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Os últimos moradores de um “bairro fantasma” em Salvador vivem entre mais de 50 prédios abandonados e imóveis fechados há até 20 anos no Comércio

Os últimos moradores de um “bairro fantasma” em Salvador vivem entre mais de 50 prédios abandonados e imóveis fechados há até 20 anos no Comércio

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Os últimos moradores de um “bairro fantasma” em Salvador vivem entre mais de 50 prédios abandonados e imóveis fechados há até 20 anos no Comércio

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 10/08/2026 às 23:10

Atualizado em 10/08/2026 às 23:11

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Imóveis antigos e estabelecimentos comerciais compõem a paisagem do Comércio de Salvador, onde prédios vazios contrastam com moradores e negócios que permanecem na região

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Comércio de Salvador perdeu movimento ao longo das décadas, acumula edifícios vazios e vê no Renova Centro uma tentativa de trazer moradores, serviços e circulação novamente para a região.

O Comércio de Salvador, uma das áreas mais tradicionais da capital baiana, atravessa um período marcado pelo contraste entre prédios antigos, lojas históricas, moradores antigos e dezenas de imóveis sem utilização. Segundo relatos reunidos na região, mais de 50 edifícios estariam abandonados, enquanto outros permanecem há 10, 15 e até 20 anos sem conseguir novos ocupantes.

O cenário chama atenção não apenas pela quantidade de construções vazias, mas pela perda de movimento em uma área que já concentrou bancos, financeiras, faculdades, grandes lojas e diferentes atividades econômicas. Ao longo dos anos, parte desses serviços migrou para outras regiões de Salvador, enquanto o Comércio passou a enfrentar dificuldades para manter a mesma relevância econômica.

A tentativa de reverter esse processo passa agora pela criação de novas moradias e pela ocupação de imóveis que perderam sua função original. Nesse contexto, o Renova Centro, criado pela Prefeitura de Salvador e regulamentado em 2024, busca incentivar empreendimentos e residências na região por meio de benefícios fiscais.

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Mais de 50 prédios abandonados ajudam a explicar o esvaziamento do Comércio de Salvador

A quantidade de imóveis sem uso aparece como um dos sinais mais evidentes da transformação ocorrida no bairro. Um comerciante que trabalha no local há décadas afirma que existem mais de 50 prédios abandonados no centro de Salvador, além de outros que permanecem anos sem aluguel.

Um dos imóveis citados estaria fechado há mais de uma década, enquanto outro não funciona há quase dez anos. Há ainda um prédio que já recebeu uma faculdade e uma grande loja, mas acabou perdendo sua função comercial com o passar do tempo.

A perda de atividades econômicas também aparece como uma das causas desse processo. Segundo o material, bancos, financeiras, faculdades e empresas deixaram a região e migraram para outras áreas da cidade, incluindo o entorno da Avenida Tancredo Neves.

Modelo antigo dos prédios e falta de estacionamento dificultam novas ocupações

A estrutura urbana do Comércio também representa um obstáculo para a recuperação dos imóveis. Parte dos edifícios foi construída em uma época na qual o automóvel ainda era um bem menos comum, o que explica a ausência de vagas de estacionamento em muitas construções.

Essa característica passou a pesar à medida que empresas e consumidores mudaram seus hábitos. Com menos facilidade para receber veículos e novos modelos de negócio, alguns prédios perderam competitividade diante de regiões mais modernas da cidade.

O resultado foi um processo gradual de perda de relevância econômica. Conforme relatado no material, o esvaziamento criou uma espécie de efeito acumulativo, no qual menos empresas significavam menos circulação e, consequentemente, menos interesse por novos investimentos.

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Famílias ainda vivem sobre lojas e mantêm uma rotina pouco conhecida no centro de Salvador

Apesar da aparência predominantemente comercial, existem famílias que vivem nos andares superiores de imóveis da região. Uma das moradoras entrevistadas mantém sua loja na parte de baixo do prédio e utiliza os pavimentos superiores como residência.

O imóvel pertence à própria família e passou por uma reconstrução importante. Segundo o relato, anteriormente havia praticamente apenas paredes, sem laje concluída, até que o espaço fosse adaptado para servir como moradia.

A residência acabou se tornando uma espécie de refúgio em meio ao centro comercial. A moradora afirma que uma das características que mais aprecia no local é o silêncio, algo que surpreende quem observa apenas a movimentação das ruas durante o dia.

Segurança e falta de serviços durante a noite pesam na decisão de continuar morando no bairro

A rotina muda quando o comércio fecha as portas. Moradores relatam que a circulação diminui bastante à noite e que serviços básicos, como mercados, padarias e lanchonetes, tornam-se mais difíceis de encontrar.

Essa falta de movimento também aumenta a preocupação com segurança. Uma moradora relatou ter vivido uma situação de invasão que provocou forte impacto emocional e passou a considerar deixar a região principalmente por causa da filha.

Há ainda relatos de furtos de fios, que podem provocar interrupções de energia em alguns pontos. Por isso, grande parte das atividades cotidianas acaba sendo concentrada durante o dia, quando as ruas estão mais movimentadas.

Novos moradores poderiam trazer mercados, padarias e mais circulação para o Comércio

A possibilidade de ampliar o número de residências aparece como uma das principais apostas para mudar essa dinâmica. Moradores acreditam que mais pessoas vivendo permanentemente na região poderiam criar demanda por mercados, padarias, restaurantes e outros serviços.

A maior presença de moradores também poderia prolongar o movimento das ruas para além do horário comercial. Hoje, boa parte da circulação depende diretamente do funcionamento das lojas e escritórios, o que faz algumas áreas esvaziarem rapidamente no fim do expediente.

Para quem já vive no bairro, a chegada de novas famílias poderia ajudar a criar uma rotina mais próxima daquela encontrada em regiões residenciais, com serviços disponíveis por períodos maiores e mais pessoas circulando ao longo do dia e da noite.

Renova Centro tenta transformar antigos imóveis comerciais em novos projetos residenciais

A tentativa de estimular essa transformação ganhou força com o Renova Centro. O programa foi criado pela Prefeitura de Salvador e regulamentado em 2024 com a proposta de incentivar moradias e empreendimentos na região central por meio de incentivos fiscais.

Empresários locais já começaram a avaliar a conversão de imóveis comerciais em residenciais. Um dos entrevistados afirma que possuía oito imóveis na região e que um deles, originalmente destinado ao comércio, seria utilizado no início de um projeto de moradia.

O financiamento, porém, aparece como um dos pontos considerados essenciais para ampliar esse movimento. Na avaliação apresentada no material, seria necessário criar condições tanto para financiar novas construções quanto para facilitar a aquisição dos futuros imóveis pelos compradores.

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Caio Aviz

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Comércio preserva negócios familiares que atravessaram gerações e resistiram ao esvaziamento

Mesmo com a redução do movimento, parte da identidade econômica do bairro permanece ligada a comerciantes que atuam ali há décadas. Um dos entrevistados afirma trabalhar no Comércio há aproximadamente 30 anos e mantém no local um negócio voltado à venda de água.

Outro estabelecimento apresentado no material atravessou diferentes gerações da mesma família. O negócio começou com o avô, passou pelo pai e pelos filhos e já conta com a participação de uma geração mais jovem.

A pandemia trouxe dificuldades, mas não mudou o desejo de permanecer. O comerciante afirma que nunca pensou em fechar definitivamente e pretende manter o negócio funcionando até ultrapassar a marca de 100 anos.

Futuro do Comércio depende de transformar prédios vazios em espaços novamente ocupados

A história recente do Comércio de Salvador reúne perda de atividade econômica, prédios vazios, moradores antigos e tentativas de recuperação urbana. Enquanto algumas famílias avaliam deixar a região, outras pessoas afirmam que morariam ali caso houvesse melhores condições de segurança, serviços e circulação.

Também existe expectativa em torno da chegada de novos hotéis, espaços culturais, museus e empreendimentos capazes de aproveitar imóveis atualmente subutilizados. A própria proximidade com áreas históricas e culturais de Salvador é vista por moradores como um ativo que ainda pode ser melhor explorado.

O desafio, portanto, não está apenas em reformar fachadas ou recuperar prédios antigos. A transformação do Comércio depende de conseguir colocar moradores, serviços e atividades econômicas novamente dentro dessas construções, devolvendo movimento cotidiano a uma região que já ocupou posição central na vida econômica de Salvador.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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