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Pai que estudou só até a 3ª série ficou em casa à noite para que o filho e a esposa estudassem, viu o rapaz ser alfabetizado aos 15 e agora voltou à EJA por incentivo dele, enquanto os dois roçam quintais de dia, estudam juntos à noite e o próprio filho o ajuda nas leituras

Pai que estudou só até a 3ª série ficou em casa à noite para que o filho e a esposa estudassem, viu o rapaz ser alfabetizado aos 15 e agora voltou à EJA por incentivo dele, enquanto os dois roçam quintais de dia, estudam juntos à noite e o próprio filho o ajuda nas leituras

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Pai que estudou só até a 3ª série ficou em casa à noite para que o filho e a esposa estudassem, viu o rapaz ser alfabetizado aos 15 e agora voltou à EJA por incentivo dele, enquanto os dois roçam quintais de dia, estudam juntos à noite e o próprio filho o ajuda nas leituras

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 06/08/2026 às 13:24

Atualizado em 06/08/2026 às 13:25

Curiosidades

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Pai retorna à EJA por incentivo do filho e concilia estudos noturnos com trabalho rural em busca de novas oportunidades profissionais.

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Rotina de trabalho pesado, estudos noturnos e apoio familiar se cruzam na trajetória de um homem que decidiu voltar à escola depois de anos afastado, impulsionado por alguém que ele próprio ajudou a criar e que agora acompanha seus primeiros passos na leitura.

Depois de abrir mão das próprias noites de estudo para que o filho e a esposa frequentassem a escola, Josimar Moraes da Silva passou a ocupar uma carteira na mesma modalidade de ensino que já havia transformado a rotina de sua família.

Morador da zona rural de Rio Branco, no Acre, ele retomou a formação escolar por incentivo de Antônio Adelino do Nascimento da Cruz, jovem alfabetizado aos 15 anos que, após aprender a ler, começou a auxiliá-lo nas atividades e leituras.

Dentro de uma família que precisa dividir o tempo entre trabalho, cuidados domésticos e Educação de Jovens e Adultos, a mudança representou uma inversão de papéis construída gradualmente, conforme o filho avançava nos estudos e encorajava o pai a acompanhá-lo.

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Durante o dia, Josimar e Adelino realizam serviços de roçagem em quintais, terrenos e áreas rurais, enquanto, à noite, deixam as ferramentas de lado e seguem para a Escola Ruy Azevedo em busca de aprendizagem e novas oportunidades profissionais.

Pai retorna à Educação de Jovens e Adultos

Segundo reportagem da Agência de Notícias do Acre, Josimar havia frequentado a escola somente até a terceira série do ensino fundamental, etapa interrompida antes que ele pudesse desenvolver plenamente habilidades de leitura, escrita e matemática necessárias para ampliar suas possibilidades de trabalho.

Já Adelino chegou à adolescência sem ter sido alfabetizado, mas encontrou na EJA a oportunidade de aprender a ler e escrever, avançando até demonstrar segurança com a matemática, memorizar a tabuada e recomendar livros ao próprio pai.

A retomada dos estudos de Josimar começou após a insistência do filho, que percebeu as mudanças provocadas pela alfabetização em sua própria vida e passou a defender que o pai também deveria retornar à sala de aula.

Assim, o homem que durante anos havia criado condições para que outros integrantes da casa estudassem tornou-se aluno da mesma escola rural, passando a dividir com Adelino não apenas o trabalho diário, mas também tarefas, leituras e conteúdos escolares.

Antes dessa mudança, sempre que a família não conseguia organizar todos os compromissos, Josimar permanecia em casa para que Adelino e Márcia, sua esposa, pudessem comparecer às aulas e manter o avanço na Educação de Jovens e Adultos.

Embora essa escolha garantisse a continuidade dos estudos dos dois, ela adiava mais uma vez o retorno de Josimar à educação formal, até que uma nova organização familiar permitiu que ele também ingressasse na modalidade e retomasse a própria formação.

Família concilia escola, trabalho e cuidados em casa

Pai retorna à EJA por incentivo do filho e concilia estudos noturnos com trabalho rural em busca de novas oportunidades profissionais.

Na Escola Ruy Azevedo, localizada na região rural da capital acreana, pai e filho passaram a integrar uma turma formada por 38 estudantes, enquanto Márcia frequentava outro módulo e também avançava em sua trajetória escolar.

Três integrantes da mesma casa começaram, então, a conciliar formação, trabalho e responsabilidades familiares, cada um estudando no nível correspondente ao ponto em que havia interrompido ou iniciado o contato com a educação formal.

Para que todos conseguissem comparecer às aulas durante a noite, a família precisou organizar uma rede de apoio, deixando as crianças sob os cuidados de parentes que viviam nas proximidades e podiam acompanhar a rotina doméstica.

A casa reunia outros cinco irmãos, entre meninos e meninas, além de uma criança pequena, circunstância que tornava indispensável a participação de familiares para que Josimar, Márcia e Adelino mantivessem presença regular na escola.

Mesmo após o ingresso na EJA, o trabalho de Josimar e Adelino continuou ocupando grande parte do dia, já que ambos realizavam serviços de roçagem em grandes áreas, terrenos cobertos por vegetação e quintais de moradores da região.

O pagamento vinha das diárias recebidas por cada atividade, enquanto o esforço físico antecedia o deslocamento noturno até a escola, onde os dois trocavam a rotina de trabalho manual pelos livros, cadernos e exercícios apresentados em sala.

Ao voltar a estudar, Josimar passou a enxergar a escolarização como um caminho para deixar o trabalho por diária e tentar conquistar uma ocupação fixa, com maior estabilidade financeira e menos dependência de serviços encontrados de forma eventual.

Alfabetização aos 15 anos mudou a trajetória do filho

O incentivo oferecido por Adelino ganhou força porque o jovem também conhecia as dificuldades provocadas pela falta de alfabetização, enfrentadas antes de ingressar na EJA e desenvolver as habilidades necessárias para compreender textos presentes em sua rotina.

Antes de morar com Josimar, ele vivia com o pai biológico e ajudava a cuidar de animais em propriedades rurais de Tarauacá, município do interior do Acre onde teve contato frequente com atividades ligadas ao campo.

Naquele período, situações comuns revelavam os limites impostos pela ausência da leitura, especialmente quando Adelino precisava lidar com informações escritas em embalagens e bulas de medicamentos veterinários utilizados nos cuidados com os animais.

Pai retorna à EJA por incentivo do filho e concilia estudos noturnos com trabalho rural em busca de novas oportunidades profissionais.

A vontade de compreender esses textos contribuiu para sua aproximação com os livros e para o ingresso na EJA, onde a alfabetização passou a produzir efeitos que ultrapassaram a sala de aula e alcançaram toda a família.

Conforme avançava na leitura, na escrita e nos cálculos, Adelino começou a compartilhar dentro de casa o aprendizado obtido na escola, recomendando livros a Josimar e oferecendo ajuda sempre que o pai encontrava dificuldade para compreender palavras ou acompanhar textos.

Dessa forma, o jovem repetia no ambiente familiar parte do apoio que havia recebido durante o próprio processo de alfabetização, transformando o conhecimento recém-adquirido em incentivo para que Josimar também reconstruísse sua relação com os estudos.

Matemática e projetos ligados à vida no campo

Entre os conteúdos trabalhados na escola, a matemática tornou-se uma das áreas de maior interesse de Adelino, que passou a relacionar os cálculos aos projetos profissionais que pretendia desenvolver futuramente em propriedades rurais e na criação de animais.

O conhecimento aprendido em sala ganhou, assim, uma aplicação concreta dentro da realidade que ele conhecia desde a infância, marcada pelo contato com cavalos, tarefas no campo e atividades realizadas em diferentes propriedades do interior acreano.

Antes de seguir esse objetivo, Adelino também manifestou o desejo de servir ao Exército, possibilidade associada à admiração por um tio que trabalhava como policial militar e representava uma referência profissional importante para o jovem.

Paralelamente, permaneceu o interesse por cavalos, animais dos quais cuidava e cuja rotina acompanhava desde os oito anos, experiência que ajudou a formar seus planos de trabalhar futuramente com criação e administração de propriedades rurais.

EJA abre novos planos profissionais para o pai

Enquanto Adelino organizava seus projetos, Josimar concentrou as expectativas na busca por estabilidade financeira, passando a considerar a retomada da educação básica como uma oportunidade para ampliar escolhas profissionais e reduzir a insegurança causada pelo trabalho pago por diária.

Ao ingressar na EJA, ele voltou a estudar conteúdos correspondentes aos primeiros anos do ensino fundamental, retomando uma etapa interrompida ainda na infância e reconstruindo habilidades que não haviam sido desenvolvidas durante sua breve passagem anterior pela escola.

Esse retorno ocorreu ao lado do filho que havia superado o próprio afastamento da educação formal, criando uma rotina em que ambos passaram a dividir o deslocamento, as atividades escolares e o aprendizado construído dentro e fora da sala.

Pai retorna à EJA por incentivo do filho e concilia estudos noturnos com trabalho rural em busca de novas oportunidades profissionais.

A relação entre os dois não se limita ao vínculo biológico, pois Josimar é apresentado como pai afetivo de Adelino e assumiu, ao longo da convivência, responsabilidades ligadas ao cuidado, à orientação, ao sustento e à formação do jovem.

Reconhecendo esse papel, Adelino passou a retribuir o acompanhamento recebido por meio do incentivo aos estudos, da recomendação de livros e do auxílio oferecido quando Josimar precisava compreender palavras ou avançar em determinadas leituras.

Livros e tarefas passam a unir duas gerações

Dentro da sala de aula, Adelino inicialmente demonstrava timidez e pouca interação, mas sua familiaridade com a matemática apareceu durante as atividades, fortalecendo a confiança necessária para avançar nos estudos e estimular Josimar a seguir pelo mesmo caminho.

Com a entrada do pai, a EJA ganhou um significado mais amplo para a família, deixando de atender apenas ao adolescente e à mãe para reunir diferentes trajetórias escolares dentro da mesma casa e em etapas distintas de aprendizagem.

Enquanto cada integrante avançava no próprio módulo, respeitando o ponto em que havia interrompido ou iniciado a formação, o cotidiano continuava marcado pelo trabalho, pelas responsabilidades domésticas e pela necessidade de organizar os cuidados com as crianças.

Ainda assim, livros, tarefas e leituras passaram a ocupar um espaço regular nas noites da família, apoiados pela participação de parentes que permitiam aos três estudantes comparecer às aulas e manter contato contínuo com os conteúdos.

Ao convencer Josimar a retornar à escola, Adelino transformou o conhecimento recém-adquirido em apoio para outra pessoa, invertendo uma dinâmica construída quando o pai permanecia em casa para garantir que o filho tivesse condições de estudar.

Agora, o homem que antes priorizava a presença de Adelino na escola recebe dele auxílio para ler, compreender atividades e construir novos planos profissionais, enquanto ambos conciliam o trabalho de roçagem durante o dia com os estudos noturnos.

Quantas famílias poderiam transformar suas próprias trajetórias se adultos que deixaram a escola também recebessem apoio para retornar à sala de aula?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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