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Pedreiros estão levantando casas sem reboco, sem pintura e sem revestimento, encaixando painéis de PVC que servem de fôrma e de acabamento ao mesmo tempo, e uma habitação popular fica pronta em 7 dias

Pedreiros estão levantando casas sem reboco, sem pintura e sem revestimento, encaixando painéis de PVC que servem de fôrma e de acabamento ao mesmo tempo, e uma habitação popular fica pronta em 7 dias

6 min de leitura

Pedreiros estão levantando casas sem reboco, sem pintura e sem revestimento, encaixando painéis de PVC que servem de fôrma e de acabamento ao mesmo tempo, e uma habitação popular fica pronta em 7 dias

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 04/08/2026 às 10:42

Atualizado em 04/08/2026 às 10:43

Construção

Pedreiros erguem casas com painéis de PVC preenchidos com concreto, que dispensam reboco e pintura e permitem entregar uma habitação popular em 7 dias.

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A tecnologia foi criada no Canadá e chegou ao Brasil pelo programa habitacional federal. Bem difundida no Rio Grande do Sul, já era aplicada em outros 11 estados na época da apuração, incluindo obras de reconstrução em cidades atingidas por enchentes.

Os pedreiros que trabalham com o sistema Concreto-PVC não erguem parede de bloco nem aplicam revestimento depois. Eles montam painéis ocos de plástico, que são preenchidos com concreto e permanecem na obra como acabamento final, conforme reportagem publicada pelo portal Cimento Itambé, assinada por Altair Santos.

O método é conhecido internacionalmente como Royal Building System e foi desenvolvido no Canadá. A diferença central em relação ao sistema convencional de fôrmas é que elas não são retiradas depois da concretagem, permanecendo incorporadas à construção e dispensando pintura, reboco e cerâmica.

Como o sistema funciona na prática

Fundação para receber as fôrmas: casas de interesse social podem ser erguidas em até 7 dias.

A estrutura é formada por painéis ocos de PVC coextrudado, com duplo encaixe e disponíveis em diferentes espessuras. Eles são montados no local como se fossem peças de encaixe, formando as paredes antes de qualquer concretagem.

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Depois de posicionados, os vãos internos desses painéis recebem concreto. É esse preenchimento que dá resistência estrutural ao conjunto, enquanto o plástico assume duas funções ao mesmo tempo: contém o concreto durante a cura e permanece como superfície acabada.

A mudança de rotina para quem trabalha na obra é considerável. Não há assentamento de bloco, não há aplicação de argamassa de revestimento e não há etapa de pintura, o que elimina frentes de serviço inteiras do cronograma tradicional.

Sete dias para uma casa popular

Montagem das fôrmas: PVC fica incorporado à construção e dispensa acabamento.

O tempo de execução é o argumento que fez o sistema ganhar espaço no Brasil. Segundo a apuração, o método permite erguer uma habitação de interesse social em 7 dias.

Esse prazo se refere à construção da unidade, e a reportagem não detalha se ele inclui fundação, instalações e acabamentos complementares. O que está informado é que a empresa detentora da tecnologia no país adaptou o sistema especificamente para atender ao programa habitacional federal.

Há um dado que ajuda a dimensionar o consumo de material. Para uma residência de 56 metros quadrados, com fôrmas de 64 milímetros, são necessários aproximadamente 7,5 metros cúbicos de concreto para preencher os vãos.

O concreto precisa ser diferente

O sistema impõe exigências específicas ao concreto usado, e esse é o ponto técnico mais relevante para quem trabalha na obra.

A tecnologia exige concreto bem fluido, com abatimento de 25 centímetros ou mais. Abatimento é o ensaio que mede a consistência da mistura, e valores altos indicam material bastante fluido, capaz de escorrer e preencher espaços estreitos sem deixar vazios.

A granulometria também muda. São empregadas brita 0 ou pedrisco, agregados de menor dimensão que passam com mais facilidade pelos vãos internos dos painéis. Concreto duro não desce dentro da fôrma plástica, e falha de preenchimento em fôrma incorporada não pode ser corrigida depois, porque a superfície fica fechada.

A Associação Brasileira de Cimento Portland passou a prestar consultoria ao sistema no país, justamente para aprimorar o concreto utilizado. Como a fôrma permanece na parede, o material precisa reunir dois requisitos simultâneos: resistência mínima conforme o projeto estrutural e fluidez adequada ao preenchimento.

A variação usada no Rio Grande do Sul

Em um dos estados onde a tecnologia está mais difundida, foi adotada uma variação da mistura. No Rio Grande do Sul, tem sido empregado concreto leve com pérolas de EPS, o poliestireno expandido conhecido popularmente como isopor.

A finalidade declarada é melhorar os índices de conforto térmico e acústico da edificação. O material expandido incorporado à mistura reduz a densidade do concreto e cria uma barreira adicional à passagem de calor e de som.

Essa adaptação regional mostra algo comum em sistemas construtivos importados. A tecnologia chega com uma especificação e vai sendo ajustada conforme a realidade e a exigência de cada praça, sem que a lógica geral do método mude.

Onde o sistema já estava sendo usado

A difusão pelo território brasileiro se deu pelo programa habitacional federal. Além do Rio Grande do Sul, onde está mais consolidado, o método já era aplicado em outros 11 estados na época da apuração.

A lista inclui Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Alagoas.

Além de habitação social, a apuração informa que o sistema é utilizado em casas de diversos padrões, prédios industriais, edifícios residenciais de até cinco pavimentos e construções comerciais, como escolas, hospitais e postos de combustíveis. O limite de cinco pavimentos é a fronteira declarada do método para uso em edificações verticais.

O uso em reconstrução após desastres

Um dos fatores que impulsionaram a adoção da tecnologia foi a necessidade de resposta rápida a desastres naturais.

Em São Paulo, a companhia habitacional do estado firmou parceria com a detentora da tecnologia no país para atuar na reconstrução de casas em São Luís do Paraitinga, município devastado pelas chuvas em 2010.

O sistema também foi escolhido para a construção de moradias em cidades atingidas pelas enchentes da região serrana do Rio de Janeiro, entre elas Petrópolis e Teresópolis. Segundo o arquiteto Tiago Saretta Ferrari, responsável técnico da empresa que detém a tecnologia no Brasil, já havia projetos aprovados nesses dois municípios. Velocidade de execução é justamente o que se busca em reconstrução pós-desastre, quando famílias estão desalojadas e o prazo pesa mais do que qualquer outro fator.

Desempenho térmico e acústico

A apuração informa que o sistema está adaptado às oito zonas bioclimáticas brasileiras, classificação que divide o território segundo condições de clima e orienta as exigências de desempenho das edificações.

O material também aponta que o método atinge os valores de isolamento acústico exigidos para paredes externas, internas e geminadas em unidades residenciais.

Cabe um registro sobre a citação normativa. A reportagem cita a norma de desempenho térmico de edificações de forma inconsistente, indicando ao mesmo tempo a parte 3 e a parte 2 do documento. Como não é possível determinar qual é a referência correta, reproduzo aqui apenas o conteúdo informado, sem repetir a numeração no texto.

As chuvas em São Luís do Paraitinga ocorreram em 2010, e o desastre da região serrana fluminense aconteceu em janeiro de 2011. Como a reportagem trata os projetos nessas cidades como recém-aprovados, ela é de 2011 ou período próximo.

Isso significa que os números apresentados descrevem o cenário de mais de uma década atrás. Não há qualquer informação sobre a situação atual da tecnologia no Brasil, sobre quantas unidades foram efetivamente construídas desde então nem sobre como as construções se comportaram com o tempo.

Uma obra em que o acabamento chega antes do concreto

O que torna esse sistema interessante do ponto de vista de canteiro é a inversão de ordem que ele produz. Na construção convencional, a estrutura vem primeiro e o acabamento por último, depois de meses de obra e de várias equipes diferentes passando pelo mesmo ambiente.

Aqui, a superfície final é instalada antes da concretagem, e quando o concreto cura, a parede já está pronta para uso. Elimina se a argamassa de assentamento, a de revestimento, o chapisco, a massa corrida e a pintura.

A contrapartida está na margem de erro. Fôrma incorporada não perdoa falha de preenchimento, porque não existe a etapa de desforma em que o problema apareceria a tempo de ser corrigido.

E aí, você moraria em uma casa com parede de PVC preenchida com concreto? Acha que sistema construtivo assim resolve déficit habitacional ou que a alvenaria tradicional ainda é mais confiável? Conta nos comentários se você já viu uma obra desse tipo por perto.

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pedreiros


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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