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Para conquistar o sonho de ser médica, brasileira com dívida de R$ 200 mil toma decisão inesperada após trancar o curso no 9º período e descobrir quanto precisa pagar para voltar às aulas.

Para conquistar o sonho de ser médica, brasileira com dívida de R$ 200 mil toma decisão inesperada após trancar o curso no 9º período e descobrir quanto precisa pagar para voltar às aulas.

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Para conquistar o sonho de ser médica, brasileira com dívida de R$ 200 mil toma decisão inesperada após trancar o curso no 9º período e descobrir quanto precisa pagar para voltar às aulas.

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 06/08/2026 às 22:12

Atualizado 06/08/2026 às 22:13

Curiosidades

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Estudante de Medicina vende biscoitos em Caraguatatuba para tentar quitar dívida de R$ 200 mil e voltar à faculdade após trancar o curso.

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Trajetória marcada por dificuldades financeiras, apoio familiar e uma alternativa improvável ganhou repercussão nas redes sociais. Enquanto tenta reorganizar as contas, estudante do litoral paulista vende biscoitos para reunir recursos, retomar a graduação em Medicina e preservar um sonho iniciado ainda na infância.

A fisioterapeuta Renata Dahe, de 49 anos, passou a vender biscoitos amanteigados em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, depois de interromper a graduação em Medicina por causa de uma dívida próxima de R$ 200 mil com a Universidade de Taubaté (UNITAU).

Para renovar a matrícula e avançar ao nono período, ela afirma que precisa pagar 20% do débito acumulado, além da matrícula; sem recursos para cumprir a exigência, transformou uma receita familiar em fonte de renda e divulgou sua situação nas redes sociais.

Publicada em 28 de julho de 2026, a história mostra que o valor arrecadado ainda está distante do necessário, embora as vendas ajudem Renata a formar uma reserva enquanto procura alternativas para retomar as aulas.

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Na grade divulgada pela UNITAU, o nono período marca o início do internato, etapa de estágio supervisionado que se estende até o fim da graduação médica e exige que a estudante esteja regularmente matriculada para avançar na formação.

Dívida de R$ 200 mil interrompe avanço para o internato

Com duração de seis anos, funcionamento em período integral e carga horária total de 8.603 horas, o curso de Medicina tem mensalidade publicada de R$ 8.685, valor que não detalha as condições previstas no contrato firmado por Renata.

Estudante de Medicina vende biscoitos em Caraguatatuba para tentar quitar dívida de R$ 200 mil e voltar à faculdade após trancar o curso.

Durante os primeiros anos da graduação, a família conseguia manter os pagamentos com a renda do marido, mas o orçamento se deteriorou depois que ele perdeu o emprego três vezes, provocando atrasos sucessivos e o crescimento do débito acumulado.

Em uma tentativa de evitar a interrupção, o pai da estudante vendeu um Fiat Uno e repassou o dinheiro para ajudar nas mensalidades do oitavo período, porém a quantia não foi suficiente para resolver o passivo.

Hoje, o marido trabalha como motorista de aplicativo e sustenta a casa, formada pelo casal e três filhos, enquanto Renata afirma não possuir outros bens para vender e recorre à exposição pública para encontrar compradores e apoiadores.

Venda de biscoitos vira alternativa de renda em Caraguatatuba

A produção começou com uma receita de biscoitos amanteigados preparada pela cunhada em encontros familiares; depois de adaptar o preparo e acrescentar sabores, Renata passou a oferecer embalagens de 100 e 400 gramas, vendidas entre R$ 18 e R$ 65.

Pelas redes sociais, em estabelecimentos locais, no calçadão e na orla de Caraguatatuba, ela tenta ampliar as vendas e pretende aproveitar a alta temporada, quando o maior movimento turístico pode aumentar a circulação de consumidores.

Mesmo reconhecendo que os biscoitos não devem quitar sozinhos uma dívida desse tamanho, Renata considera a atividade parte de uma estratégia possível para reunir recursos, manter o projeto e ganhar tempo enquanto procura outras alternativas.

“O biscoito está me dando um dinheirinho, e estou juntando tudo”, afirmou a estudante, ao explicar que o trabalho oferece uma contribuição gradual e não representa, por si só, uma solução imediata para o valor acumulado.

Campanha nas redes sociais recebe apoio de outras cidades

Com a repercussão do caso, as vendas alcançaram pessoas de outras cidades e atraíram doações de moradores de São Paulo e do Rio de Janeiro, alguns deles familiarizados com dificuldades semelhantes para custear uma graduação em Medicina.

Estudante de Medicina vende biscoitos em Caraguatatuba para tentar quitar dívida de R$ 200 mil e voltar à faculdade após trancar o curso.

Enquanto parte dos apoiadores comprou os pacotes de biscoitos, outros fizeram transferências sem solicitar os produtos; segundo Renata, as mensagens recebidas reforçaram sua disposição de continuar tentando, embora o total arrecadado não tenha sido informado com precisão.

Financiamento não elimina o desafio dos próximos semestres

Além da parcela exigida para o retorno, a campanha expõe um impasse que continuará nos próximos semestres, pois novas mensalidades serão cobradas e o saldo acumulado precisará diminuir antes que a estudante consiga concluir integralmente a graduação.

Por ser uma universidade pública com cobrança de mensalidades, a UNITAU mantém uma modalidade própria de financiamento, mas Renata afirma não atender às condições porque precisaria pagar metade da mensalidade durante o curso e apresentar um fiador.

Sonho de cursar Medicina começou ainda na infância

Filha de uma técnica de enfermagem, Renata cresceu observando a mãe cuidar de pacientes em situação de vulnerabilidade, experiência que despertou o interesse pela área da saúde e manteve vivo o desejo de exercer a Medicina desde a infância.

Antes de ingressar no curso, ela concluiu Fisioterapia, fez uma pós-graduação e trabalhou durante anos na profissão; a oportunidade de retomar o antigo projeto surgiu em 2022, quando tinha 46 anos e estudou sozinha para o vestibular.

Depois de conquistar uma vaga no curso aberto em Caraguatatuba, Renata iniciou a graduação e avançou até o oitavo período, quando a combinação entre mensalidades elevadas, perdas de renda e dívida acumulada tornou impossível renovar a matrícula.

Enquanto reúne recursos, ela pretende manter a fabricação e a venda dos biscoitos pelo tempo necessário; “Eu quero ser médica. Não posso desistir agora”, declarou, ao reafirmar que continuará trabalhando para voltar à universidade e concluir os quatro períodos restantes.

Até onde uma família deve ir para sustentar um projeto profissional quando o custo da formação supera a renda disponível, exige a venda de bens e transforma uma receita doméstica em tentativa de preservar um sonho construído ao longo de décadas?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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