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Obra medieval de quase 1000 anos e cerca de 70 metros, deixa a Normandia sob escolta, atravessa o Eurotúnel em caixa antivibração e chega a Londres para ser exibida no Reino Unido

Obra medieval de quase 1000 anos e cerca de 70 metros, deixa a Normandia sob escolta, atravessa o Eurotúnel em caixa antivibração e chega a Londres para ser exibida no Reino Unido

4 min de leitura

Obra medieval de quase 1000 anos e cerca de 70 metros, deixa a Normandia sob escolta, atravessa o Eurotúnel em caixa antivibração e chega a Londres para ser exibida no Reino Unido

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 06/08/2026 às 00:45

Atualizado em 06/08/2026 às 01:04

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Peça medieval de quase 70 metros deixou a Normandia na noite de 9 de julho, atravessou o Eurotúnel sob escolta policial e será exibida no Reino Unido pela primeira vez em quase mil anos.

A Tapeçaria de Bayeux chegou ao British Museum, em Londres, na madrugada de 10 de julho de 2026, após uma operação internacional preparada por mais de um ano para proteger uma das obras medievais mais frágeis e importantes da Europa.

O bordado saiu da cidade francesa de Bayeux às 18h15 do dia anterior. Depois de atravessar a França sob escolta das forças de segurança, o comboio seguiu pelo Eurotúnel, onde autoridades britânicas assumiram a proteção até o museu.

A chegada foi registrada às 3h50 no horário da França, equivalentes a 2h50 em Londres. Durante todo o percurso, a peça permaneceu dentro de uma caixa feita sob medida, com controle climático e sistema destinado a reduzir impactos e vibrações.

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Caixa especial protegeu obra de quase mil anos

A chamada Tapeçaria de Bayeux tem cerca de 70 metros de comprimento e retrata os acontecimentos que antecederam a conquista normanda da Inglaterra, incluindo a Batalha de Hastings, em 1066.

Apesar do nome pelo qual ficou mundialmente conhecida, a peça é um bordado medieval produzido com fios de lã sobre uma base de linho. Sua criação é situada no século XI, poucos anos depois da vitória de Guilherme, o Conquistador.

Por causa da idade e da fragilidade do material, o transporte exigiu uma estrutura climatizada e antivibração. O objetivo era evitar alterações bruscas de temperatura, umidade, choques e movimentos capazes de danificar os tecidos antigos.

Segundo o Ministério da Cultura da França, a preparação envolveu instituições dos dois países, especialistas em patrimônio, o Museu da Tapeçaria de Bayeux, a prefeitura local e a transportadora especializada Hizkia.

O governo francês classificou os recursos logísticos e de segurança empregados na transferência como inéditos para a operação.

Escolta acompanhou comboio até o Eurotúnel

A primeira parte da viagem ocorreu sob supervisão das autoridades francesas. O veículo foi escoltado até a área do Eurotúnel, que liga França e Reino Unido por baixo do Canal da Mancha.

A travessia foi realizada pelo serviço ferroviário Shuttle. Depois da chegada ao território britânico, a responsabilidade pela segurança passou às autoridades locais, que acompanharam o trecho final até o British Museum.

A Reuters informou que o deslocamento foi cuidadosamente coordenado pelos governos francês e britânico e ocorreu sob escolta policial.

A peça não foi imediatamente colocada em exposição. Após a chegada, começou um período de aclimatação e de avaliações sobre seu estado de conservação.

Os especialistas deverão verificar se o transporte provocou alguma alteração antes de instalar o bordado em uma vitrine construída especialmente para a mostra.

Terceira grande saída da Normandia

A viagem representa apenas a terceira grande saída da Tapeçaria de Bayeux da Normandia, segundo o governo francês. As duas ocasiões anteriores ocorreram no período napoleônico e durante a Segunda Guerra Mundial.

O empréstimo também marca a primeira apresentação da obra em território britânico desde sua provável produção na Inglaterra, há quase mil anos.

A origem inglesa é amplamente aceita por pesquisadores e instituições, embora permaneçam discussões sobre o local exato, os responsáveis pelo trabalho e as circunstâncias de sua encomenda.

A peça retrata a disputa pelo trono inglês e a invasão conduzida pelo duque Guilherme da Normandia. Em 1066, ele derrotou o rei Harold na Batalha de Hastings e passou a governar a Inglaterra como Guilherme, o Conquistador.

Exposição começa em setembro

A Tapeçaria de Bayeux será apresentada na Sainsbury Exhibitions Gallery, no British Museum. A abertura ao público está programada para 10 de setembro de 2026.

A exposição permanecerá disponível até julho de 2027. Conforme o British Museum, essa será a primeira vez que a obra será exibida no Reino Unido desde sua criação.

O empréstimo ocorre enquanto o Museu da Tapeçaria de Bayeux permanece fechado para obras de renovação. Depois da temporada em Londres, o bordado deverá retornar à França para voltar a ser apresentado em seu museu de origem.

O interesse do público começou antes mesmo da chegada. De acordo com a Reuters, a exposição já havia arrecadado quase 2,5 milhões de libras em ingressos e se tornado a mostra mais vendida da história do British Museum naquele momento.

Empréstimo integra acordo entre França e Reino Unido

A transferência foi anunciada durante o 37º encontro de cúpula franco-britânico, realizado em julho de 2025. O empréstimo faz parte de uma parceria cultural entre os dois países.

Em contrapartida, peças britânicas relacionadas ao sítio arqueológico de Sutton Hoo deverão ser enviadas para exposições na França.

Para os governos envolvidos, a viagem também representa um gesto diplomático. A ministra britânica da Cultura, Lisa Nandy, classificou a chegada como um momento histórico e um ato significativo de amizade entre os países.

O diretor do British Museum, Nicholas Cullinan, declarou que assistir à chegada da peça foi um momento que não esqueceria. Após atravessar fronteiras, estradas e o túnel sob o Canal da Mancha, o bordado medieval ficará em Londres por cerca de dez meses antes de retornar à Normandia.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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