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Para abrir espaço em Guadalajara, engenheiro mexicano soltou um prédio telefônico de sua fundação, deslocou 1.700 toneladas por 12 metros com 12 macacos hidráulicos em apenas quatro dias com mais de 100 telefonistas dentro do prédio

Para abrir espaço em Guadalajara, engenheiro mexicano soltou um prédio telefônico de sua fundação, deslocou 1.700 toneladas por 12 metros com 12 macacos hidráulicos em apenas quatro dias com mais de 100 telefonistas dentro do prédio

5 min de leitura

Para abrir espaço em Guadalajara, engenheiro mexicano soltou um prédio telefônico de sua fundação, deslocou 1.700 toneladas por 12 metros com 12 macacos hidráulicos em apenas quatro dias com mais de 100 telefonistas dentro do prédio

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 06/08/2026 às 19:19

Logística e Transporte

Telefonistas continuaram trabalhando enquanto o prédio telefônico de 1.700 toneladas se movimentava lentamente em Guadalajara, no México.

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Prédio telefônico de Guadalajara foi deslocado para ampliar avenida, usando 480 roletes, 12 macacos hidráulicos e planejamento de cinco meses sem interromper as chamadas

Telefonistas continuaram trabalhando enquanto o prédio telefônico de 1.700 toneladas se movimentava lentamente em Guadalajara, no México. A estrutura avançou 12 metros em quatro dias, com mais de 100 funcionários dentro do edifício.

A operação permitiu ampliar a Avenida Juárez sem demolir a construção da Compañía Telefónica Mexicana. A apuração foi publicada por Ciencia UNAM, portal de divulgação científica da Universidade Nacional Autônoma do México.

Uma avenida precisava passar

No início da década de 1950, Guadalajara enfrentava uma mudança importante no traçado urbano. O governador de Jalisco, Jesús González Gallo, decidiu ampliar a Avenida Juárez, uma das vias importantes da cidade.

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Prédio telefônico de Guadalajara foi deslocado para ampliar avenida / Reprodução

O projeto exigia a demolição de alguns imóveis, incluindo o prédio da Compañía Telefónica Mexicana. A construção, porém, recebeu proteção judicial contra a destruição. Como a obra da avenida não poderia ser suspensa, surgiu a necessidade de encontrar outra solução.

O engenheiro Jorge Matute Remus, profissional formado em engenharia civil pela Universidade de Guadalajara, propôs mover o edifício inteiro para trás. A ideia preservaria a construção e liberaria o espaço necessário para a avenida.

Cinco meses de planejamento antes do deslocamento

A preparação levou cinco meses. Primeiro, as casas vizinhas foram demolidas e uma nova área foi preparada para receber o prédio depois da movimentação.

A equipe também construiu uma estrutura provisória capaz de sustentar o peso da construção. O objetivo era retirar o edifício de sua base original sem provocar rachaduras, inclinações ou deslocamentos descontrolados.

A operação exigia precisão em cada etapa. Um pequeno erro na distribuição da força poderia comprometer as colunas, as paredes e os equipamentos telefônicos que continuavam dentro do prédio.

Como o prédio foi solto da fundação

Por baixo do edifício foram instaladas bases de concreto armado chamadas casquetes. Elas abraçaram as colunas e passaram a sustentar a construção durante o deslocamento.

Depois, os casquetes foram apoiados sobre 480 roletes. Esses cilindros permitiam que a estrutura avançasse horizontalmente, reduzindo o atrito entre o prédio e a base preparada para a operação.

Por baixo do edifício foram instaladas bases de concreto armado chamadas casquetes. / Reprodução

A fundação original precisou ser cortada para liberar completamente o edifício. A construção deixou de estar presa ao terreno, mas continuou apoiada na estrutura provisória de concreto e nos roletes.

1.700 toneladas empurradas por 12 macacos hidráulicos

As obras começaram em 24 de outubro de 1950. O deslocamento utilizou 12 macacos hidráulicos, equipamentos que aplicam força para empurrar grandes estruturas.

Os macacos precisavam funcionar em conjunto. Todos os movimentos eram coordenados para que o prédio avançasse de maneira uniforme, sem que uma lateral se deslocasse mais rapidamente que a outra.

Registros da época relatam que Matute Remus comandava a operação com a contagem “1, 2, 3”. Após o sinal, os trabalhadores movimentavam os macacos em pequenos avanços até alcançar os 12 metros planejados.

A equipe levou quatro dias para alinhar o edifício com a nova posição junto à Avenida Juárez. O prédio não foi levantado por um guindaste. Ele foi sustentado, separado da fundação e empurrado sobre os roletes.

Mais de 100 telefonistas permaneceram dentro do edifício

O detalhe mais impressionante estava no interior da construção. Mais de 100 trabalhadores permaneceram em seus postos enquanto o prédio mudava de lugar.

As telefonistas continuaram realizando suas atividades e o serviço telefônico não foi interrompido. A operação precisou ocorrer de maneira tão controlada que as atividades da empresa seguiram normalmente.

Uma funcionária relatou que sentiu nervosismo no começo, mas recebeu do engenheiro a explicação de que não haveria problemas nem sensação intensa durante a movimentação.

Ciencia UNAM, portal científico da Universidade Nacional Autônoma do México, também registra a participação de aproximadamente uma centena de pessoas na equipe responsável pela execução, sob a direção de José Ruiz Ugalde, Francisco Vigil, Guillermo Casillas Buelna e Rafael Santos.

Por que mover foi melhor que demolir

A solução preservou um edifício protegido e permitiu que a ampliação da avenida continuasse. Guadalajara conseguiu reorganizar a via sem destruir a sede telefônica e sem suspender o atendimento aos usuários.

Mais de 100 telefonistas permaneceram dentro do edifício / Reprodução

O caso mostra como uma necessidade urbana pode exigir soluções fora do padrão. A demolição seria mais simples, mas não resolveria o problema da proteção judicial nem garantiria a continuidade imediata do serviço.

Deslocamentos estruturais modernos utilizam equipamentos hidráulicos, trilhos, plataformas e sistemas de controle mais avançados. A operação de Guadalajara não é equivalente a essas técnicas atuais, mas revela o mesmo princípio básico: distribuir o peso e controlar o movimento com precisão.

Uma obra que entrou para a história da engenharia

O deslocamento do prédio telefônico demonstrou que uma construção pesada poderia mudar de posição sem ser desmontada. A combinação entre casquetes de concreto, 480 roletes e 12 macacos hidráulicos permitiu preservar a estrutura.

A operação também manteve mais de 100 funcionários dentro do edifício e garantiu a continuidade do serviço telefônico. Para abrir espaço à Avenida Juárez, a cidade encontrou uma maneira de mover o prédio em vez de destruí-lo.

Você teria coragem de continuar trabalhando dentro de um prédio enquanto ele fosse empurrado para outra posição? Compartilhe a história e conte nos comentários como imagina que foi viver essa operação.

Fonte

Ciencia UNAM


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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