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Paraguai está há mais de duas décadas sem caças supersônicos e agora avalia receber F-5 aposentados por Taiwan, jatos capazes de atingir Mach 1,6 que poderiam devolver ao país missões de interceptação em alta velocidade, embora manter cada aeronave no ar possa custar cerca de US$ 5 mil por hora

Paraguai está há mais de duas décadas sem caças supersônicos e agora avalia receber F-5 aposentados por Taiwan, jatos capazes de atingir Mach 1,6 que poderiam devolver ao país missões de interceptação em alta velocidade, embora manter cada aeronave no ar possa custar cerca de US$ 5 mil por hora

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Paraguai está há mais de duas décadas sem caças supersônicos e agora avalia receber F-5 aposentados por Taiwan, jatos capazes de atingir Mach 1,6 que poderiam devolver ao país missões de interceptação em alta velocidade, embora manter cada aeronave no ar possa custar cerca de US$ 5 mil por hora

Escrito por Carla Teles

Publicado em 18/08/2026 às 12:10

Atualizado em 18/08/2026 às 12:15

Forças Armadas

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O Paraguai avalia caças supersônicos F-5 de Taiwan para reforçar a Força Aérea Paraguaia, mas custos podem pesar na decisão.

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A possível incorporação dos caças supersônicos F-5 Tiger II colocaria novamente a Força Aérea Paraguaia no campo da aviação de combate a reação, enquanto o país avalia custos, treinamento, infraestrutura, manutenção e a vida útil de aeronaves retiradas de serviço por Taiwan após décadas de operação militar em sua frota.

O Paraguai avalia uma possibilidade que poderia encerrar um intervalo de mais de duas décadas sem caças supersônicos capazes de devolver à Força Aérea Paraguaia missões de interceptação em alta velocidade. Entre as aeronaves consideradas estão exemplares do Northrop F-5 Tiger II retirados de serviço por Taiwan, modelo capaz de alcançar aproximadamente Mach 1,6.

Segundo reportagem publicada pelo Cavok Brasil em 17 de agosto de 2026, a discussão ocorre em meio à aproximação militar entre Assunção e Taipei e ao processo de renovação da aviação taiwanesa. Além do F-5, o AIDC AT-3 Tzu Chung aparece entre as plataformas avaliadas, mas nenhuma transferência, quantidade definitiva ou modelo escolhido foi oficialmente confirmado pelo governo paraguaio.

Paraguai perdeu sua capacidade supersônica após a retirada dos Xavante

A eventual chegada dos F-5 representaria uma mudança importante na estrutura da aviação militar do Paraguai. O país deixou de operar aeronaves de combate a reação após a retirada dos Embraer AT-26 Xavante, incorporados em 1979 e mantidos em serviço até o início dos anos 2000. Desde então, a força não dispõe de uma plataforma de combate capaz de ultrapassar a velocidade do som.

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É justamente essa lacuna que os caças supersônicos F-5 poderiam preencher caso a transferência avance. Diferentemente das aeronaves atualmente empregadas pela Força Aérea Paraguaia, o Tiger II permitiria recuperar uma capacidade voltada à interceptação em velocidades elevadas e ao treinamento de combate aéreo com desempenho superior.

F-5 de Taiwan pode atingir aproximadamente Mach 1,6

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Entre as alternativas mencionadas pela fonte, o F-5 Tiger II surge como a opção diretamente relacionada à retomada da capacidade supersônica. O modelo possui longa trajetória operacional e, segundo o Cavok Brasil, apresenta uma arquitetura relativamente simples quando comparada à de caças de gerações mais recentes. Sua velocidade máxima próxima de Mach 1,6 permitiria ao Paraguai operar novamente acima da velocidade do som.

A familiaridade de militares paraguaios com a plataforma também aparece como um elemento relevante. Pilotos da Força Aérea Paraguaia já tiveram contato operacional com o F-5 durante exercícios multinacionais na América do Sul, incluindo Salitre e CRUZEX. Isso não elimina a necessidade de treinamento específico, mas mostra que o modelo não seria completamente desconhecido para a aviação militar do país.

Taiwan aposentou seus últimos F-5 depois de décadas de serviço

Taiwan encerrou oficialmente a carreira operacional de seus últimos F-5 em 2025, após décadas utilizando o modelo em sua defesa aérea. Ao longo do processo de modernização, as aeronaves foram sendo substituídas por plataformas como F-16, Mirage 2000, F-CK-1 e, posteriormente, F-16V e sistemas desenvolvidos localmente.

Esse processo abriu espaço para que aeronaves aposentadas passassem a ser consideradas em uma eventual cooperação com o Paraguai. O interesse paraguaio ganhou destaque depois de uma visita de alto nível da Força Aérea de Taiwan ao país, realizada em julho, quando o general Tian Zhong-Yi, vice-chefe do Estado-Maior da força taiwanesa, esteve em instalações militares paraguaias, incluindo a Primeira Brigada Aérea, em Luque.

AT-3 aparece como alternativa para treinamento e ataque leve

O AIDC AT-3 Tzu Chung também faz parte das avaliações mencionadas pela fonte, mas ocupa uma categoria diferente. Desenvolvida em Taiwan, a aeronave é subsônica, possui dois lugares e foi concebida para treinamento avançado e missões de ataque leve. Sua velocidade máxima é próxima de 900 km/h.

Por isso, enquanto os caças supersônicos F-5 estariam diretamente ligados à recuperação da capacidade de interceptação em alta velocidade, o AT-3 poderia atender principalmente à formação de pilotos e a funções de ataque leve. O modelo pode empregar canhões, bombas e foguetes e, em determinadas configurações, transportar mísseis ar-ar.

A-29 Super Tucano ampliou a frota, mas cumpre outra função

A discussão sobre F-5 e AT-3 ocorre paralelamente a uma modernização que já está em andamento. O Paraguai adquiriu seis Embraer A-29 Super Tucano por aproximadamente US$ 101,6 milhões, destinados principalmente a vigilância, patrulhamento, treinamento e ataque leve. Quatro aeronaves já haviam sido incorporadas segundo as informações publicadas, enquanto as demais estavam previstas para completar a frota.

Os Super Tucano ampliam a capacidade paraguaia em missões de controle do espaço aéreo e contra ameaças de menor intensidade, mas desempenham uma função diferente daquela de um caça supersônico. A eventual combinação das plataformas permitiria separar tarefas de patrulhamento e treinamento das missões que exigem maior velocidade e desempenho aéreo.

Manter um F-5 no ar pode custar cerca de US$ 5 mil por hora

A capacidade adicional oferecida pelo F-5 viria acompanhada de uma conta operacional mais elevada. Estimativas divulgadas pela imprensa paraguaia e reproduzidas pelo Cavok Brasil apontam para um custo operacional de aproximadamente US$ 5 mil por hora de voo para um F-5, valor superior ao atribuído ao A-29 Super Tucano.

O custo por hora, contudo, seria apenas uma parte da estrutura necessária. Uma eventual incorporação exigiria peças de reposição, equipamentos de apoio em solo, treinamento de pilotos e mecânicos, instalações de manutenção, combustível e recursos para garantir horas de voo. Como os exemplares taiwaneses acumulam décadas de serviço, também seria necessária uma avaliação das células, motores, aviônicos, sistemas de armas e vida útil remanescente.

Possível frota ainda depende de decisão e condições de transferência

O planejamento mencionado pela fonte poderia envolver entre 10 e 15 aeronaves de treinamento e combate, com possíveis entregas a partir de 2027. Esses números, porém, não representam uma compra ou transferência já definida, pois quantidade, composição da frota e condições do eventual acordo ainda não foram oficialmente confirmadas pelo governo paraguaio.

Há ainda um precedente histórico. Na década de 1990, Taiwan chegou a considerar a transferência de F-5E/F ao Paraguai, mas a operação não foi concretizada. Mais de três décadas depois, a aposentadoria dos exemplares taiwaneses e a cooperação entre os dois países recolocaram o Tiger II entre as alternativas consideradas por Assunção.

Recuperar caças supersônicos exigirá mais do que receber aeronaves

Se a iniciativa avançar, os caças supersônicos poderiam devolver ao Paraguai uma capacidade de aviação de combate a reação perdida há mais de duas décadas, especialmente para interceptação em alta velocidade. Ao lado dos A-29 Super Tucano e de eventuais AT-3, os F-5 poderiam ocupar a faixa de maior desempenho dentro de uma estrutura composta por plataformas com missões diferentes.

O desafio, entretanto, não termina na chegada dos aviões. Manutenção, treinamento, peças, combustível, infraestrutura e orçamento para manter as aeronaves voando serão determinantes para transformar uma eventual transferência em capacidade operacional efetiva. Para você, o ganho de velocidade e interceptação justificaria o custo de operar F-5 antigos, ou o Paraguai deveria concentrar recursos em plataformas mais econômicas? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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