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Ovelha com 41,1 kg de lã foi encontrada quase sem conseguir andar após anos desaparecida no mato da Austrália; veterinários temiam infecção, um campeão de tosquia foi chamado para retirar o velo grudado ao corpo e a massa acabou preservada como peça histórica em museu
Escrito por Carla Teles
Publicado em 28/08/2026 às 20:31
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Encontrada em agosto de 2015 em Mulligan’s Flat, perto de Canberra, a ovelha Chris mal conseguia caminhar sob anos de lã acumulada; veterinários temiam infecção, Ian Elkins foi chamado para a tosquia e 41,1 kg de velo acabaram incorporados à coleção histórica do Museu Nacional da Austrália após o resgate.
A ovelha que mais tarde ficaria conhecida mundialmente como Chris apareceu em condições incomuns perto de Canberra, na Austrália, em agosto de 2015. Era um merino coberto por uma camada tão volumosa de lã que mal conseguia andar. Após ser localizado em Mulligan’s Flat e levado para atendimento da RSPCA ACT, o animal passou por avaliação veterinária antes de uma operação de tosquia considerada delicada.
O caso ganhou repercussão internacional e, em 17 de fevereiro de 2016, o Museu Nacional da Austrália anunciou que o velo recordista seria preservado em sua Coleção Histórica Nacional. O peso reconhecido posteriormente chegou a 41,1 kg de lã, marca confirmada pelo Guinness World Records e superior em mais de 12 kg ao recorde anterior. Uma cobertura publicada logo após a tosquia havia registrado inicialmente 40,45 kg, diferença em relação ao peso oficial posteriormente adotado para o recorde.
Chris mal conseguia caminhar quando foi encontrado perto de Canberra
Chris foi localizado na região de Mulligan’s Flat, próxima à divisa entre o Território da Capital Australiana e Nova Gales do Sul. Um cidadão encontrou o animal e procurou a RSPCA ACT, que precisou realizar buscas antes de conseguir localizá-lo novamente e levá-lo ao abrigo.
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O estado da ovelha chamou atenção imediatamente porque a quantidade de lã comprometia até seus movimentos. A RSPCA estimou que Chris não passava por tosquia havia mais de cinco anos. A cobertura australiana da época relatou que ele quase não conseguia caminhar devido ao peso acumulado sobre o corpo.
O Museu Nacional da Austrália descreveu posteriormente uma preocupação adicional dos veterinários: havia receio de que alguma infecção estivesse escondida sob aquela espessa camada de lã. Antes de remover o velo, portanto, a equipe precisava considerar não apenas o peso carregado pelo animal, mas também sua condição clínica.
A situação era consequência direta das características do merino doméstico moderno. Essas ovelhas foram selecionadas para produzir grandes quantidades de lã e dependem da tosquia regular, diferentemente de ancestrais capazes de perder parte do pelo naturalmente.
Mais de cinco anos de crescimento transformaram a lã em um peso próximo ao próprio animal
Uma tosquia comum está muito distante das dimensões encontradas em Chris. Segundo a cobertura da ABC, um velo acumulado durante aproximadamente 12 meses costuma pesar em torno de 5 kg.
No caso da ovelha australiana, eram anos sucessivos sem a retirada da lã. O resultado foi uma massa equivalente a várias tosquias normais acumuladas sobre um único animal. O próprio responsável pela operação afirmou que já havia trabalhado com ovelhas que passaram cerca de dois anos sem tosquia e produziam 10 ou 12 kg, ainda muito abaixo do que encontrou em Chris.
A diretora executiva da RSPCA ACT, Tammy Ven Dange, chegou a destacar posteriormente a dificuldade de compreender como a ovelha conseguiu sobreviver durante tanto tempo carregando tamanho volume, encontrando água e alimento e escapando de predadores.
O Museu Nacional registrou que o animal teria transportado aquela lã durante aproximadamente cinco ou seis anos. O peso era tão extraordinário que a história deixou de ser apenas uma curiosidade e passou também a ilustrar a dependência das ovelhas domésticas em relação aos cuidados humanos.
Veterinários temiam que a própria tosquia colocasse Chris em risco
Retirar imediatamente toda aquela lã parecia uma solução óbvia, mas o procedimento tinha seus próprios perigos. Veterinários envolvidos no atendimento avaliaram que Chris poderia sofrer complicações durante uma intervenção tão extensa.
Por isso, a tosquia foi conduzida como uma operação acompanhada por profissionais de saúde animal, e Chris recebeu sedação leve para permanecer mais tranquilo. A ABC relatou que havia inclusive preocupação com a possibilidade de choque durante o procedimento.
Outro problema era físico: o peso do velo puxava a pele. Isso obrigava o tosquiador a avançar cuidadosamente, retirando algumas partes em camadas para reduzir a possibilidade de cortes no animal.
A técnica precisava equilibrar velocidade e segurança. Não se tratava simplesmente de passar uma máquina pela lã: cada movimento precisava considerar uma pele submetida durante anos à pressão de dezenas de quilos de material acumulado.
Campeão australiano de tosquia foi chamado para enfrentar o trabalho
Diante da dimensão do desafio, a equipe buscou alguém com experiência excepcional. O escolhido foi Ian Elkins, vencedor quatro vezes do campeonato australiano de tosquia.
Elkins não trabalhou sozinho. Segundo a cobertura da época, ele contou com quatro auxiliares e precisou de cerca de 42 minutos para completar o procedimento. Em comparação, uma tosquia comum pode ser realizada em poucos minutos.
Mesmo para um profissional com décadas de experiência, Chris representava algo completamente fora do padrão. Elkins relatou nunca ter encontrado quantidade semelhante de lã durante seus aproximadamente 35 anos trabalhando com tosquia.
A sedação trouxe ainda uma dificuldade adicional. Uma ovelha normalmente oferece certa resistência corporal que auxilia o posicionamento durante o corte. Parcialmente sedado, Chris não conseguia sustentar o corpo da mesma maneira, aumentando a complexidade da operação.
O número final chegou a 41,1 kg e quebrou o recorde mundial
Logo após a operação, a imprensa australiana divulgou 40,45 kg como o peso daquele gigantesco velo. O número já seria suficiente para superar com grande margem o recorde então conhecido.
Posteriormente, o peso oficial associado ao Guinness World Records foi estabelecido em 41,1 kg. A Radio New Zealand registrou a confirmação do Guinness em outubro de 2015, apontando Chris como detentor do recorde de velo mais pesado retirado de uma ovelha.
O Museu Nacional da Austrália também passou a utilizar a marca de 41,1 kg e informou que o recorde anterior havia sido superado por mais de 12 kg.
A dimensão fica ainda mais impressionante quando comparada ao próprio Chris após a tosquia: a ABC registrou que a ovelha pesava aproximadamente 44 kg depois de perder todo o velo. Ou seja, a lã retirada se aproximava do peso corporal do animal tosquiado.
Chris superou animais que já haviam ficado famosos pela quantidade de lã
Antes do caso australiano, outras ovelhas haviam ganhado projeção internacional depois de permanecer muito tempo sem tosquia. Uma das mais conhecidas era Shrek, da Nova Zelândia, cujo velo havia alcançado aproximadamente 27 kg.
Outro animal, Big Ben, encontrado depois de anos solto na região de Mackenzie Country, na Nova Zelândia, produziu um velo de 28,9 kg. Mesmo essa quantidade ficou muito abaixo do material retirado de Chris.
A diferença colocou a ovelha australiana em outra escala. Não era apenas uma pequena superação do recorde anterior, mas um salto de mais de uma dezena de quilos.
O feito chamou tanta atenção que a história deixou rapidamente o universo da medicina veterinária e do bem-estar animal para entrar também no campo dos registros históricos australianos.
Velo praticamente não tinha valor comercial, mas ganhou valor histórico
Apesar de pesar dezenas de quilos, aquela lã não significava uma fortuna. Ian Elkins explicou na época que as fibras alcançavam aproximadamente 42 centímetros de comprimento e que o material não apresentava utilidade comercial convencional.
Isso não significava, entretanto, que o velo fosse descartado. A dimensão excepcional transformou aquilo que seria um subproduto da tosquia em uma peça de interesse histórico.
A RSPCA ACT decidiu preservar o conjunto inteiro. A instituição avaliou diferentes possibilidades, mas concluiu que manter o velo intacto ajudaria a contar uma história sobre criação de ovinos, bem-estar animal e a necessidade de cuidados regulares com raças domésticas produtoras de lã.
O Museu Nacional da Austrália concordou em incorporá-lo à sua Coleção Histórica Nacional, que já reúne objetos relacionados à indústria pastoril e ao papel econômico desempenhado pela produção de lã na formação do país.
A lã passou por preparação antes de entrar para a coleção do museu
Preservar um velo daquele tamanho não significava simplesmente colocá-lo dentro de uma vitrine. O material precisou passar por preparação para impedir sua deterioração e permitir a exposição.
Informações divulgadas após a tosquia indicaram que o velo seria tratado, submetido a técnicas de conservação e montado para futura apresentação.
Inicialmente, a peça permaneceu ligada à RSPCA ACT. Em fevereiro de 2016, foi apresentada ao público no abrigo da instituição em Weston Creek.
Em abril daquele ano, o velo seguiu definitivamente para o Museu Nacional da Austrália, onde passou a integrar a coleção permanente como registro material de um dos casos mais extraordinários envolvendo uma ovelha merino no país.
Sem dezenas de quilos sobre o corpo, Chris conseguiu se recuperar
Depois da retirada da lã, a mudança foi imediata. A RSPCA relatou que Chris passou a se movimentar com muito mais facilidade e voltou a demonstrar comportamentos normais, incluindo alimentação e aproximação das pessoas.
O período mais crítico havia terminado, mas o animal permaneceu sob acompanhamento até estar recuperado. Posteriormente, foi levado para uma propriedade cujo endereço não foi divulgado em Nova Gales do Sul, onde passou a viver junto de outras ovelhas.
A recuperação também reforçou a dimensão do risco anterior: carregar aquele volume durante mais tempo poderia ter provocado consequências graves, especialmente com a chegada do verão australiano.
Para os responsáveis pelo resgate, o caso passou a representar não apenas um recorde, mas um exemplo extremo do que pode acontecer quando um animal selecionado geneticamente para produzir lã permanece anos sem manejo adequado.
De ovelha quase imobilizada a peça permanente da história australiana
Quando Chris apareceu coberto por uma massa gigantesca de lã perto de Canberra em 2015, a prioridade era simplesmente mantê-lo vivo e retirar o peso que praticamente limitava seus movimentos.
A operação reuniu veterinários, funcionários da RSPCA e um dos tosquiadores mais experientes da Austrália. Ao final, 41,1 kg transformaram uma situação de risco animal em um recorde mundial reconhecido pelo Guinness.
Mas a história não terminou com a balança. O velo foi preservado inteiro e incorporado ao Museu Nacional da Austrália, passando a representar tanto a importância histórica da indústria da lã quanto a dependência das ovelhas domésticas modernas dos cuidados humanos.
E você, o que mais impressiona nesse caso: uma ovelha conseguir sobreviver por mais de cinco anos carregando tamanho volume de lã, os 41,1 kg retirados de uma só vez ou o fato de o velo acabar preservado em um museu? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

