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O que são enclaves e por que Ceuta e Melilla, territórios espanhóis cercados pelo Marrocos, enfrentam graves desafios de imigração, segurança e soberania no norte da África
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 03/08/2026 às 19:27
Atualizado em 03/08/2026 às 19:28
Geopolítica
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Ceuta e Melilla são territórios espanhóis localizados no norte da África e enfrentam pressão migratória constante por oferecerem acesso terrestre à Europa sem a necessidade de atravessar completamente o Mar Mediterrâneo
O intenso fluxo de imigrantes no norte da África colocou em evidência a situação de Ceuta e Melilla, dois pequenos territórios pertencentes à Espanha, mas localizados junto ao Marrocos. A posição geográfica incomum transformou essas áreas em pontos estratégicos para pessoas que tentam alcançar território europeu por via terrestre.
O peso geopolítico das duas cidades vai muito além de suas dimensões. Embora tenham populações de aproximadamente 80 mil habitantes cada, Ceuta e Melilla concentram questões envolvendo imigração, soberania, segurança de fronteira e relações diplomáticas entre Espanha e Marrocos.
Ceuta e Melilla são territórios espanhóis cercados pelo Marrocos no norte da África
A situação de Ceuta e Melilla pode ser compreendida a partir do conceito de enclave. O editor de Internacional Diego Pavão definiu enclave como um território, ou parte de um país, completamente cercado por outro país.
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Os dois territórios possuem saída para o mar e, por isso, não se enquadram de maneira absoluta na definição geográfica mais rígida. Ainda assim, Ceuta e Melilla são frequentemente tratadas como enclaves espanhóis devido à localização no norte da África e ao contato terrestre com o Marrocos.
As dimensões ajudam a mostrar como áreas relativamente pequenas ganharam importância internacional. Segundo Diego Pavão, Ceuta possui aproximadamente o tamanho de Fernando de Noronha, enquanto Melilla corresponde a cerca de oito vezes a área do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
Cada território conta com aproximadamente 80 mil habitantes. Como fazem parte da Espanha, as pessoas nascidas em Ceuta e Melilla possuem os mesmos direitos dos cidadãos nascidos no território continental espanhol.
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Localização transformou Ceuta e Melilla em portas terrestres para a Europa
A principal atração desses territórios para os fluxos migratórios está justamente na posição geográfica. Pessoas que estão no norte da África podem tentar alcançar território espanhol sem precisar fazer toda a travessia marítima pelo Mediterrâneo.
Essa característica transformou Ceuta e Melilla em pontos particularmente sensíveis das rotas migratórias entre África e Europa. Ao cruzar a fronteira e entrar em um dos territórios espanhóis, o imigrante passa a estar em uma área pertencente a um país europeu.
Dentro desses territórios, os imigrantes também podem solicitar asilo. Entre as justificativas apresentadas estão situações relacionadas a guerras, perseguições, pobreza ou fome nos países de origem.
O acesso terrestre, portanto, ajuda a explicar por que as duas cidades recebem tanta atenção das autoridades espanholas. A fronteira representa ao mesmo tempo um limite territorial da Espanha e uma das poucas ligações terrestres diretas entre a União Europeia e o continente africano.
Espanha reforçou fronteiras com muros, câmeras e sensores sofisticados
A pressão migratória levou a Espanha a instalar uma ampla estrutura de segurança nas fronteiras de Ceuta e Melilla. Muros, câmeras e sensores sofisticados são utilizados para dificultar entradas irregulares e acompanhar a movimentação nas áreas próximas às cercas.
O sistema, porém, possui uma limitação importante. As forças espanholas podem atuar apenas dentro do território sob controle de Madri, já que qualquer operação realizada no lado marroquino representaria interferência na soberania do Marrocos.
Essa divisão faz com que a segurança das duas cidades dependa também do comportamento das autoridades do país vizinho. Mesmo com estruturas modernas de vigilância, a Espanha não consegue controlar completamente o que acontece antes de os imigrantes chegarem às cercas.
Foi justamente essa dificuldade que levou Madri a buscar uma cooperação mais ampla com Rabat para conter a movimentação migratória nas regiões próximas aos dois territórios.
Espanha passou a pagar milhões de euros ao Marrocos para reforçar segurança
A solução encontrada pela Espanha foi destinar milhões de euros ao Marrocos para investimentos em segurança nas áreas próximas de Ceuta e Melilla. O objetivo é aumentar a fiscalização antes que grandes grupos alcancem as fronteiras espanholas.
A cooperação, no entanto, depende diretamente da relação diplomática entre os dois países. O Marrocos não reconhece a soberania espanhola sobre Ceuta e Melilla, segundo explicou Diego Pavão.
Essa divergência torna a relação especialmente delicada. Em momentos de tensão entre Madri e Rabat, a atuação marroquina na fronteira pode sofrer alterações, afetando diretamente a capacidade espanhola de controlar o fluxo migratório.
Quando a fiscalização do lado marroquino é reduzida, imigrantes que permanecem nas proximidades encontram maiores possibilidades de alcançar as cercas e tentar entrar nos territórios espanhóis.
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Caio Aviz
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Relação com o Marrocos limita o controle espanhol sobre os dois territórios
A situação mostra que a Espanha controla Ceuta e Melilla, mas não consegue determinar sozinha tudo o que acontece ao redor dessas fronteiras. Grande parte da segurança depende de uma coordenação contínua com o Marrocos.
Essa dependência transforma qualquer crise diplomática em um possível problema de fronteira. A pressão migratória passa, assim, a fazer parte de uma relação que também envolve soberania e interesses estratégicos dos dois países.
Nos episódios mais recentes de travessia, mais de 70 pessoas morreram nos dois territórios espanhóis. O número evidencia os riscos enfrentados por quem tenta ultrapassar essas fronteiras.
A importância de Ceuta e Melilla nasce justamente dessa combinação. Dois territórios pequenos, com cerca de 80 mil habitantes cada, tornaram-se pontos centrais de uma disputa que envolve imigração, segurança, soberania e a relação entre Europa e norte da África.
Ceuta e Melilla mostram como pequenos territórios podem ter enorme peso geopolítico
A relevância de Ceuta e Melilla não está apenas no tamanho ou na população, mas no lugar que ocupam entre dois continentes. As cidades pertencem à Espanha, estão localizadas na África e mantêm fronteiras terrestres diretamente ligadas ao Marrocos.
Essa condição faz com que qualquer mudança na fiscalização, nas relações diplomáticas ou no fluxo de imigrantes tenha impacto imediato sobre a segurança espanhola. Ao mesmo tempo, reforça o papel estratégico dos dois territórios nas rotas de entrada em direção à Europa.
A situação também revela os limites do controle territorial. Mesmo com muros, câmeras e sensores, a Espanha depende da cooperação do país que circunda suas fronteiras terrestres.
Ceuta e Melilla permanecem importantes justamente por isso. Em áreas pequenas do norte africano, encontram-se questões de imigração, soberania e segurança capazes de afetar diretamente as relações entre Espanha, Marrocos e Europa.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

