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Pedreiros estão trocando o tijolo por um bloco de concreto celular tão cheio de ar que boia na água, isola o calor, abafa o barulho e alivia o peso da estrutura, pesando cerca de 500 kg por metro cúbico, um quinto de um bloco de concreto comum
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 06/08/2026 às 07:10
Atualizado em 06/08/2026 às 07:11
Construção
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O material entra na categoria dos concretos leves e recebe um agente expansor na mistura, que cria bolhas de ar dentro da massa. A densidade varia de 300 a 1850 quilos por metro cúbico, contra 2300 a 2500 do concreto convencional.
O bloco de concreto celular é produzido com a adição de um agente expansor à mistura, responsável por criar bolhas de ar que reduzem drasticamente a densidade do material, conforme material publicado pelo portal Mapa da Obra. O produto também é conhecido como concreto espumoso, e a base é composta por agregados convencionais, cimento Portland e água.
A diferença de peso é o que define as aplicações. Enquanto a massa específica aparente do concreto celular em estado seco varia entre 300 e 1850 quilos por metro cúbico, a do concreto comum oscila entre 2300 e 2500, o que torna o material indicado principalmente para estruturas que não sofrem sobrecargas.
Os dois tipos que existem no mercado
Segundo a professora de Engenharia Civil do Instituto Mauá de Tecnologia, Heloísa Cristina Fernandes Cordon, há duas variações principais do produto, e elas se diferenciam pelo processo de fabricação.
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O bloco de concreto celular espumoso é produzido pela mistura de areia fina, cal, cimento e água, com adição de espuma. Já o autoclavado usa a mesma base, mas substitui a espuma por pó de alumínio como agente expansor, e a peça passa por um processo de autoclave que permite a reação de expansão.
A definição geral que ela apresenta resume o princípio. Trata-se de um concreto leve produzido pela incorporação de espuma ou de agente de expansão na mistura de cimento, areia e água, e o modelo autoclavado é indicado para alvenarias internas de edificações.
Por que o ar dentro da massa muda tudo
A formação de poros artificiais é o que separa esse material do concreto convencional. As bolhas ocupam espaço que seria preenchido por massa sólida, e é daí que vem a redução de densidade.
Esse mesmo ar produz o segundo efeito do material, que aparece no conforto da edificação. Ar parado dentro de uma parede é mau condutor de calor e dificulta a passagem do som, comportamento oposto ao do material maciço.
Por isso o produto tem excelente capacidade de isolamento termoacústico. É essa característica que ajuda a adequar uma obra à norma de desempenho de habitações, a NBR 15575, que estabelece requisitos de conforto térmico e acústico para edificações residenciais.
Onde o material é indicado
A leveza define o uso, e ela não recomenda o produto para qualquer aplicação. O indicado são estruturas que não recebem carga elevada.
Na prática, isso significa vedação de vãos e preenchimento de lajes nervuradas, situações em que o material fecha o espaço sem contribuir para a sustentação da estrutura.
Existe ainda uma variação com armadura. Os painéis armados podem ser utilizados em paredes ou lajes, ampliando o alcance do material para além do bloco solto usado em vedação.
O peso que sai da fundação
O efeito mais relevante da redução de densidade não aparece na parede, e sim no que está embaixo dela.
Uma edificação que usa vedação mais leve transmite menos carga para vigas, pilares e fundação, o que permite dimensionar esses elementos com menos material. O consumo de concreto na estrutura cai junto.
Some se a isso o efeito no canteiro. Estrutura mais leve significa menos concreto consumido e menos desperdício em obra, dois itens que pesam diretamente no orçamento e no volume de resíduo gerado.
O custo que sobe antes de descer
A vantagem de peso vem com contrapartida financeira, e ela aparece logo na produção do material.
O uso de aditivos para melhorar a qualidade do produto e a incorporação do agente expansor na betoneira elevam o custo do material em comparação com o concreto convencional.
A conta, portanto, não é imediata. O bloco custa mais caro por unidade, e a economia aparece na estrutura que ele permite dimensionar, o que exige avaliar o projeto como um todo antes de decidir pela troca.
A fissura que aparece com o tempo
Existe um problema conhecido nas vedações verticais executadas com esse material, e ele merece atenção de quem especifica.
As paredes produzidas com o produto podem apresentar fissuração por retração ao longo do tempo, comportamento que persiste mesmo com a adição de fibras de polipropileno à mistura.
As soluções apontadas para evitar esse tipo de patologia envolvem duas frentes. É fundamental investir na execução de uma parede de reforço e no uso de impermeabilizantes, providências que precisam ser previstas em projeto, e não improvisadas depois que a trinca aparece.
Os cuidados que começam na entrega
A boa aplicação do material depende de procedimentos que antecedem o assentamento, e três deles são apontados como principais.
O primeiro é a inspeção no recebimento, momento de verificar se as peças chegaram íntegras e dentro da especificação. O segundo envolve os cuidados no transporte e no armazenamento, etapa em que material leve e poroso é particularmente vulnerável a quebra e umidade.
O terceiro acontece na parede. O assentamento exige juntas e argamassa adequadas, e a execução com argamassa colante industrializada ou convencional é justamente o que as normas técnicas específicas disciplinam.
As normas que regulam o uso
O produto autoclavado conta com um conjunto próprio de normas técnicas brasileiras, o que dá respaldo à especificação em projeto.
Duas delas tratam da execução de alvenaria sem função estrutural: uma disciplina o procedimento com argamassa colante industrializada e outra o procedimento com argamassa convencional, ambas publicadas em 2013.
Há ainda duas normas complementares, também de 2013. Uma estabelece os métodos de ensaio do material e a outra define os requisitos que o bloco precisa atender, conjunto que permite ao responsável técnico verificar se o produto entregue corresponde ao especificado.
Manutenção parecida, escolha de fornecedor diferente
Um ponto que costuma gerar dúvida é o comportamento do material ao longo da vida útil da edificação.
A manutenção do concreto celular é muito parecida com a do concreto comum, sem exigir rotina especial de conservação além do que já se aplica a qualquer vedação.
O que muda é o cuidado na origem. Garantir qualidade no uso e na aplicação depende diretamente da escolha do fabricante, já que a uniformidade dos poros e a resistência da peça variam conforme o processo produtivo adotado.
Um material antigo que voltou à discussão
O que sustenta o interesse por esse produto não é novidade tecnológica, e sim a combinação entre exigência normativa e pressão de custo.
A norma de desempenho passou a cobrar níveis mínimos de conforto térmico e acústico das habitações, e materiais que entregam isolamento sem camada adicional ganharam espaço na especificação.
Ao mesmo tempo, o alívio de carga na estrutura mexe com o item mais caro de qualquer obra vertical. Menos peso na vedação é menos aço e menos concreto na fundação, e é essa conta, e não o preço do bloco isolado, que decide a escolha.
E você, já trabalhou com bloco de concreto celular ou ainda prefere o tijolo tradicional? Acha que o material compensa o custo mais alto ou a fissuração assusta demais? Conta nos comentários o que usam na obra em que você trabalha.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

