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Pai criou 14 filhos trabalhando por mais de 40 anos como oleiro, voltou à escola aos 102 anos para melhorar a leitura e a escrita e passou a dividir a sala da EJA com o próprio filho, que antes era levado por ele e agora o acompanha nas aulas e em um curso de montagem e reparo de computadores

Pai criou 14 filhos trabalhando por mais de 40 anos como oleiro, voltou à escola aos 102 anos para melhorar a leitura e a escrita e passou a dividir a sala da EJA com o próprio filho, que antes era levado por ele e agora o acompanha nas aulas e em um curso de montagem e reparo de computadores

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Pai criou 14 filhos trabalhando por mais de 40 anos como oleiro, voltou à escola aos 102 anos para melhorar a leitura e a escrita e passou a dividir a sala da EJA com o próprio filho, que antes era levado por ele e agora o acompanha nas aulas e em um curso de montagem e reparo de computadores

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 02/08/2026 às 01:24

Curiosidades

Aos 102 anos, Pedro voltou à EJA, estudou ao lado do filho e iniciou um curso de computadores após criar 14 filhos como oleiro por décadas.

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Trajetória de um trabalhador centenário reúne educação tardia, vínculo familiar e contato inesperado com tecnologia, em uma história marcada por décadas de trabalho, criação dos filhos e retorno à sala de aula ao lado de quem, em outro momento da vida, havia recebido seu apoio para estudar.

Pedro Francisco de Souza criou 14 filhos trabalhando durante mais de quatro décadas como oleiro e, aos 102 anos, decidiu retomar os estudos para desenvolver a leitura, a escrita e a comunicação ao lado do filho André Conceição de Souza.

Na turma noturna da Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Suzete Cuendet, em Vitória, no Espírito Santo, pai e filho passaram a dividir a rotina escolar e uma nova experiência de qualificação profissional.

Segundo a Prefeitura de Vitória, Pedro considerava insuficiente a formação recebida ao longo da vida e buscava aprimorar habilidades que relacionava diretamente à autonomia, à convivência com outras pessoas e à participação mais segura no cotidiano.

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Retorno à EJA aos 102 anos

A decisão ganhou forma enquanto André já frequentava as aulas, pois, ao observar o filho saindo diariamente para estudar, Pedro perguntou se também poderia ingressar na instituição apesar da idade avançada e das décadas longe da escola.

Com a resposta positiva da professora, a curiosidade inicial transformou-se em compromisso regular, e o novo aluno passou a acompanhar as atividades da turma com interesse especial pela leitura, pela escrita, pela comunicação e pela convivência em sala.

Quando começou a estudar com o pai, André tinha 46 anos, trabalhava como mestre de obras e pastor missionário e havia retornado à escola para ampliar a formação profissional, fortalecer sua atuação religiosa e abrir novas possibilidades pessoais.

Além de buscar qualificação para o trabalho, o filho também alimentava o desejo de chegar ao ensino superior e cursar uma faculdade de Música, objetivo que passou a dividir com a rotina escolar vivida ao lado de Pedro.

A convivência na mesma sala deu novo sentido à relação entre os dois, porque o pai que havia apoiado a formação do filho durante a infância passou a contar com sua companhia em uma etapa tardia da própria educação.

Aos 102 anos, Pedro voltou à EJA, estudou ao lado do filho e iniciou um curso de computadores após criar 14 filhos como oleiro por décadas.

Oleiro criou 14 filhos durante mais de quatro décadas

Nascido em 18 de outubro de 1918, em Santana do Catu, localidade que hoje integra o município baiano de Catu, Pedro aprendeu com o próprio pai o ofício de oleiro, atividade que exerceu por mais de 40 anos.

Durante esse período, o trabalho diário com o barro sustentou a família e ajudou na criação dos 14 filhos, enquanto a educação formal permaneceu limitada pelas responsabilidades profissionais e familiares acumuladas ao longo das décadas.

Mesmo depois de atravessar mais de um século de mudanças sociais e tecnológicas, Pedro decidiu que ainda havia espaço para aprender, ampliar conhecimentos e desenvolver competências que considerava importantes para a vida cotidiana e para sua autonomia.

Na escola, seu comportamento chamou a atenção da equipe pedagógica, e a professora Tania Taufner o descreveu como um estudante aplicado, atento ao conteúdo apresentado, interessado nas atividades e disposto a comparecer diariamente às aulas.

Logo no primeiro dia, o aluno centenário entrou na sala, ocupou seu lugar e começou a copiar do quadro as tarefas propostas, seguindo a mesma rotina dos demais participantes da Educação de Jovens e Adultos.

Pai e filho escolhem curso de computadores

A experiência escolar ganhou uma nova dimensão quando pai e filho foram convidados a conhecer cursos de qualificação profissional oferecidos pelo Centro de Ensino Tecnológico do Senai, também localizado em Vitória, no Espírito Santo, para ampliar conhecimentos.

Aos 102 anos, Pedro voltou à EJA, estudou ao lado do filho e iniciou um curso de computadores após criar 14 filhos como oleiro por décadas.

Entre as opções apresentadas estavam as formações de almoxarife e de montador e reparador de computadores, caminhos bastante diferentes da trajetória profissional que Pedro havia construído ao longo da vida trabalhando como oleiro por décadas.

Curioso diante de um universo pouco conhecido, ele escolheu a área de informática porque acreditava que ali encontraria mais novidades para aprender e compreenderia melhor transformações tecnológicas ocorridas durante sua longa trajetória de vida centenária.

André decidiu acompanhar a escolha do pai, e os dois se matricularam no curso de montagem e reparo de computadores, ampliando uma parceria educacional que já havia começado dentro da sala da EJA em Vitória.

Ao aproximar um trabalhador nascido no início do século XX de equipamentos modernos, a formação oferecida pelo Senai acrescentou à história familiar um contraste capaz de reunir memória, aprendizado, convivência entre gerações e adaptação tecnológica.

A escolha de Pedro não nasceu de experiência anterior com informática, mas justamente do contato reduzido que tivera com esse universo e da vontade de compreender recursos presentes na vida contemporânea, especialmente aqueles ligados aos computadores.

Educação reúne objetivos diferentes na mesma família

Enquanto o pai buscava fortalecer competências básicas de leitura, escrita e comunicação, André pretendia aperfeiçoar a formação para atuar como mestre de obras e missionário, além de manter o projeto de estudar Música no ensino superior.

A vontade de retornar à escola também foi influenciada pela experiência profissional de André no Congo, onde o contato com pessoas de diferentes níveis de formação reforçou sua percepção sobre a importância dos estudos e da comunicação.

Pedro, por sua vez, associava o aprendizado à possibilidade de conversar com mais segurança, compreender assuntos diversos e lidar com outras pessoas sem receio, valorizando a escola como instrumento de autonomia, conhecimento e participação social.

Mais do que buscar um certificado, ele tratava a matrícula na EJA como oportunidade concreta de desenvolver capacidades necessárias ao cotidiano, depois de uma vida inteira dedicada principalmente ao trabalho, ao sustento da casa e à criação dos filhos.

Aos 102 anos, Pedro voltou à EJA, estudou ao lado do filho e iniciou um curso de computadores após criar 14 filhos como oleiro por décadas.

Destinada a quem não concluiu a educação básica na idade regular, a Educação de Jovens e Adultos permitiu que pai e filho reorganizassem trajetórias distintas dentro da mesma sala, no mesmo período da vida e com objetivos próprios.

Escola passa a ocupar novo espaço na vida de Pedro

No caso de Pedro, o retorno aos estudos ocorreu quando responsabilidades profissionais e familiares já haviam ocupado grande parte de sua história, abrindo espaço para um projeto pessoal que permanecera adiado por décadas e continuava relevante.

Com André por perto, a distância entre casa e escola tornou-se menor, e o filho passou a dividir tarefas, deslocamentos e objetivos com o homem centenário, sem substituir sua autonomia nem seu interesse pessoal pelo aprendizado.

Ao completar 103 anos, Pedro continuava matriculado na EJA ao lado do filho e já havia ingressado no curso de montagem e reparo de computadores, demonstrando continuidade em uma experiência que ultrapassava uma homenagem simbólica ou isolada.

Dentro da escola, sua presença também produziu reflexos, pois uma das salas recebeu seu nome e outras pessoas de idade avançada procuraram informações sobre matrículas depois que sua trajetória se tornou conhecida entre moradores e estudantes.

Entre o trabalho com o barro e o contato com computadores, Pedro construiu uma nova etapa da própria história ao lado do filho, reunindo em uma mesma rotina memória familiar, educação tardia, convivência e desejo de aprender.

Quantas pessoas que acreditam ter passado da idade poderiam reencontrar na escola uma oportunidade semelhante à que colocou Pedro e André lado a lado na mesma sala de aula e em um curso de computadores?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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