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O magnata do petróleo Eike Batista anunciou na TV americana que teria US$ 100 bilhões em dez anos e seria o homem mais rico do mundo, chegou ao 7º lugar do planeta com US$ 30 bilhões e terminou devendo bilhões
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 04/08/2026 às 10:21
Atualizado em 04/08/2026 às 10:32
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A declaração foi feita em outubro de 2010, no programa Charlie Rose, da rede PBS. Naquele momento ele era o 61º da lista da Forbes. Menos de dois anos depois estava em sétimo, com US$ 30 bilhões. Em outubro de 2013, a fortuna era estimada em US$ 200 milhões.
O entrevistador repetiu o número achando que tinha ouvido errado. Em outubro de 2010, no programa Charlie Rose, transmitido pela rede pública americana PBS, o magnata do petróleo Eike Batista foi questionado sobre quanto valeria a fortuna dele dez anos depois e respondeu que seriam 100 bilhões de dólares, conforme reportagem publicada pela revista Exame em 10 de outubro daquele ano.
Diante da perplexidade do apresentador, ele emendou dizendo apenas que estava com sorte. Naquele momento, ele tinha 52 anos e ocupava a 61ª posição na lista de bilionários da Forbes, com 7,5 bilhões de dólares. O jornalista lembrou que, cumprida a previsão, o brasileiro se tornaria o homem mais rico do planeta.
O que ele prometeu naquela entrevista
A meta financeira não foi a única previsão. Ele disse que aumentar a própria fortuna seria consequência de um bom trabalho, que consistia em ajudar o Brasil a crescer, e afirmou que o país se tornaria a quinta maior economia do mundo já em 2015, cinco anos antes das estimativas então correntes.
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Também projetou que a China responderia por metade do produto interno bruto mundial dentro de trinta anos, o que sustentaria a demanda por commodities. Sobre o destino do dinheiro, foi direto: disse querer ser também o maior filantropo do mundo, e completou afirmando que havia sido educado para isso.
O império que sustentava a promessa
O conglomerado se chamava EBX e reunia empresas identificadas pela letra X, símbolo escolhido para representar a multiplicação de riqueza prometida aos investidores. A OGX era a petroleira, a MMX atuava em mineração, a MPX em energia, a LLX em logística e a OSX em construção naval.
Havia também o peso do sobrenome. O pai dele, Eliezer Batista, foi presidente da Vale e ministro de Minas e Energia, e essa trajetória abriu portas no setor. Entre os projetos de maior visibilidade estava o Porto do Açu, no norte fluminense.
O pico: sétimo do mundo em 2012
A escalada foi rápida. Ele havia ocupado a oitava posição nas listas de 2010 e 2011 e, em março de 2012, chegou ao sétimo lugar mundial, com patrimônio estimado pela Forbes em 30 bilhões de dólares.
Naquela edição, a lista era liderada por Carlos Slim, com 69 bilhões, seguido de Bill Gates, com 61 bilhões, e Warren Buffett, com 44 bilhões. Ele era o mais jovem entre os dez primeiros, aos 55 anos, e tinha quase o triplo do patrimônio de Jorge Paulo Lemann, então avaliado em 12 bilhões. Levantamento da agência Bloomberg apontou o pico em 34,5 bilhões de dólares no mesmo mês.
O ano em que tudo virou
O ponto de inflexão foi 2013. A OGX enfrentou dificuldades na exploração de petróleo na Bacia de Campos, e os poços não entregaram o volume prometido nas projeções apresentadas ao mercado.
As ações despencaram. O papel da petroleira, que chegou a valer R$ 23 em 2010, era negociado a R$ 0,13 em outubro de 2013, queda superior a 90%. Veio então o calote de uma dívida de 44,5 milhões de dólares e o pedido de recuperação judicial, com passivo declarado de R$ 11,2 bilhões. Em outubro daquele ano, a fortuna dele já era estimada em 200 milhões de dólares. Reportagens de 2014 chegaram a apontar patrimônio negativo de 1 bilhão de dólares.
As punições que vieram depois
O colapso do grupo virou objeto de investigações. Em novembro de 2015, a Comissão de Valores Mobiliários o proibiu por cinco anos de exercer cargo de administração ou de conselheiro fiscal em companhias abertas, por irregularidades cometidas quando presidia o conselho da petroleira.
Em janeiro de 2017, ele foi preso preventivamente por determinação da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Eficiência, desdobramento da Lava Jato. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal concedeu habeas corpus e converteu a prisão preventiva em medidas cautelares.
As condenações
Em 2018, o juiz Marcelo Bretas o condenou a 30 anos de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, além de multa de R$ 53 milhões. Segundo a sentença, ele pagou 16,5 milhões de dólares em propina ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, condenado no mesmo processo a 22 anos e oito meses. Ele pôde recorrer em liberdade.
Em fevereiro de 2021, veio nova condenação, dessa vez a 11 anos e oito meses de prisão e multa de R$ 871 milhões, por uso de informação privilegiada e manipulação de mercado. A ação partiu do Ministério Público Federal e de entidades que representam investidores, e a decisão apontou crimes cometidos em 2013, quando, segundo a magistrada, ele já sabia que os projetos não teriam retorno compatível com o valor das ações.
O que ele diz hoje
Ele nunca aceitou a leitura de fim de linha. Em declaração posterior ao colapso, afirmou estar de volta, disse que a dívida de 1 bilhão de dólares estava zerada e que colocaria o próprio patrimônio para recomeçar.
Nenhuma lista de bilionários publicada pela Forbes desde então registrou esse retorno. Em setembro de 2024, veículos noticiaram que ele havia faturado R$ 1 milhão em três dias com a venda de mentorias para empreendedores. Em fevereiro de 2025, anunciou ter assegurado 500 milhões de dólares para um novo empreendimento voltado à produção de combustível de aviação a partir da cana de açúcar.
As lições que ele mesmo listou em 2010
Existe uma ironia na própria entrevista que só ficou visível depois. Questionado sobre fracassos anteriores, entre eles tentativas de fabricar jipes, perfumes e cerveja, ele disse ter aprendido a necessidade de um modelo de gestão que contemplasse todos os aspectos da operação.
Acrescentou mais duas lições: não se apaixonar pela empresa e saber a hora de mudar de estratégia ou de parar. Sobre commodities, afirmou que todo empreendimento envolve risco e que era preciso ter certeza de que o retorno compensaria as dificuldades, inclusive as imprevisíveis. Três anos depois, foi exatamente o descompasso entre a promessa apresentada ao mercado e o resultado dos poços que derrubou o grupo.
E você, lembra da época em que ele era tratado como símbolo do Brasil que ia dar certo? Conta aqui nos comentários o que você achava na ocasião, e diga se acha que investidor deveria confiar em previsão de fortuna feita por empresário em entrevista de televisão.
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Eike Batista
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

