido na construção do complexo.
O que existe dentro dos 8.400 metros quadrados
A estrutura é bem mais completa do que a de um centro esportivo comum. Há campo de futebol de grama sintética com medidas oficiais, quadra poliesportiva, quadra de vôlei de praia, piscina coberta e aquecida de 25 metros e academia.
A parte não esportiva é igualmente extensa: cinema, cozinha e refeitório, ateliê, auditório, biblioteca e salas de assistente social, enfermagem, leitura, informática e reuniões. O complexo também dispõe de espaços de saúde, com fisioterapia, coleta de material e realização de exames médicos. Há ainda uma área destinada a cursos profissionalizantes voltados aos pais das crianças atendidas.
A regra que define quem entra
O atendimento tem um critério que costuma passar despercebido nas coberturas sobre o projeto. As crianças participam das atividades no contraturno, ou seja, no período em que não estão na escola.
E aí está a exigência: para ser beneficiado, o participante precisa estar matriculado na rede municipal de ensino. A lógica é evitar que o projeto substitua a escola, funcionando como complemento ao ensino regular em vez de concorrente dele.
As atividades oferecidas
Para as crianças, a grade vai bem além do futebol. Estão previstas aulas de vôlei, natação, judô, basquete, música e dança, leitura e escrita, informática e idiomas.
Para os familiares, o cardápio é outro e reflete a proposta de atender a casa inteira: natação, hidroginástica, musculação, alfabetização de adultos, cursos profissionalizantes e palestras em diversas áreas. Foi justamente esse desenho que o então prefeito Alberto Mourão destacou na inauguração, ao dizer que os filhos participariam das atividades e os pais teriam a obrigação de frequentar o local.
Os números mudaram ao longo do tempo
Vale acompanhar a evolução, porque os dados divulgados variam conforme a época. Na inauguração, a prefeitura informou atendimento a 2.300 crianças de 7 a 14 anos, alcançando cerca de 10 mil pessoas somando as famílias.
Hoje, o site oficial da instituição informa capacidade para atender 3 mil crianças e jovens de 7 a 17 anos, impactando mais de 10 mil pessoas. O verbete da Wikipédia registra cerca de 3 mil crianças e adolescentes atendidos de forma direta e impacto sobre aproximadamente 12 mil pessoas. A faixa etária, portanto, foi ampliada, e o número de vagas subiu em relação ao desenho original.
A inauguração reuniu vice-presidente e cantores
O evento de 23 de dezembro de 2014 teve porte de solenidade nacional. Estiveram presentes o então vice-presidente da República, Michel Temer, e o segundo vice-presidente da Fundação Barcelona, Ramon Cierco, já que o jogador atuava no clube catalão naquele momento.
Também compareceram o nadador César Cielo e o técnico da seleção brasileira de vôlei, Bernardinho Resende, além dos cantores Alexandre Pires e Anitta. Apesar da chuva, o público compareceu em número alto e acompanhou uma sequência de apresentações musicais ao fim da cerimônia.
O que ele disse na abertura
A fala do atleta na inauguração foi curta e centrada na memória do lugar. Ele afirmou estar feliz por voltar ao bairro onde viveu a infância e brincou, e disse que queria ajudar de alguma forma, proporcionando lazer e diversão às crianças.
No lançamento do projeto, anunciado antes, em 18 de janeiro de 2013, ele já havia registrado a mesma ligação com o endereço, lembrando que cresceu naquele bairro jogando bola na rua, empinando pipa e brincando com bolinha de gude. Na ocasião, afirmou que a intenção não era apenas descobrir um novo craque, mas ajudar famílias com informação e assistência adequada.
O ano em que as portas ficaram fechadas
A trajetória do projeto teve uma interrupção longa, e ela raramente aparece nas versões resumidas. Com a pandemia de covid, o instituto suspendeu o atendimento presencial.
Em abril de 2021, o complexo completava um ano de portas fechadas. Segundo a família, os 142 funcionários seguiram recebendo salários e benefícios integralmente, com recursos próprios, diante da dificuldade de manter apoiadores no período. As atividades remotas alcançavam menos de 20% dos alunos, porque a maioria das famílias não tinha acesso à internet ou as crianças não contavam com supervisão adequada em casa. A decisão de manter o local fechado partiu da equipe médica, alinhada às orientações municipais.
Onde o projeto está hoje
A operação foi retomada e segue ativa. A instituição é registrada como associação civil sem fins lucrativos e atua desde 2014 com foco em crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social, oferecendo atividades educacionais, esportivas, culturais e acesso à saúde.
O financiamento combina recursos da família do atleta com apoio de empresas e doações. A entidade realiza leilões beneficentes periódicos: a quinta edição ocorreu em 10 de junho, marcando os dez anos do projeto, e a sexta foi anunciada em celebração aos 11 anos. A permanência por mais de uma década é o que diferencia esse caso de boa parte dos projetos sociais ligados a atletas, que costumam encolher quando a carreira esportiva muda de rumo.
E você, conhece algum projeto social que funciona de verdade na sua cidade? Conta aqui nos comentários qual é e o que ele oferece, e diga se acha que instituto de atleta famoso ajuda de fato ou se acaba virando mais vitrine do que serviço.
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Neymar
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

