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Pai queria que a filha fosse enfermeira e aceitou que ela estudasse eletricidade, mas aos 28 anos ela revelou que havia trocado o curso escondida por alvenaria, entrou para a construção em Uganda, construiu centenas de banheiros e agora guarda dinheiro para estudar engenharia

Pai queria que a filha fosse enfermeira e aceitou que ela estudasse eletricidade, mas aos 28 anos ela revelou que havia trocado o curso escondida por alvenaria, entrou para a construção em Uganda, construiu centenas de banheiros e agora guarda dinheiro para estudar engenharia

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Pai queria que a filha fosse enfermeira e aceitou que ela estudasse eletricidade, mas aos 28 anos ela revelou que havia trocado o curso escondida por alvenaria, entrou para a construção em Uganda, construiu centenas de banheiros e agora guarda dinheiro para estudar engenharia

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 07/08/2026 às 21:36

Curiosidades

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Aos 28 anos e com seis anos de experiência, Naume já havia construído centenas de banheiros, trabalhava também em casas completas e ensinava outras mulheres a exercer a profissão.

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Naume transformou a alvenaria em fonte de renda e independência em Uganda. Aos 28 anos, soma seis anos de experiência, centenas de banheiros construídos, trabalhos em casas completas e o sonho de estudar engenharia. A renda também permite que sustente o filho e ajude a mãe e as irmãs.

O pai de Naume queria que a filha fosse enfermeira. Quando ela conseguiu convencê-lo a permitir uma formação técnica, ele aceitou, mas preferia eletricidade. Longe de casa, porém, a jovem tomou outra decisão: mudou escondida para o curso de alvenaria e começou uma trajetória que a colocaria diretamente nos canteiros de Uganda.

Aos 28 anos e com seis anos de experiência, Naume já havia construído centenas de banheiros, trabalhava também em casas completas e ensinava outras mulheres a exercer a profissão. A escolha que inicialmente contrariou a família passou a garantir renda para cuidar do filho, ajudar a mãe e apoiar as irmãs.

A história foi publicada em 7 de março de 2025 pela WASTE, organização global voltada a saneamento e gestão de resíduos. Naume vive em Kakinga, comunidade localizada aos pés das montanhas Rwenzori, em Uganda, onde ficou conhecida por abrir espaço para mulheres na construção.

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Antes da alvenaria, o pai imaginava enfermagem ou eletricidade para a filha

A vontade de construir não apareceu apenas quando Naume entrou na escola. Ainda jovem, ela ajudava um tio que trabalhava como pedreiro. O contato com a atividade mostrou um caminho profissional diferente daquele imaginado por seu pai.

Antes da alvenaria, o pai imaginava enfermagem ou eletricidade para a filha / Reprodução

Ele queria que a filha estudasse enfermagem. Naume não se identificava com essa opção e conseguiu autorização para frequentar uma escola técnica. Mesmo assim, o pai ainda queria influenciar a escolha e preferia que ela estudasse eletricidade.

Naume tinha outros planos. Com muita energia e interesse em construir coisas, ela se sentia atraída pela alvenaria, trabalho que envolve a montagem de paredes e outras estruturas com materiais como tijolos e argamassa.

A oportunidade para mudar de direção apareceu quando foi estudar longe da comunidade onde vivia. Foi naquele período que tomou a decisão que manteve escondida dos pais.

Na escola longe de casa, ela trocou eletricidade por alvenaria sem contar à família

No internato, Naume deixou a área de eletricidade e ingressou no curso de alvenaria. A mudança ocorreu sem que seus pais soubessem.

Além de gostar mais do trabalho, ela enxergava naquela profissão uma possibilidade maior de obter renda. O segredo poderia continuar enquanto estivesse estudando, mas ficaria difícil escondê lo quando chegasse a hora de trabalhar.

Após concluir a formação e voltar para casa, Naume decidiu exercer aquilo que havia aprendido. Ela foi até um canteiro de obras e perguntou se poderia ajudar.

Foi assim que conseguiu seu primeiro trabalho profissional na construção. Porém, moradores da comunidade reconheceram Naume no canteiro e a notícia chegou rapidamente ao pai.

O pai descobriu pelos moradores e apareceu no canteiro para ver a filha trabalhando

Quando soube que Naume estava em uma obra, o pai decidiu ir pessoalmente até o local. Ela ficou assustada quando o viu se aproximando.

O encontro colocou diante dele uma realidade que já não cabia na escolha feita anos antes. A filha estava trabalhando justamente com alvenaria, atividade que havia escolhido por vontade própria.

Ao vê la no canteiro, o pai acabou aceitando que aquele era o caminho profissional que Naume queria seguir. A aprovação familiar, porém, não eliminou todas as dificuldades.

No início, os homens também estranhavam uma mulher trabalhando na construção. A experiência mudou essa relação. Naume afirma que passou a ser ouvida pelos colegas porque eles perceberam que ela conhecia o serviço e sabia executar o trabalho.

Seis anos de trabalho resultaram em centenas de banheiros e participação na construção de casas

Naume acumulou seis anos de experiência como pedreira. Nesse período, construiu centenas de instalações sanitárias e também passou a trabalhar em casas completas.

Seu trabalho aparece diretamente ligado ao saneamento. A construção de banheiros é uma atividade prática que pode gerar renda ao profissional e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso das famílias a instalações sanitárias.

A WASTE, organização global voltada a saneamento e gestão de resíduos registrou Naume trabalhando com sua equipe em uma obra no oeste de Uganda. A entrevista publicada pela organização ocorreu enquanto ela trabalhava na construção de um novo banheiro em Rwankenzi.

Na escola longe de casa, ela trocou eletricidade por alvenaria sem contar à família / Reprodução

O reconhecimento profissional também mudou sua posição dentro dos canteiros. Aquela jovem que inicialmente causava estranhamento entre trabalhadores homens passou a ser uma pedreira experiente e conhecida na região.

Mais de 45% dos pedreiros de saneamento treinados pelo programa em Uganda são mulheres

Naume também participou de capacitação ligada ao FINISH Mondial, programa que prepara moradores para atuar em pequenos negócios relacionados à construção de instalações sanitárias.

Em Uganda, mais de 45% dos pedreiros de saneamento treinados pelo FINISH Mondial são mulheres. O percentual ajuda a mostrar que outras mulheres também estão entrando nessa atividade.

Naume passou a contribuir diretamente com esse processo. Além de trabalhar nos canteiros, ela ensina outras mulheres a trabalhar como pedreiras e vê a profissão como uma possibilidade de renda própria e independência.

Sua experiência mostra uma mudança que acontece tijolo por tijolo. Ela deixou de ocupar apenas o papel de aprendiz e passou também a transmitir o conhecimento adquirido durante anos de trabalho.

A profissão que contrariou o pai agora sustenta o filho, ajuda a família e financia um novo sonho

Naume não vive mais com o pai de seu filho, mas consegue sustentar o menino com o próprio trabalho. A renda obtida na construção também permite que ela ajude a mãe e as irmãs.

Quando sua história foi publicada, o filho tinha três anos e algumas vezes acompanhava a mãe no canteiro. Ele chegava a entregar tijolos enquanto Naume trabalhava.

Existe, porém, uma diferença importante entre a forma como ela pensa o futuro do menino e aquilo que viveu com o próprio pai. Naume gostaria que o filho se interessasse pela construção, mas não pretende obrigá-lo a escolher a mesma profissão.

Para ela, o próximo passo também pode acontecer dentro de uma sala de aula. Naume está guardando dinheiro para continuar estudando e tem como objetivo tornar se engenheira.

A alvenaria que começou como uma escolha escondida acabou se tornando uma ferramenta de independência. Centenas de banheiros depois, Naume consegue cuidar do filho, ajudar pessoas da própria família e preparar outras mulheres para trabalhar na construção.

Seu próximo objetivo leva essa história novamente aos estudos. A diferença é que, desta vez, a mulher que passou anos trabalhando diretamente com tijolos e obras está economizando para escolher por conta própria sua próxima formação: engenharia.

Na sua opinião, a família deve interferir na escolha profissional de um filho que demonstra vocação para outro caminho? Conte nos comentários.

Fonte

WASTE


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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