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Oncologista tcheco manda todo mundo virar a frigideira de casa e olhar o fundo hoje mesmo, porque o antiaderente descascado libera partículas de PTFE na comida, e um estudo publicado em fevereiro encontrou microplástico dentro de tumores colorretais humanos pela primeira vez, num achado que mudou o tom do debate sobre panela riscada

Oncologista tcheco manda todo mundo virar a frigideira de casa e olhar o fundo hoje mesmo, porque o antiaderente descascado libera partículas de PTFE na comida, e um estudo publicado em fevereiro encontrou microplástico dentro de tumores colorretais humanos pela primeira vez, num achado que mudou o tom do debate sobre panela riscada

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Oncologista tcheco manda todo mundo virar a frigideira de casa e olhar o fundo hoje mesmo, porque o antiaderente descascado libera partículas de PTFE na comida, e um estudo publicado em fevereiro encontrou microplástico dentro de tumores colorretais humanos pela primeira vez, num achado que mudou o tom do debate sobre panela riscada

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 14/08/2026 às 20:45

Atualizado em 14/08/2026 às 20:46

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Frigideira antiaderente após um ano de uso, com o revestimento já descascando. Foto: Pogrebnoj-Alexandroff, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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A panela inteira não é o problema, o problema é a que já perdeu o revestimento, e a diferença entre uma e outra dá para ver passando o dedo no fundo.

O pedido é simples e dá para atender agora mesmo, sem sair da cadeira por mais de um minuto. Vá até a cozinha, pegue a frigideira que você mais usa, vire com o fundo para cima e olhe o revestimento contra a luz. Se estiver riscado, descascando ou soltando lasca, ela precisa sair de circulação.

Quem fez o apelo foi o oncologista Jiri Kubes, diretor médico do Proton Therapy Center de Praga, na República Tcheca, em declaração divulgada em julho de 2026 pelo site britânico Teesside Live. A frase que ele repetiu foi para conferir a frigideira naquele mesmo dia, e o motivo não é o antiaderente em si.

A panela nova não é o problema

Vale começar por onde o alerta costuma ser distorcido. Não se trata de dizer que toda frigideira antiaderente faz mal nem de pedir que ninguém volte a usar teflon. O revestimento íntegro cumpre exatamente a função para a qual foi criado e se mantém estável nas temperaturas normais de cozimento doméstico.

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O que muda o cenário é o dano físico. Quando a camada de cima perde a continuidade, o material que estava embaixo passa a receber calor direto, e a peça deixa de se comportar como foi projetada. É a panela velha e machucada que entra na conta, não a que acabou de sair da caixa.

O que é PTFE e o que é PFAS

Os dois nomes aparecem juntos e confundem. PTFE é o polímero que forma a camada escorregadia da frigideira, aquele acabamento liso que faz o ovo deslizar. PFAS é a família química maior à qual esse tipo de composto pertence, e é dela que vem o apelido que pegou no noticiário internacional.

O apelido é químicos eternos, e ele descreve a propriedade que motiva a preocupação. Esses compostos praticamente não se degradam, nem no ambiente nem no corpo humano, onde já são investigados até nas vias aéreas, o que significa que aquilo que entra tende a permanecer por muito tempo em vez de ser eliminado em pouco tempo.

O que acontece quando o revestimento quebra

Segundo o alerta divulgado pela publicação britânica, o revestimento danificado expõe o material de baixo ao calor intenso e libera micropartículas de PTFE e de outros fluoropolímeros direto no alimento que está sendo preparado. Não é vapor, não é cheiro, é matéria sólida em escala pequena demais para ser vista.

É por isso que o teste recomendado é tátil e visual, e não de olfato. Ninguém vai sentir gosto nem cheiro de partícula. O sinal disponível para o consumidor é a integridade da superfície, e a orientação prática que sai daí é direta: se dá para sentir o risco com a unha, a panela já passou do ponto.

O estudo que mudou o tom da conversa

O que empurrou o assunto para fora do círculo de especialistas foi um trabalho publicado em fevereiro de 2026 na revista científica Molecular Cancer, conduzido por pesquisadores do Departamento de Oncologia do Hospital Xiangya, da Universidade Central do Sul, na China.

O grupo isolou microplásticos a partir de tecido tumoral colorretal humano e de sangue, e depois analisou o comportamento dessas partículas. Em modelos animais, o material agravou o quadro do câncer colorretal e reduziu a resposta à imunoterapia, com queda na infiltração de células de defesa e alteração da microbiota intestinal.

O que o estudo diz e o que ele não diz

Aqui é preciso separar duas coisas que a repercussão costuma juntar. O estudo chinês encontrou microplástico dentro de tumor colorretal humano e descreveu o efeito dele sobre a resposta ao tratamento. Ele não afirma que a origem dessas partículas seja a frigideira antiaderente.

A conexão entre um achado e outro é feita por raciocínio, não por medição direta. Se o revestimento danificado libera partícula na comida, e se partícula desse tipo é encontrada em tecido tumoral, existe um caminho plausível que merece atenção. Plausível não é o mesmo que demonstrado, e o próprio alerta não promete essa demonstração.

A inflamação crônica como elo

O argumento que sustenta a preocupação passa por um mecanismo já conhecido da oncologia. Conforme a pesquisa citada no alerta, nanoplásticos de PTFE aquecidos provocaram inflamação crônica no cólon em modelos animais, e inflamação crônica é fator de risco reconhecido para o desenvolvimento de câncer colorretal.

Não é um efeito de curto prazo nem de dose única. É o tipo de exposição difusa que aparece em toda parte, inclusive na garrafa PET deixada no calor ou sacudida, e que só faz sentido avaliar ao longo de anos, e é justamente por isso que a recomendação prática é conservadora: trocar a peça danificada custa pouco perto do que se está tentando evitar.

O caso do câncer colorretal em jovens

O tema pegou tração num momento específico. Serviços de saúde de vários países vêm registrando aumento de diagnósticos de câncer colorretal em pessoas abaixo dos cinquenta anos, num movimento que não é explicado apenas por rastreamento mais frequente nem por envelhecimento populacional.

Quando um padrão epidemiológico não se explica pelas causas conhecidas, a pesquisa passa a olhar para exposições ambientais que mudaram nas últimas décadas. É esse o contexto em que o microplástico entrou no radar, e é ele que dá ao alerta do oncologista uma audiência que ele não teria dez anos atrás.

O banimento norte-americano de 2013

Um dado importante para não generalizar. De acordo com a reportagem que trouxe o alerta, desde uma decisão federal de 2013 os compostos mais problemáticos dessa família estão banidos das frigideiras antiaderentes fabricadas nos Estados Unidos, o que redesenha o escopo do problema.

Isso empurra a preocupação para dois grupos bem definidos: as panelas antigas, compradas antes dessa mudança e ainda em uso, e as panelas de qualquer época cujo revestimento já se rompeu. A frigideira comprada recentemente e conservada inteira é a que menos aparece nessa discussão.

O que estraga o revestimento na prática

Três coisas destroem antiaderente na cozinha brasileira, e nenhuma delas é o tempo de uso. A primeira é o utensílio de metal, garfo e colher que raspam o fundo. A segunda é a esponja de aço e o produto abrasivo na hora de lavar. A terceira é o empilhamento das panelas dentro do armário.

A quarta causa, menos lembrada, é o superaquecimento com a panela vazia, quando ela fica no fogo alto esperando o óleo. Corrigir esses quatro hábitos prolonga a vida útil da peça mais do que qualquer cuidado especial na hora da compra, e evita o problema em vez de administrá-lo depois.

As alternativas que existem

Quem decidir trocar tem opções que não dependem de revestimento sintético. Ferro fundido, aço inoxidável e cerâmica cumprem a função com comportamentos diferentes: o ferro exige cura e ganha antiaderência natural com o uso, o inox pede mais gordura e controle de temperatura, a cerâmica é mais delicada ao choque térmico.

Nenhuma delas é substituto direto no dia a dia, e por isso a troca costuma frustrar quem espera o mesmo desempenho. Vale lembrar que a preocupação com o que o utensílio devolve ao alimento já rendeu alertas sobre utensílios de cozinha que liberam substâncias invisíveis no uso diário.

O microplástico não vem só da panela

Focar apenas na frigideira dá a impressão errada de que ela é a fonte principal, e não é. A exposição doméstica a partículas plásticas é difusa e vem de várias direções ao mesmo tempo, incluindo embalagem, tecido sintético, poeira e água engarrafada.

Já se mediu, por exemplo, que a garrafa plástica exposta ao calor ou agitada libera muito mais partícula na água, o que mostra que o problema é de rotina inteira e não de um único objeto da cozinha.

Onde a pesquisa está indo

O campo ainda está mapeando por onde essas partículas circulam no corpo. Há investigação em curso sobre a presença delas em tecidos que ninguém associava a plástico, e uma das frentes acompanha a presença dessas partículas nas vias aéreas de pacientes com apneia do sono.

Enquanto isso não fecha, a decisão que cabe a quem cozinha continua sendo a mais barata da lista. Ninguém precisa esperar o consenso científico para trocar uma panela que já está descascando, porque essa panela também rende pior, gruda mais e solta lasca visível no alimento, o que já basta como motivo.

Fontes

Teesside Live

Molecular Cancer, estudo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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