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O que aconteceu com as 12 mil toneladas de cascas de laranja despejadas por mil caminhões em uma área degradada nesse país? Depois de 16 anos sem acompanhamento, pesquisadores encontraram uma floresta tão densa que até a placa do experimento desapareceu entre árvores e cipós, enquanto análises revelaram solo mais rico, maior diversidade vegetal e crescimento de 176% na biomassa acima do solo

O que aconteceu com as 12 mil toneladas de cascas de laranja despejadas por mil caminhões em uma área degradada nesse país? Depois de 16 anos sem acompanhamento, pesquisadores encontraram uma floresta tão densa que até a placa do experimento desapareceu entre árvores e cipós, enquanto análises revelaram solo mais rico, maior diversidade vegetal e crescimento de 176% na biomassa acima do solo

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O que aconteceu com as 12 mil toneladas de cascas de laranja despejadas por mil caminhões em uma área degradada nesse país? Depois de 16 anos sem acompanhamento, pesquisadores encontraram uma floresta tão densa que até a placa do experimento desapareceu entre árvores e cipós, enquanto análises revelaram solo mais rico, maior diversidade vegetal e crescimento de 176% na biomassa acima do solo

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 04/08/2026 às 16:34

Sustentabilidade

Resíduos de laranja foram distribuídos por três hectares de uma pastagem degradada e favoreceram a regeneração da floresta tropical.

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Resíduos agrícolas distribuídos por três hectares enriqueceram o solo, ampliaram a biomassa e favoreceram a regeneração natural de uma antiga pastagem

Uma área degradada da Costa Rica passou por uma profunda transformação após receber 12 mil toneladas de cascas e polpa de laranja, em 1997.

Dezesseis anos depois, pesquisadores encontraram uma floresta densa, com solo mais fértil, maior diversidade de árvores e aumento de 176% na biomassa acima do solo.

O experimento ocorreu em três hectares da Área de Conservação de Guanacaste. Cerca de mil caminhões foram utilizados para transportar os resíduos até o terreno.

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Veja também

Acordo ambiental permitiu depositar resíduos de laranja na pastagem

A iniciativa partiu dos ecologistas Daniel Janzen e Winnie Hallwachs, pesquisadores e consultores da Área de Conservação de Guanacaste.

Em 1997, eles apresentaram uma proposta à Del Oro, fabricante de sucos instalada perto da área protegida.

Pelo acordo, a empresa doaria parte de suas terras florestais ao parque. Em troca, poderia depositar os resíduos de laranja em uma pastagem degradada.

O terreno apresentava solo pobre e pouca capacidade de regeneração natural. Além disso, gramíneas invasoras dificultavam o desenvolvimento de árvores jovens.

Durante aproximadamente um ano, cerca de mil caminhões descarregaram 12 mil toneladas de cascas e polpa sobre os três hectares selecionados.

Caminhões carregados com cascas e polpa de laranja durante o transporte dos resíduos destinados à pastagem degradada de Guanacaste, na Costa Rica.

Disputa judicial interrompeu o experimento na Costa Rica

O projeto enfrentou uma disputa judicial movida pela TicoFruit, concorrente da Del Oro. A empresa alegou que os resíduos poluíam um parque nacional.

Posteriormente, o processo chegou à Suprema Corte da Costa Rica. A Justiça decidiu favoravelmente à concorrente e determinou a interrupção da iniciativa.

A área permaneceu praticamente esquecida durante 15 anos. Nesse período, nenhum estudo aprofundado acompanhou os efeitos provocados pelo material orgânico.

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Caio Aviz

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Pesquisador teve dificuldade para localizar a área transformada

No verão de 2013, Timothy Treuer retornou ao local para descobrir o que havia acontecido com a antiga pastagem.

A vegetação havia crescido tanto que o pesquisador enfrentou dificuldades para encontrar o terreno. Árvores e cipós esconderam até a grande placa amarela próxima à estrada.

Enquanto a área vizinha ainda apresentava rochas expostas e grama seca, o espaço tratado estava coberto por vegetação densa.

Diante da diferença, Treuer e outros pesquisadores iniciaram uma análise para medir as mudanças no solo, nas árvores e na cobertura florestal.

Medições revelaram aumento de 176% na biomassa

Os cientistas compararam o terreno tratado com uma pastagem próxima que não havia recebido cascas ou polpa de laranja.

As medições identificaram solo mais rico em nutrientes, maior diversidade de espécies arbóreas, dossel mais fechado e árvores com mais madeira.

Segundo a Universidade de Princeton, a biomassa acima do solo cresceu 176% em relação à área usada como comparação. Amostras coletadas em 2000 e 2014 confirmaram o enriquecimento do terreno.

Os pesquisadores ainda não determinaram completamente qual mecanismo provocou uma recuperação tão expressiva.

A principal hipótese indica que os resíduos forneceram nutrientes ao solo pobre. Ao mesmo tempo, o material teria sufocado gramíneas que impediam o crescimento das árvores.

Comparação mostra a pastagem degradada antes, durante e depois da aplicação dos resíduos de laranja, que elevaram a biomassa acima do solo em 176%.

Estudo transformou o experimento em referência científica

Os resultados foram publicados em 28 de julho de 2017 na revista científica Restoration Ecology.

O estudo, chamado Low-Cost Agricultural Waste Accelerates Tropical Forest Regeneration, apresentou o caso como exemplo de restauração ecológica com resíduos agrícolas.

Além de recuperar a biodiversidade, a nova floresta passou a armazenar carbono e devolver vida a uma paisagem anteriormente degradada. Outras iniciativas de recuperação de ecossistemas degradados também utilizam soluções incomuns, como alto-falantes subaquáticos para atrair peixes aos recifes de coral.

Os cientistas, contudo, não recomendam o despejo indiscriminado de resíduos em áreas protegidas. O caso destaca o potencial de projetos planejados e acompanhados por pesquisadores.

Você acredita que resíduos agrícolas, quando utilizados de forma planejada, podem ajudar a recuperar outras áreas degradadas pelo mundo?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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