Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Para realizar o sonho de ver o filho de 11 anos sacar no tênis e dividir a quadra com a irmã, fisioterapeuta reuniu universitários, adaptou para uma criança uma mão protética 3D feita para adultos e transformou a própria casa em laboratório de reabilitação, onde o menino ganhou força, coordenação e liberdade para novos movimentos

Para realizar o sonho de ver o filho de 11 anos sacar no tênis e dividir a quadra com a irmã, fisioterapeuta reuniu universitários, adaptou para uma criança uma mão protética 3D feita para adultos e transformou a própria casa em laboratório de reabilitação, onde o menino ganhou força, coordenação e liberdade para novos movimentos

8 min de leitura

Para realizar o sonho de ver o filho de 11 anos sacar no tênis e dividir a quadra com a irmã, fisioterapeuta reuniu universitários, adaptou para uma criança uma mão protética 3D feita para adultos e transformou a própria casa em laboratório de reabilitação, onde o menino ganhou força, coordenação e liberdade para novos movimentos

Escrito por Ana Alice

Publicado em 01/08/2026 às 17:07

Curiosidades

Assista o vídeo
Mãe fisioterapeuta adaptou uma mão protética 3D e criou exercícios em casa que ajudaram o filho a ganhar força, coordenação e sacar no tênis. (Imagem: Ilustrativa)

2 pessoas reagiram a isso.

Prefira o CPG no Google

Uma mão protética impressa em 3D, exercícios realizados dentro de casa e a colaboração entre familiares e universitários ajudaram Hayden a desenvolver movimentos usados em tarefas cotidianas e nas partidas de tênis com a irmã.

Ao lançar a bola para o alto e preparar o saque em uma quadra de tênis, Hayden Thomas realiza um movimento que reúne anos de fisioterapia, impressão 3D, trabalho universitário e participação da própria família.

O menino nasceu com uma diferença congênita no membro superior direito e, aos 11 anos, já conseguia usar uma mão protética impressa em 3D para jogar tênis com a irmã, Madilynn.

O resultado não veio apenas da fabricação do dispositivo, mas de um programa de exercícios criado para que a adaptação acontecesse dentro de casa e ao redor da rotina familiar.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Fisioterapeuta criou tratamento para o próprio filho

A responsável pelo projeto foi Amanda Thomas, mãe de Hayden, fisioterapeuta e professora do programa de doutorado profissional em Fisioterapia da Universidade Internacional da Flórida, a FIU.

Em parceria com estudantes e profissionais de outras áreas da universidade, ela estruturou um protocolo voltado ao desenvolvimento de força, coordenação, amplitude de movimento e tolerância ao contato com a prótese.

A história começou antes mesmo do nascimento de Hayden.

Durante um exame realizado na 18ª semana de gravidez, Amanda foi informada de que o filho não apresentava alguns ossos da mão e do antebraço direito.

Por já trabalhar com reabilitação, ela começou a pesquisar diferenças congênitas dos membros superiores e procurou relatos de outras famílias.

Depois do nascimento, Hayden iniciou acompanhamento com profissionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, além de receber assistência especializada no Nicklaus Children’s Hospital, em Miami.

Mesmo sendo fisioterapeuta, Amanda decidiu não assumir sozinha o atendimento clínico do filho nos primeiros anos.

Segundo o relato divulgado pelo hospital, ela considerava importante contar com especialistas externos para que pudesse preservar também seu papel de mãe durante o tratamento.

Hayden aprendeu a usar o próprio membro desde pequeno

A equipe elaborou um plano que incluía o uso de talas para melhorar o posicionamento dos ossos do braço e preparar Hayden para possíveis dispositivos protéticos.

Enquanto crescia, o menino também aprendeu a utilizar o próprio membro para brincar e realizar atividades cotidianas.

Quando Hayden tinha aproximadamente 2 anos e meio, a família conheceu a possibilidade de produzir uma mão por impressão 3D.

A alternativa chamava atenção porque os dispositivos poderiam ser leves, personalizados e substituídos conforme a criança crescesse.

Uma das primeiras versões permitia que Hayden abrisse e fechasse cinco dedos.

O modelo também podia receber cores escolhidas pela própria criança, característica que buscava tornar a utilização mais atraente e menos parecida com um equipamento hospitalar convencional.

Amanda relatou que inicialmente teve sentimentos divididos sobre o uso da prótese, pois o filho já desenvolvia maneiras próprias de realizar tarefas.

Ao mesmo tempo, queria entender como o dispositivo poderia ampliar suas possibilidades sem substituir as habilidades que ele havia adquirido.

Mão protética 3D foi redimensionada para uma criança

Com o avanço da formação acadêmica e das pesquisas na FIU, surgiu uma nova etapa.

Uma mão protética corporal foi produzida no Miami Beach Urban Studios, laboratório da universidade voltado a projetos que envolvem tecnologia, design e fabricação digital.

O desenho disponível havia sido desenvolvido originalmente para adultos.

Para que pudesse ser utilizado por Hayden, o padrão precisou ser redimensionado com o auxílio de engenheiros biomédicos e ajustado às medidas de uma criança.

O equipamento não utiliza bateria, motor ou sistema eletrônico.

Por ser uma prótese acionada pelo corpo, depende dos movimentos do membro para abrir e fechar os dedos, exigindo que o usuário aprenda a coordenar a força, a posição do braço e a ação mecânica do dispositivo.

Hayden Thomas movimenta a mão protética impressa em 3D durante uma atividade acompanhada pela mãe, a fisioterapeuta Amanda Thomas. Crédito: Florida International University.

Produzir a prótese era apenas parte do tratamento

A fabricação da mão, entretanto, resolvia apenas uma parte do desafio.

Colocar uma prótese em uma criança sem ensinar como utilizá-la poderia provocar desconforto, rejeição ou uso limitado nas atividades diárias.

Crianças com diferenças congênitas nos membros também podem apresentar sensibilidade elevada na região, o que torna a pressão e o contato com a prótese incômodos.

Foi a partir dessa dificuldade que Amanda e estudantes do curso de Fisioterapia começaram a desenvolver um programa estruturado de reabilitação doméstica.

Estudo avaliou quatro semanas de exercícios em casa

O estudo científico foi realizado quando o participante tinha 6 anos.

Durante quatro semanas, ele seguiu um protocolo em casa três vezes por semana, com sessões de aproximadamente 30 minutos e supervisão de um adulto.

Antes e depois do período de treinamento, foram avaliadas a amplitude dos movimentos, a força muscular, a coordenação, a integração sensorial e a percepção sobre o uso do membro superior.

O programa combinava atividades feitas com a mão impressa em 3D e exercícios realizados sem o dispositivo.

Objetos comuns viraram ferramentas de fisioterapia

Objetos comuns da rotina familiar passaram a fazer parte do tratamento.

Entre as atividades divulgadas estavam pegar e soltar uma garrafa vazia, abrir e fechar a mão protética, virar páginas de um livro, empurrar blocos, segurar bolas e manipular materiais usados em brincadeiras.

O protocolo também incluía exercícios para reduzir a sensibilidade do membro.

A criança podia desenhar letras e formas sobre espuma de barbear, colocar o braço em um recipiente com arroz ou manipular massa de modelar, expondo gradualmente a região a diferentes texturas e pressões.

A proposta permitia distribuir a terapia ao longo da semana sem exigir que a família se deslocasse continuamente até uma clínica.

As tarefas podiam ser organizadas em horários compatíveis com a escola, as brincadeiras e os demais compromissos da casa.

Treinamento melhorou força e coordenação

Ao fim das quatro semanas, os pesquisadores registraram melhora na força do membro superior direito em quase todos os movimentos avaliados.

Também foram observados avanços na flexão e na extensão do punho, na rotação do antebraço e em testes de coordenação.

Os questionários preenchidos durante o estudo indicaram redução da sensibilidade e maior facilidade em determinadas atividades realizadas com as duas mãos.

A pontuação relacionada à coordenação dos membros superiores também aumentou durante o período observado.

Assista o vídeo

Pesquisa teve apenas uma criança como participante

Os resultados, porém, precisam ser interpretados dentro dos limites da pesquisa.

Tratava-se de um estudo de caso com uma única criança, sem grupo de comparação, e um acompanhamento de apenas quatro semanas.

Isso significa que o trabalho não comprova que o mesmo protocolo produzirá resultados idênticos em todas as crianças com diferenças congênitas dos membros.

O artigo oferece uma experiência inicial que pode orientar novos estudos, mas não substitui avaliação individual nem acompanhamento de profissionais habilitados.

Estudo foi publicado em revista especializada

A pesquisa foi assinada por Amanda Thomas e Teresa Muñecas e publicada no Journal of Hand Therapy.

O estudo apresentou um protocolo pediátrico que combinava uma mão impressa em 3D com exercícios domésticos voltados à reabilitação funcional.

Embora o artigo tenha sido disponibilizado inicialmente em formato eletrônico em novembro de 2022, sua publicação no volume regular da revista ocorreu em 2023.

A repercussão se ampliou posteriormente, quando a FIU voltou a apresentar Hayden já com 11 anos e utilizando a prótese em atividades esportivas.

Prótese ajudou Hayden a sacar no tênis

Na quadra, o dispositivo ajuda o menino a lançar a bola durante o saque e a participar das partidas com Madilynn.

Hayden também gosta de futebol e de outras atividades físicas, enquanto a mão pode ser empregada em tarefas como virar páginas, segurar objetos e movimentar brinquedos.

Segundo Amanda, a prótese amarela utilizada pelo filho custou cerca de US$ 30 para ser produzida.

O valor se refere ao dispositivo específico de Hayden e não inclui necessariamente trabalho profissional, desenvolvimento do projeto, avaliações clínicas ou acompanhamento terapêutico.

Próteses tradicionais personalizadas podem custar milhares de dólares e, no caso de crianças, precisam ser substituídas periodicamente conforme o corpo cresce.

A impressão 3D pode reduzir o custo do material e facilitar ajustes, mas não elimina a necessidade de segurança, adaptação adequada e supervisão especializada.

“Ver como ele progrediu e passou por todo esse processo é uma sensação maravilhosa”, afirmou Amanda ao comentar o desenvolvimento do filho.

Pesquisa avançou para dispositivo usado em bicicleta

A evolução da pesquisa também não ficou restrita à mão usada no tênis.

Em janeiro de 2026, Amanda e outros pesquisadores da FIU publicaram um novo estudo de caso sobre um dispositivo adaptativo impresso em 3D para ajudar uma criança com diferença congênita no membro superior a andar de bicicleta.

Nesse segundo trabalho, o acessório foi personalizado de acordo com o braço do participante e as dimensões do guidão.

Recomendado para você

Curiosidades

Indígena deixou Manaus, percorreu 4 mil quilômetros e passou nove anos na UFMG até se tornar a primeira médica do povo Kambeba; depois do diploma, voltou à Amazônia, iniciou rituais rigorosos para ser reconhecida também como pajé e agora precisa atravessar cerca de 40 aldeias para unir a Medicina ocidental aos conhecimentos ancestrais de seu povo

A trajetória de Adana Kambeba reúne formação médica, resistência ao preconceito, saberes indígenas e uma missão que atravessa universidades, aldeias amazônicas e diferentes formas de compreender o cuidado com a…

Ana Alice

0

Após duas semanas de treinamento, os pesquisadores observaram avanços em força, resistência, motivação e habilidades como dirigir, parar e descer da bicicleta.

Não foi encontrada confirmação pública de que a criança do estudo sobre ciclismo fosse Hayden.

O trabalho, entretanto, mostra que a equipe continuou pesquisando maneiras de combinar impressão 3D, atividades domésticas e objetivos específicos de cada paciente.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

Sair da versão mobile