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Peixe de formato estranho alcançou 2.744 quilos, ficou mais pesado que muitos automóveis e conquistou o recorde de maior peixe ósseo já registrado no planeta
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 04/08/2026 às 21:57
Ciência e Tecnologia
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Peixe-lua encontrado nos Açores pesou 2.744 quilos, mediu 3,59 metros de altura e conquistou o recorde de peixe ósseo mais pesado do mundo.
Em dezembro de 2021, pesquisadores receberam o aviso de que um peixe enorme havia sido encontrado morto perto da Ilha do Faial, no arquipélago dos Açores, em Portugal. O animal tinha um corpo arredondado, achatado e tão grande que precisou ser levado até o porto para ser pesado com equipamentos usados em grandes cargas. O resultado surpreendeu até os especialistas. O peixe-lua da espécie Mola alexandrini pesava 2.744 quilos, media 3,25 metros de comprimento e alcançava 3,59 metros entre as pontas das grandes nadadeiras. Com essas medidas, tornou-se o peixe ósseo mais pesado já registrado pela ciência.
Peixe-lua gigante foi encontrado perto de uma ilha dos Açores
O animal foi localizado em 9 de dezembro de 2021, perto da Ilha do Faial. Sua enorme carcaça estava flutuando no mar quando chamou a atenção de pessoas que navegavam pela região.
A descoberta foi comunicada à rede responsável por acompanhar animais marinhos encontrados mortos nos Açores. Pesquisadores da Associação Naturalistas do Atlântico e autoridades locais participaram da retirada do peixe.
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O tamanho já parecia fora do comum antes mesmo da pesagem. A largura do corpo e as grandes nadadeiras deixavam claro que aquele não era um peixe-lua comum, mesmo para uma espécie conhecida por alcançar grandes dimensões.
Exemplar alcançou 2.744 quilos e quase 3,6 metros de altura
A pesagem mostrou que o animal tinha 2.744 quilos, o equivalente a 2,744 toneladas. Isso significa que ele era mais pesado que muitos carros de passeio encontrados nas ruas.
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O peixe media 3,25 metros da parte frontal do corpo até a extremidade traseira. A distância entre a ponta da nadadeira dorsal e a ponta da nadadeira anal chegou a 3,59 metros.
Os peixes-lua possuem um corpo tão alto que podem parecer maiores na posição vertical do que no comprimento. Essa forma arredondada ajudou a criar a aparência que chamou a atenção dos pesquisadores no porto.
Pesagem exigiu empilhadeira, guindaste e balança especial
Transportar um peixe com quase três toneladas não era possível apenas com o trabalho das pessoas presentes. A equipe precisou rebocar a carcaça até o porto da cidade da Horta.
Uma empilhadeira foi usada para levantar e posicionar o animal. Depois, os pesquisadores prenderam o corpo a uma balança de guindaste preparada para medir cargas muito pesadas.
O equipamento passou por ajustes antes de mostrar o resultado final. A operação confirmou que o animal ultrapassava por centenas de quilos o antigo recorde mundial da mesma espécie.
Peixe dos Açores superou recorde registrado no Japão
O recorde anterior também pertencia a um peixe-lua da espécie Mola alexandrini. O exemplar havia sido capturado perto de Kamogawa, no Japão, em 1996.
Aquele animal pesava 2.300 quilos e media 2,72 metros de comprimento. Durante 26 anos, permaneceu como o peixe ósseo mais pesado já medido oficialmente.
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O exemplar encontrado nos Açores superou o peixe japonês em 444 quilos. A diferença corresponde ao peso de várias pessoas adultas reunidas e confirmou uma nova dimensão máxima conhecida para a espécie.
Recorde pertence a um peixe ósseo e não ao maior peixe do planeta
O peixe-lua dos Açores não é o maior peixe de todas as espécies. Tubarões-baleia podem crescer mais e atingir pesos muito superiores, mas pertencem a outro grupo de animais.
Tubarões e arraias possuem esqueletos formados principalmente por cartilagem. Esse material é mais flexível e diferente dos ossos presentes no corpo da maioria dos outros peixes.
O recorde de 2.744 quilos considera apenas os peixes com esqueleto ósseo. Dentro desse grupo, nenhum outro exemplar oficialmente medido alcançou peso maior que o Mola alexandrini encontrado em Portugal.
Formato estranho faz o peixe parecer um enorme disco
O peixe-lua possui um dos corpos mais diferentes do oceano. Ele é achatado dos lados e tem uma aparência arredondada, parecida com um disco ou uma grande roda.
A parte traseira não apresenta uma cauda comprida como a encontrada na maioria dos peixes. No lugar dela existe uma estrutura curta e firme chamada clavus, que funciona de maneira parecida com um leme.
A espécie Mola alexandrini também pode desenvolver saliências na cabeça e no queixo quando cresce. Essas marcas ajudam os especialistas a diferenciá-la de outras espécies de peixe-lua.
Peixe-lua nada movimentando duas grandes nadadeiras
Sem uma cauda comum para empurrar o corpo, o peixe-lua usa principalmente as nadadeiras dorsal e anal. Elas ficam na parte superior e inferior do animal e se movimentam de forma coordenada.
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Esse movimento pode lembrar o bater das asas de uma ave. Mesmo com o corpo pesado e aparentemente desajeitado, os peixes-lua conseguem atravessar grandes áreas do oceano.
Durante muito tempo, acreditava-se que esses animais apenas flutuavam e eram carregados pelas correntes. Estudos mostraram, porém, que eles são nadadores ativos e conseguem controlar seus deslocamentos.
Peixes-lua podem mergulhar centenas de metros
Esses animais são vistos com frequência perto da superfície, mas também realizam mergulhos profundos. Registros científicos indicam que alguns peixes-lua podem descer aproximadamente 500 metros.
Nas áreas mais profundas, a água é mais fria e existem diferentes tipos de alimento. Depois de permanecer algum tempo nessas regiões, o animal pode retornar à parte superior do oceano.
A permanência na superfície ajuda o corpo a recuperar calor. O comportamento de ficar próximo à luz do sol contribuiu para o nome popular dado ao peixe em diferentes países.
Animal começa a vida com tamanho milhares de vezes menor
O tamanho dos adultos contrasta com a fase inicial da vida. As larvas dos peixes-lua são muito pequenas e possuem uma aparência bastante diferente dos exemplares gigantes.
Conforme crescem, esses animais passam por uma das maiores mudanças de peso conhecidas entre os vertebrados. Um indivíduo adulto pode ficar milhões de vezes mais pesado do que era ao sair do ovo.
Os cientistas ainda não conhecem todos os detalhes desse crescimento. Também existem dúvidas sobre a velocidade com que cada espécie aumenta de tamanho e sobre quantos anos um peixe-lua pode viver no ambiente natural.
Boca pequena contrasta com o corpo de quase três toneladas
Apesar do tamanho colossal, o peixe-lua possui uma boca relativamente pequena. Seus dentes são unidos e formam uma estrutura que lembra o bico de algumas aves.
A alimentação inclui organismos de corpo mole, pequenos peixes, crustáceos, algas e animais que fazem parte do zooplâncton. Águas-vivas e outros seres gelatinosos também podem aparecer na dieta.
O animal não precisa atacar grandes presas para sustentar seu corpo. Ele pode consumir grandes quantidades de organismos menores encontrados durante seus deslocamentos pelo oceano.
Pele espessa ajuda a proteger o peixe-lua gigante
O corpo é coberto por uma pele grossa e resistente. No exemplar encontrado nos Açores, a espessura dificultou o trabalho dos pesquisadores durante a retirada de amostras.
O tamanho também oferece proteção contra parte dos predadores. Mesmo assim, grandes tubarões, orcas e leões-marinhos podem atacar peixes-lua em algumas regiões.
Além dos predadores naturais, esses animais podem ser atingidos por embarcações ou presos por acidente em equipamentos de pesca. Resíduos plásticos também representam risco quando são confundidos com alimento.
Lesão levantou suspeita de colisão com uma embarcação
Durante o exame, os pesquisadores encontraram uma grande lesão perto da cabeça do animal. Na área atingida havia sinais que poderiam estar ligados ao contato com uma embarcação.
A marca levantou a possibilidade de que o peixe tivesse sido atingido por um barco. No entanto, a equipe não conseguiu determinar se a colisão aconteceu quando ele ainda estava vivo ou depois de sua morte.
Por esse motivo, a causa exata da morte não foi confirmada. O caso mostrou como embarcações podem representar perigo para animais enormes que nadam ou descansam perto da superfície.
DNA confirmou que o gigante era um Mola alexandrini
A aparência externa ajudou os especialistas a identificar o peixe, mas somente as características visíveis não eram suficientes. Espécies do gênero Mola podem ser parecidas e já foram confundidas no passado.
Os pesquisadores analisaram amostras genéticas retiradas do animal. O resultado confirmou que se tratava de um Mola alexandrini, espécie conhecida pelas saliências que aparecem na cabeça e no queixo dos adultos.
A confirmação também ajudou a corrigir informações antigas sobre os maiores peixes-lua. Alguns exemplares registrados anteriormente receberam outros nomes antes que estudos modernos esclarecessem as diferenças entre as espécies.
Descoberta mostrou que a espécie pode atingir tamanho colossal
O exemplar não foi tratado como um animal deformado ou resultado de uma alteração rara. Para os pesquisadores, o caso mostrou que a espécie possui capacidade natural para ultrapassar 2,7 toneladas.
Encontrar um indivíduo desse tamanho indica que o oceano ainda possui áreas com alimento e condições suficientes para sustentar grandes animais marinhos. O crescimento provavelmente exigiu muitos anos de sobrevivência.
Ao mesmo tempo, a descoberta não significa que animais gigantes sejam comuns. Muitos pontos sobre a população, a idade máxima e a reprodução do Mola alexandrini ainda não são totalmente conhecidos.
Peixe recordista foi enterrado para possível estudo futuro
O corpo era grande demais para ser guardado inteiro nas estruturas disponíveis na região. Preservar um animal com quase três toneladas exigiria espaço, equipamentos e produtos especiais.
Antes do enterro, a equipe recolheu escamas, conteúdo do sistema digestivo e amostras genéticas. Esses materiais podem ajudar em pesquisas sobre alimentação, crescimento e identificação da espécie.
A carcaça foi enterrada com a possibilidade de ser recuperada no futuro. Os ossos poderão ser preparados e montados como uma peça científica ou de museu quando houver condições para realizar o trabalho.
Peixe de 2.744 quilos permanece como recordista mundial
O estudo com as medidas foi publicado no Journal of Fish Biology em 2022. O Guinness World Records reconhece o exemplar como o peixe ósseo mais pesado já registrado.
Seu peso de 2.744 quilos permanece acima do antigo recorde de 2.300 quilos. As dimensões também colocam o animal entre os maiores representantes conhecidos do gênero Mola.
A descoberta revelou que um peixe com boca pequena, corpo sem cauda tradicional e aparência de enorme disco pode pesar mais que muitos automóveis. O gigante dos Açores mostrou que o oceano ainda guarda animais capazes de superar medidas consideradas extraordinárias.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

