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Oferta de aproximadamente R$ 5 mil para trabalhar em fábrica de São Paulo termina em denúncia após trabalhadores relatarem dois meses sem salário, jornadas até 22h, ambiente precário e falta de dinheiro até para despesas básicas
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 29/08/2026 às 13:57
Atualizado em 29/08/2026 às 13:58
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Famílias afirmam que deixaram a Bolívia após encontrarem anúncios nas redes sociais, mas dizem ter encontrado jornadas prolongadas, pagamentos atrasados e condições precárias no imóvel
Uma promessa de salário de aproximadamente R$ 5 mil levou trabalhadores bolivianos a viajar para o Brasil em busca de uma oportunidade em uma fábrica de costura na Grande São Paulo. Segundo relatos apresentados às autoridades, entretanto, a rotina encontrada teria sido muito diferente daquela anunciada nas redes sociais.
Os trabalhadores afirmam que passaram a enfrentar jornadas que começavam pela manhã e seguiam até aproximadamente 22h. Além da carga de trabalho prolongada, eles relataram estar havia cerca de dois meses sem receber pagamento, situação que teria comprometido até mesmo a compra de itens básicos para suas famílias.
O caso foi descoberto durante uma ação da Guarda Civil Municipal e agora deverá ser analisado pelas autoridades competentes para determinar exatamente quais eram as condições de trabalho e se houve violações da legislação trabalhista.
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De acordo com os relatos registrados após a abordagem, os bolivianos encontraram oportunidades de trabalho por meio de anúncios publicados em redes sociais. As ofertas indicavam remuneração em torno de R$ 5 mil para atuar na produção de roupas.
A possibilidade de receber esse valor teria sido um dos principais motivos para que as famílias viessem ao Brasil. Os trabalhadores contaram que estavam no país havia menos de dois anos quando passaram a trabalhar no imóvel utilizado como confecção.
Até o momento, porém, não foi divulgada publicamente uma cópia desses anúncios, e a promessa salarial faz parte do relato apresentado pelos próprios trabalhadores às autoridades responsáveis pelo atendimento.
Trabalho seguia até aproximadamente 22h
Segundo os bolivianos, a rotina na confecção começava pela manhã e seguia até perto das 22h. As fontes disponíveis não informam o horário exato de início das atividades, o que impede calcular com precisão a duração diária das jornadas.
O problema, segundo os depoimentos, não estaria restrito ao horário. Eles também afirmaram que estavam aproximadamente dois meses sem receber os valores referentes ao trabalho realizado.
A falta de pagamento teria provocado dificuldades financeiras dentro das próprias famílias. De acordo com as informações divulgadas após a ocorrência, os trabalhadores chegaram a relatar problemas para comprar produtos básicos, incluindo leite e fraldas.
Trabalhadores relataram dificuldade para deixar o imóvel
Outro ponto que chamou a atenção durante o atendimento foi a informação de que uma das responsáveis pelo local permaneceria com a chave do imóvel. Segundo os trabalhadores, essa situação dificultava a saída das pessoas que estavam na residência.
A existência de eventual restrição de circulação ainda deverá ser esclarecida durante a investigação. O detalhe, no entanto, passa a ter relevância porque as autoridades brasileiras analisam não apenas questões relacionadas ao pagamento, mas também as condições gerais às quais os trabalhadores estavam submetidos.
Dentro do imóvel, agentes encontraram um ambiente descrito como precário, com sujeira acumulada, restos de alimentos, comida deteriorada dentro da geladeira e áreas sem condições adequadas de limpeza.
Mulher grávida estava entre as pessoas encontradas
No local estavam três adultos bolivianos e uma criança. Entre os adultos havia uma mulher grávida de aproximadamente seis meses, que relatou ter realizado apenas uma consulta de acompanhamento pré-natal durante a gestação.
Após a intervenção, as pessoas encontradas foram levadas para uma base da Guarda Civil Municipal, onde receberam atendimento e alimentação. Posteriormente, o grupo foi encaminhado à Polícia Federal para os procedimentos relacionados ao caso.
O imóvel foi preservado para realização de perícia, etapa considerada importante para documentar as condições existentes no momento da intervenção e auxiliar nas próximas diligências.
Caso ainda precisa passar por investigação
Os relatos levantaram suspeitas sobre possíveis violações trabalhistas e sobre condições que poderão ser analisadas sob os critérios utilizados no Brasil para identificar situações de trabalho análogo à escravidão.
A legislação brasileira considera fatores como jornada exaustiva, condições degradantes, trabalho forçado e restrição de locomoção, mas a caracterização depende de fiscalização e análise das autoridades responsáveis.
Por isso, embora os depoimentos apresentem elementos considerados graves, ainda não é possível afirmar que o caso foi oficialmente classificado como trabalho análogo à escravidão.
A investigação deverá esclarecer quem administrava a confecção, como os trabalhadores foram recrutados, quais pagamentos foram efetivamente prometidos, quanto ainda seria devido e se havia algum tipo de impedimento para que deixassem o local.
O episódio ocorreu em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, e ganhou repercussão após a divulgação dos relatos das famílias bolivianas e das condições encontradas dentro do imóvel.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

