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Peixe consumido por milhões de brasileiros entra em extinção, pode ter pesca e venda proibidas já em outubro caso plano de recuperação não seja aprovado e decisão gera reação de pescadores no país
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 04/08/2026 às 12:00
Atualizado em 04/08/2026 às 12:01
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Espécie muito presente na alimentação dos brasileiros passou a integrar a lista oficial de animais ameaçados do Ministério do Meio Ambiente e poderá ter a pesca restringida caso um plano de recuperação não seja apresentado e aprovado dentro do prazo estabelecido.
Um dos peixes mais consumidos no Brasil, o tambaqui (Colossoma macropomum), entrou para a lista oficial de espécies ameaçadas de extinção e poderá ter a pesca e a comercialização restringidas nos próximos meses. A informação foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA) em 27 de abril, acendendo um alerta sobre a necessidade de preservar uma das espécies mais importantes da pesca continental brasileira.
Apesar da inclusão na lista, a captura do tambaqui ainda não está proibida. Segundo informações do próprio Ministério do Meio Ambiente, a medida representa o início de um processo de conservação que depende da elaboração e aprovação de um plano de recuperação populacional antes que restrições mais rígidas sejam adotadas.
Entenda por que a pesca ainda não foi proibida
De acordo com Braulio Ferreira de Souza Dias, diretor do Departamento de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do MMA, a classificação do tambaqui como espécie ameaçada não resulta automaticamente na suspensão da atividade pesqueira.
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Para isso, a Portaria nº 1.666 estabeleceu um prazo de 180 dias para a elaboração de um plano de recuperação da espécie. O período termina em 25 de outubro.
Se esse plano não for apresentado e aprovado dentro do prazo previsto, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional a partir do final de outubro. Na prática, uma eventual proibição também afetaria diretamente sua comercialização, com impactos para pescadores, produtores, comerciantes e consumidores.
Enquanto isso, órgãos ambientais acompanham a situação e avaliam quais medidas poderão garantir a recuperação da população do peixe sem comprometer totalmente a cadeia produtiva.
Espécie perdeu mais de 43% da população
O tambaqui foi classificado como “Vulnerável” pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A decisão considera estudos que projetam uma redução populacional de 43,4% ao longo de três gerações, índice suficiente para enquadrar a espécie entre aquelas que exigem ações específicas de conservação.
Segundo os pesquisadores, a pesca em larga escala é apontada como um dos principais fatores para a redução dos estoques naturais nas últimas duas décadas. Ainda assim, os especialistas reconhecem que o impacto da aquicultura sobre as populações selvagens ainda não pode ser medido com precisão devido à falta de informações consolidadas.
Por isso, novas pesquisas continuam sendo desenvolvidas para compreender melhor a situação e orientar futuras decisões relacionadas à preservação da espécie.
Pescadores contestam a classificação
A possibilidade de futuras restrições provocou reação entre pescadores e pesquisadores, que defendem uma revisão da inclusão do tambaqui na lista de espécies ameaçadas.
Segundo representantes do setor, os dados utilizados na avaliação consideram apenas os desembarques registrados em áreas não protegidas, que representam cerca de 61% da população da espécie.
Em contrapartida, ainda não existem levantamentos oficiais abrangendo indivíduos presentes em unidades de conservação e territórios indígenas, onde o tambaqui também ocorre naturalmente em grande quantidade.
Na avaliação dos críticos da medida, essa ausência de informações pode ter influenciado a classificação de risco. Por esse motivo, eles defendem uma reanálise técnica antes da adoção de uma eventual proibição nacional.
Até que o prazo termine, o futuro da pesca do tambaqui continuará dependendo da apresentação e da aprovação do plano de recuperação previsto pelo Ministério do Meio Ambiente. A decisão poderá influenciar tanto a conservação da biodiversidade quanto a oferta de um dos peixes de água doce mais consumidos pelos brasileiros.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

