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Pedra da Fome volta a surgir no Danúbio, em Budapeste, e acende alerta para seca extrema que já ameaça agricultura, energia e navegação na Europa

Pedra da Fome volta a surgir no Danúbio, em Budapeste, e acende alerta para seca extrema que já ameaça agricultura, energia e navegação na Europa

4 min de leitura

Pedra da Fome volta a surgir no Danúbio, em Budapeste, e acende alerta para seca extrema que já ameaça agricultura, energia e navegação na Europa

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 28/08/2026 às 13:32

Atualizado em 28/08/2026 às 13:44

Ciência e Tecnologia

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Imagem: Reprodução

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Formação rochosa histórica voltou a ficar visível em agosto de 2026, enquanto a bacia do Danúbio registra baixa umidade do solo, vazões extremas e impactos sobre agricultura, energia, transporte e ecossistemas em vários países europeus

A Pedra da Fome, formação rochosa que normalmente fica submersa no rio Danúbio, voltou a aparecer em Budapeste em agosto de 2026. O fenômeno ocorre enquanto a bacia enfrenta seca severa, baixa umidade do solo e vazões excepcionalmente reduzidas, com impactos sobre agricultura, energia, navegação e ecossistemas.

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Pedra da Fome reaparece após forte queda do Danúbio

Conhecida como Ínség-szikla, a chamada Pedra da Fome é historicamente associada a períodos de escassez. A formação só fica visível quando o nível do Danúbio cai de maneira acentuada.

No passado, seu aparecimento servia como um alerta de que a baixa do rio poderia prejudicar plantações e contribuir para períodos de falta de alimentos.

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Em 2026, a exposição da rocha representa um sinal visível de um problema que começou meses antes e se espalhou pela bacia do Danúbio.

A região reúne mais de 80 milhões de habitantes e depende do rio para diferentes atividades, entre elas abastecimento de água, produção agrícola, geração de energia, indústria e transporte de passageiros e mercadorias.

Pesquisadores do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, o IIASA, identificaram que o atual quadro de seca começou a se formar ainda durante a primavera europeia.

Entre abril e julho de 2026, grande parte da bacia recebeu volumes de chuva muito inferiores à média registrada entre 1990 e 2025.

Pedra da Fome emerge no rio Danúbio, em Budapeste, durante período de nível extremamente baixo das águas
Imagem: Elekes Andor/Wikimedia Commons ? CC BY-SA 4.0

Umidade do solo coloca 2026 entre os anos mais secos

O problema não ficou restrito à redução das chuvas. Em junho, diferentes áreas da bacia também registraram forte aumento no número de dias com temperaturas superiores a 30°C.

O calor acelerou a perda de água do solo e contribuiu para ampliar o déficit hídrico. Dados analisados desde 1990 também apontam uma tendência de aquecimento na região.

Embora fevereiro tenha sido relativamente chuvoso, a umidade do solo começou a diminuir já em março.

Os pesquisadores acompanharam a situação utilizando o Modelo Comunitário de Água do IIASA, conhecido como CWatM, com atenção especial aos primeiros 30 centímetros do solo.

Essa camada tem importância direta para as plantas, porque concentra parte da água disponível para absorção pelas raízes.

Em julho, uma parcela expressiva da bacia apresentava escassez extrema de água no solo. Áustria, República Tcheca e Hungria estavam entre as regiões mais afetadas.

Nesses locais, foram observados sinais de estresse hídrico e redução da produtividade agrícola.

Considerando toda a bacia, 2026 aparece como o segundo ano mais seco desde 1990 em relação à umidade do solo, ficando atrás apenas de 2003.

Em partes da Áustria, República Tcheca e Hungria, porém, a situação registrada em julho de 2026 foi mais grave que a observada em 2003.

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Vazão do Danúbio chega ao cenário mais extremo desde 1990

Os efeitos da falta de chuva demoraram mais tempo para aparecer diretamente no rio.

Primeiro, o déficit atinge o solo e a vegetação. Com menos água disponível, diminui também o volume que posteriormente abastece córregos, reservas subterrâneas, afluentes e o próprio Danúbio.

Em julho, a modelagem do IIASA já mostrava vazões mínimas excepcionalmente baixas no Danúbio e na maioria de seus afluentes.

Segundo os cálculos dos pesquisadores, a situação de julho de 2026 foi a mais extrema registrada desde 1990, superando inclusive a grande seca hidrológica de 2003.

Imagens captadas em agosto pelo satélite Sentinel-2, do programa europeu Copernicus, também registraram o recuo das águas.

Registros obtidos com apenas cinco dias de diferença permitiram observar por satélite a redução do nível do rio, reforçando visualmente a dimensão do fenômeno.

Agricultura, energia e navegação sentem os efeitos da seca

O reaparecimento da Pedra da Fome ocorre enquanto a baixa do Danúbio já produz consequências práticas em diferentes setores.

Entre os impactos citados pelo IIASA estão dificuldades no abastecimento de água e energia, interrupções no transporte de cargas, problemas em viagens de cruzeiros e até o desligamento de uma usina nuclear.

Os ecossistemas aquáticos também ficam sob pressão. Além da menor quantidade de água, temperaturas mais elevadas reduzem os níveis de oxigênio disponíveis para peixes e outros organismos.

Os pesquisadores destacam, porém, que um evento climático extremo não precisa necessariamente provocar uma crise social e econômica de intensidade equivalente.

Segundo a análise, os efeitos dependem também da forma como a água disponível é distribuída e das medidas adotadas para preparar agricultura, energia, transportes e outros setores.

A avaliação apresentada pelo IIASA resume o desafio como “uma questão de políticas públicas, e não apenas do clima”.

As projeções indicam ainda que períodos secos podem se tornar mais frequentes. A equipe prevê publicar em setembro uma atualização da pesquisa, incorporando os dados referentes a agosto de 2026.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA) e em registros do programa europeu Copernicus, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

Fonte

https://noticias.uol.com.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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