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Para continuar tirando cobre de uma cratera que já não dava mais, o Chile decidiu transformar a maior mina a céu aberto do planeta numa mina subterrânea, escavando centenas de quilômetros de túneis sob o próprio buraco

Para continuar tirando cobre de uma cratera que já não dava mais, o Chile decidiu transformar a maior mina a céu aberto do planeta numa mina subterrânea, escavando centenas de quilômetros de túneis sob o próprio buraco

7 min de leitura

Para continuar tirando cobre de uma cratera que já não dava mais, o Chile decidiu transformar a maior mina a céu aberto do planeta numa mina subterrânea, escavando centenas de quilômetros de túneis sob o próprio buraco

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 11/08/2026 às 13:30

Atualizado em 11/08/2026 às 13:36

Mineração

Mina subterrânea de Chuquicamata substituiu a maior cratera a céu aberto do mundo, com túneis a mais de dois quilômetros da superfície e US$ 5 bilhões.

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Chuquicamata operava a céu aberto desde 1915 e caminhava para a inviabilidade econômica. A Codelco levou 18 anos entre o estudo e a produção, gastou cerca de US$ 5 bilhões e abriu em 2019 uma operação que desce mais de dois quilômetros a partir da superfície.

Os caminhões que subiam minério do fundo do buraco queimavam 3.100 litros de combustível por dia cada um, rodando 11 quilômetros até a superfície com carga cada vez mais pobre. Foi essa conta que levou o Chile a converter Chuquicamata em uma mina subterrânea, decisão descrita pela Codelco como o maior investimento da história da estatal.

A obra durou quase duas décadas. O ciclo foi de 18 anos entre o estudo de perfil, iniciado em 2002, e o começo da produção, em 2019, com custo em torno de US$ 5 bilhões sem contar as obras preliminares. Depois de 104 anos de exploração a céu aberto, a maior mina desse tipo no mundo virou operação subterrânea.

Cratera de Chuquicamata fica no deserto do Atacama

Mina subterrânea de Chuquicamata substituiu a maior cratera a céu aberto do mundo, com túneis a mais de dois quilômetros da superfície e US$ 5 bilhões.

A mina está no norte do Chile, nos arredores de Calama, no deserto do Atacama, a nordeste de Antofagasta. A operação atual começou em 1915, sob interesses estrangeiros e locais, embora a região seja explorada desde antes do período colonial espanhol.

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Chuquicamata é a maior mina a céu aberto do mundo em volume escavado. Em profundidade, ocupa o segundo lugar, atrás da Bingham Canyon, em Utah, nos Estados Unidos. Antes de pertencer à Codelco, a mina foi da Anaconda Copper, e passou ao controle estatal com a nacionalização do cobre chileno entre o fim dos anos 1960 e o início dos 1970. Os chilenos a chamam simplesmente de Chuqui.

Buraco caminhava para deixar de dar lucro

A conversão não foi ambição, foi necessidade. As projeções indicavam que a operação a céu aberto se tornaria inviável economicamente por volta de 2019, e o motivo é matemática de custo por tonelada.

Quanto mais fundo o buraco, mais longa a viagem do caminhão até a superfície e mais caro cada quilo de cobre. Ao mesmo tempo, o teor do minério caía, o que significa gastar o mesmo combustível para transportar rocha com menos metal dentro. Chuquicamata produziu 443 mil toneladas de cobre no ano de referência das projeções, e ainda assim a curva apontava para o encerramento. A alternativa era fechar ou descer.

Reservas sob a cratera equivalem a 60% de tudo que já saiu dali

Mina subterrânea de Chuquicamata substituiu a maior cratera a céu aberto do mundo, com túneis a mais de dois quilômetros da superfície e US$ 5 bilhões.

O que sustenta a decisão é o volume que continua embaixo. As estimativas indicam que as reservas soterradas sob o buraco equivalem a cerca de 60% de todo o cobre já extraído em mais de um século de operação.

Os números divulgados variam conforme a fonte e o momento do projeto. Uma delas quantifica 1,76 bilhão de toneladas de minério de cobre e molibdênio para a mina subterrânea, com teor de 0,712 de cobre e 502 partes por milhão de molibdênio. Outra registra 1,028 bilhão de toneladas de minério de cobre. A vida útil projetada se estende até 2058, o que representa cerca de 40 anos adicionais de operação.

Extensão dos túneis é muito maior que 100 quilômetros

Aqui o número que circula costuma ficar bem abaixo do real. Na inauguração, em 2019, a Codelco informou que 148 quilômetros de túneis e galerias estariam prontos até 2020.

Para o conjunto da vida útil da mina, as projeções são de outra ordem. A própria estatal falou em mais de 750 quilômetros a serem construídos, e a Hatch, empresa responsável pelo estudo de viabilidade e pela engenharia básica, registrou 181 quilômetros apenas na etapa de construção e uma rede superior a 700 quilômetros ao longo da operação. Reportagem anterior à inauguração citava mais de mil quilômetros de túneis previstos. Os números divergem, mas todos ficam muito acima da casa dos 100.

Operação desce mais de dois quilômetros a partir da superfície

A profundidade final impressiona mais que a extensão. O terceiro nível de produção fica 898 metros abaixo do fundo da cratera atual e a mais de dois quilômetros da superfície do terreno.

O acesso se dá por um túnel principal de 7,5 quilômetros, complementado por cinco rampas de injeção de ar limpo e dois poços de extração de ar. Há ainda um poço vertical de mil metros de profundidade. Durante a escavação, o avanço era lento: cerca de quatro metros por dia em cada frente, com equipes instalando malha de aço para evitar desabamento à medida que o túnel progredia.

Método escolhido derruba o teto para o minério cair sozinho

Mina subterrânea de Chuquicamata substituiu a maior cratera a céu aberto do mundo, com túneis a mais de dois quilômetros da superfície e US$ 5 bilhões.

A técnica adotada na mina subterrânea é o block caving, ou desmonte por abatimento em blocos. Em vez de escavar galeria por galeria atrás do minério, o método corta a base de um grande bloco de rocha e deixa a gravidade fazer o resto.

O bloco desaba sobre si mesmo, se fragmenta durante a queda e o material é recolhido por pontos de extração instalados embaixo. Cada bloco explorado em Chuquicamata tem 35 mil metros quadrados de área, e cada nível de produção reúne entre 16 e 20 blocos. É o método que permite volume alto com custo por tonelada baixo, e por isso é o escolhido quando uma mina a céu aberto precisa continuar produzindo em profundidade.

Capacidade prevista é de 140 mil toneladas de minério por dia

A meta operacional foi definida em 140 mil toneladas de minério movimentadas por dia, patamar a ser alcançado por rampa de produção ao longo de sete anos a partir do início.

Em termos de metal fino, a projeção divulgada apontava produção anual em torno de 320 mil toneladas de cobre por volta de 2026. A operação incorporou automação desde o projeto, com sistemas de operação remota e monitoramento por câmeras de alta definição instaladas ao longo do processo, entre 10 e 80 unidades conforme o plano de modernização.

Projeto gerou 13 mil empregos no pico da construção

O canteiro mobilizou gente em escala compatível com o tamanho da obra. Mais de 13 mil postos foram gerados na fase mais intensa de execução, e 3.100 pessoas foram contratadas apenas para as obras preliminares.

A operação em regime permanente é bem menor. São cerca de 2.200 empregos diretos previstos para a mina subterrânea em funcionamento. A diferença entre os 13 mil da construção e os 2.200 da operação é característica de projetos de infraestrutura pesada, em que o emprego se concentra na fase de obra e cai de forma acentuada quando a estrutura entra em regime.

Licença ambiental saiu em 2010 e a produção começou em abril de 2019

O calendário regulatório antecede em quase uma década o início da extração. A autorização ambiental para a operação subterrânea sob a cratera existente foi concedida em setembro de 2010.

A atividade mineira no novo formato começou em abril de 2019, e a inauguração oficial ocorreu em agosto daquele ano, em cerimônia com mais de 250 pessoas. Na ocasião, o então presidente Sebastián Piñera afirmou que poucas empresas precisaram se reinventar como a Codelco, e que o projeto estenderia a vida útil da mina por 40 anos.

Cratera continua lá, agora com uma mina subterrânea embaixo

A conversão não apagou o buraco. A cratera segue no lugar, com quase 850 metros de profundidade, e passou a funcionar como estrutura de superfície para a operação que corre por baixo dela.

Parte da infraestrutura antiga foi reaproveitada nesse arranjo. Um britador de rocha foi construído no meio da própria cratera, com um muro de 36 metros de altura e 4 mil metros quadrados, para permitir que o material triturado saísse por correia transportadora dentro de um túnel em vez de subir de caminhão. É a lógica que orienta toda a transição: substituir carga sobre rodas por transporte contínuo, que não gasta combustível por viagem nem depende da profundidade.

Conta nos comentários: você acha que faz sentido um país investir US$ 5 bilhões para prolongar por 40 anos uma mina que já opera há mais de um século, ou seria hora de buscar outra matriz econômica? E quem trabalha ou já trabalhou com mineração, acredita que o método de abatimento em blocos é mesmo mais seguro que a operação a céu aberto?

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cobre


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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