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Pedreiros estão trocando a colher pela máquina que projeta a argamassa na parede e faz de 30 a 60 metros quadrados de reboco por dia, o triplo do manual, mas quem acha que a máquina acaba com o serviço se engana, porque ainda precisa de gente para sarrafear e desempenar
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 01/08/2026 às 08:09
Construção
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O projetor de argamassa bombeia e lança a massa direto na fachada, dispensando o arremesso com colher. A produtividade individual salta de 10 a 20 metros quadrados diários para 30 a 60, e uma equipe de cinco chega a 300 metros quadrados de fachada por dia.
Os pedreiros que operam projetor de argamassa produzem de 30 a 60 metros quadrados de reboco por dia, contra 10 a 20 metros quadrados do método manual, conforme reportagem publicada em 15 de dezembro de 2017 pela revista AECweb, com atualização registrada em 27 de março de 2023. O equipamento, também chamado de máquina de reboco e chapisco, é usado em fachadas de edifícios residenciais e comerciais, incluindo shoppings, aeroportos e estádios.
A diferença não está apenas na velocidade do lançamento. A máquina faz o bombeamento e a projeção da massa, eliminando etapas logísticas que antes consumiam boa parte do dia, e essa reorganização permite reduzir em até 65% o número de pessoas necessárias na equipe, segundo dados da fabricante Anvi divulgados na reportagem.
O que a máquina resolve e o que ela não resolve
A confusão mais comum sobre esse equipamento é imaginar que ele executa o reboco inteiro sozinho. Não é isso que acontece. O projetor cuida de uma etapa específica, que é lançar a argamassa contra a parede com energia constante, e o restante do serviço continua dependendo de mão de obra.
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Depois da projeção vem o acabamento, e ele é manual. É preciso alguém passando régua para nivelar, fazendo o esquadro nos cantos e usando a desempenadeira para dar o acabamento final na superfície. Nenhuma dessas etapas foi automatizada, o que mantém a presença do profissional na frente de serviço.
O que muda é a distribuição do trabalho dentro da equipe. Em vez de todo mundo executando a mesma operação, o serviço se organiza em funções encadeadas, e cada pessoa passa a fazer uma parte específica do processo.
O ritmo de linha de produção na fachada
A organização descrita na reportagem funciona como uma esteira. Um profissional projeta a argamassa e avança pela parede. Depois de aproximadamente três metros de percurso, outro entra atrás dele passando a régua e fazendo o esquadro. Em seguida, uma terceira pessoa aplica a desempenadeira.
Esse encadeamento é o que sustenta os números de produção. Uma equipe de cinco pedreiros consegue revestir cerca de 300 metros quadrados de fachada por dia, desde que trabalhe com andaime fachadeiro ou plataforma de trabalho aéreo, que garantem mobilidade nas áreas externas.
Em ambientes internos, a produção fica entre 180 e 200 metros quadrados por dia com argamassa convencional. O gerente comercial e tecnológico da Turbosol, André Medeiros, relatou ter acompanhado uma equipe de quatro profissionais atingindo 300 metros quadrados diários em uma obra em Fortaleza, resultado que ele atribui à alta produtividade daquele grupo específico.
Por que o balancim anula a vantagem
Existe uma condição que derruba todo o ganho de produtividade, e ela tem a ver com o equipamento de acesso à fachada. Medeiros desaconselha o uso de balancim para projeção em altura, porque a plataforma suspensa restringe a movimentação da equipe.
O problema é geométrico. No balancim, cada profissional precisaria de uma unidade própria, e o espaço limitado impede a formação da linha de produção que faz o sistema render. Nessa configuração, a produção individual cai para 40 a 45 metros quadrados, faixa em que, segundo ele, não existe diferencial produtivo em relação ao método manual.
A conclusão prática é direta: o projetor sozinho não entrega produtividade. Ele depende de um conjunto formado por equipamento de acesso adequado, equipe organizada em funções e espaço para que o encadeamento aconteça. Faltando qualquer uma dessas peças, a máquina vira apenas uma forma diferente de fazer a mesma coisa.
Argamassa que sobra menos e adere mais
Além do tempo, o equipamento mexe no consumo de material. De acordo com a fabricante Anvi, o uso do projetor pode reduzir de 3% a 4% o consumo de argamassa em comparação com o processo manual, no qual a massa é lançada com a colher.
A explicação técnica está na energia de aplicação. Victor Natenzon, diretor da Anvi, afirma que a resistência obtida com a projeção é superior à da massa chapada manualmente, e que o volume lançado com a colher é grande e retém muito ar, o que pode comprometer a qualidade do reboco.
Essa retenção de ar tem consequência direta na aderência. Segundo o comparativo divulgado pela fabricante, a aplicação manual prejudica a ancoragem da argamassa à base porque produz muitos bolsões de ar, condição que pode gerar patologias no revestimento. Na projeção mecanizada, a extensão de aderência à base é apontada como de 94%, resultado atribuído à energia constante do lançamento.
Vale registrar que esses percentuais foram apresentados por um fabricante do equipamento, e não por levantamento independente, condição que o leitor deve considerar ao avaliar os números.
O que a norma exige da argamassa de revestimento
A discussão sobre qualidade não é apenas comercial, ela esbarra em norma técnica. A NBR 13749, da ABNT, estabelece que a argamassa deve ter resistência igual ou superior a 0,20 MPa quando o acabamento for pintura no lado interno.
Para aplicação no lado externo com qualquer tipo de acabamento, ou no lado interno com acabamento em cerâmica, a exigência sobe para resistência igual ou superior a 0,30 MPa. São patamares diferentes porque a solicitação sobre o revestimento também é diferente em cada situação.
Natenzon afirma que só é possível atender a essas especificações utilizando projeção mecanizada. É uma afirmação forte e vinda de quem fabrica o equipamento, e o material não traz contraponto de outra fonte técnica nem posicionamento da entidade normativa sobre essa leitura.
Vazão, altura e o que define a escolha do modelo
Não existe projetor universal. A escolha depende das características da obra, e a equipe de engenharia precisa considerar as dimensões do prédio, o layout, o tipo de argamassa projetada e o ritmo de produção previsto para a equipe.
Os modelos disponíveis no mercado brasileiro se distribuem em faixas bem distintas. As máquinas de vazão mais baixa projetam entre 1,5 e 2 metros cúbicos por hora e bombeiam até 18 metros de altura. Já os equipamentos de maior amplitude alcançam vazão de 6 a 8 metros cúbicos por hora e podem trabalhar a até 120 metros de altura, dependendo do tipo de argamassa.
Os critérios de seleção listados na reportagem incluem a altura da fachada, a capacidade de bombeamento até a cota definida em projeto, o volume de projeção necessário e a produtividade estabelecida. O material bombeado é, na maior parte dos casos, argamassa industrializada ou usinada, e em algumas situações o gesso usado em ambientes internos.
O material muda a altura que a máquina alcança
Um detalhe técnico que costuma passar despercebido é que a altura máxima de bombeamento não é uma propriedade fixa da máquina. Ela varia conforme o que está sendo bombeado, ponto destacado por Medeiros.
O exemplo apresentado por ele é ilustrativo. Uma argamassa convencional, com aditivos incorporadores de ar, em um projetor de rotor estator, pode ser bombeada a 60 metros de altura. A mesma máquina, trabalhando com contrapiso autonivelante, material mais líquido e mais leve, alcança de 80 a 90 metros.
A diferença de 20 a 30 metros entre um caso e outro, usando o mesmo equipamento, tem impacto direto no planejamento. Especificar projetor pela altura do prédio sem considerar o material a ser bombeado é receita para descobrir a limitação no meio da obra, quando a troca de equipamento já custa cronograma.
A rotina de limpeza que mantém a máquina funcionando
O projetor exige procedimentos diários que não podem ser pulados. Antes do uso, é necessário passar nata no mangote, uma mistura de argamassa com água que prepara toda a tubulação e o bico de projeção para a passagem do material.
Depois do expediente, a prática relatada por Medeiros é passar água com uma bolinha por toda a extensão do mangote, para remover a argamassa residual. Também é preciso limpar o misturador e o coxo onde a massa fica depositada, evitando que o material resseque e grude nas superfícies.
O recipiente pode ser lavado com água e, em alguns casos, recebe uma pequena quantidade de óleo diesel borrifada na parte externa. A lubrificação diária com graxa deve ser feita nos pontos definidos pelo fabricante do equipamento. É manutenção simples, mas de execução obrigatória, porque argamassa endurecida dentro do sistema inutiliza componentes.
O erro que quebra o bico de projeção
Existe uma situação recorrente de uso, especialmente em máquinas com rotor estator, que termina em prejuízo. O profissional percebe queda na vazão do bico projetor e, tentando resolver na força, começa a pressionar o equipamento para bombear melhor, até que a peça quebra.
A conduta correta é outra. Diante da baixa vazão, é preciso verificar se a umidade da argamassa está adequada ao uso e se a configuração do projetor corresponde à altura de trabalho exigida naquele ponto da obra.
São duas variáveis que explicam a maior parte dos casos, e nenhuma delas se resolve com força. A queda de vazão é sintoma, não defeito, e tratar o sintoma pressionando o bico troca um ajuste de minutos por uma peça danificada e uma frente de serviço parada.
Máquina no lugar da colher, gente no lugar de sempre
O retrato que sai da comparação entre os dois métodos é de mudança de função, e não de eliminação de posto. A aplicação do chapisco fica cerca de 200% mais rápida com o equipamento, o controle sobre a produção aumenta e a variação na energia de lançamento diminui, segundo o comparativo da fabricante.
Do outro lado, a aplicação manual é descrita como de produtividade baixa e dependente da habilidade individual, justamente porque a força do arremesso varia de pessoa para pessoa e ao longo do dia de trabalho. Essa inconstância é o que a máquina elimina.
O que ela não elimina é a necessidade de quem sarrafeia, esquadreja e desempena. O trabalho continua existindo, mas passa a acontecer em sequência organizada, com uma pessoa em cada etapa da mesma parede.
E você, já trabalhou com projetor de argamassa ou ainda faz reboco na colher? Acha que a máquina facilita o serviço ou que ela só transfere o cansaço para outra etapa? Conta nos comentários como funciona o revestimento na obra em que você trabalha.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

