5 min de leitura
Peixe estranho caminha com seis patas no fundo do oceano, ‘prova’ a areia para encontrar presas escondidas e solta um coaxo parecido com sapo ao ser capturado, embora nem toda espécie tenha a mesma habilidade durante a busca por alimento
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 13/08/2026 às 14:18
Ciência e Tecnologia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
O peixe-robin-do-mar é um peixe que usa raios modificados das nadadeiras peitorais para caminhar sobre o leito marinho. Algumas espécies detectam sinais químicos de presas enterradas; outras apenas caminham. O ruído semelhante ao coaxo surge da vibração da bexiga natatória, acionada por músculos especializados quando o animal é capturado diretamente.
O peixe conhecido como peixe-robin-do-mar reúne características pouco comuns: desloca-se pelo fundo do mar com seis apêndices, procura alimento sob a areia e pode produzir um ruído comparável ao coaxo de um sapo quando é capturado.
As estruturas que sustentam esse movimento não são pernas verdadeiras. Segundo o ND Mais, em conteúdo publicado em 13 de agosto de 2026, elas se originam das nadadeiras peitorais e assumiram funções de locomoção, equilíbrio e exploração do substrato. A capacidade sensorial, porém, varia entre espécies, uma diferença essencial para não apresentar todo peixe desse grupo como se tivesse exatamente o mesmo comportamento.
Peixe-robin-do-mar pertence à família marinha Triglidae
Foto: Bernard Picton
O peixe-robin-do-mar integra a família Triglidae, formada por peixes marinhos de nadadeiras raiadas. O grupo também é conhecido pelos nomes ingleses sea robin e gurnard. Seu corpo conserva a aparência geral de um peixe, mas a região das nadadeiras peitorais apresenta adaptações que permitem um contato incomum com o fundo do mar.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Cada lado do corpo possui três raios livres, formando os seis apêndices que lembram patas. Eles são separados da parte ampla das nadadeiras peitorais e conseguem tocar o substrato de maneira independente. A aparência de um animal com seis pernas resulta, portanto, de partes modificadas das próprias nadadeiras.
Seis raios das nadadeiras sustentam a caminhada no leito marinho
Foto: Britannica
Durante o deslocamento, o peixe alterna os raios das nadadeiras contra o solo e avança sobre o leito marinho. Esse movimento permite explorar áreas próximas sem depender apenas da natação, além de manter o corpo posicionado enquanto procura presas no fundo do mar.
Os apêndices também ajudam na estabilidade quando o animal remexe o sedimento ou muda de direção. O peixe-robin-do-mar continua capaz de nadar normalmente, mas aproveita o contato direto com o solo em sua rotina de alimentação. Caminhar e nadar são formas complementares de deslocamento, não habilidades excludentes.
Algumas espécies detectam sinais químicos de presas enterradas
Foto: Britannica
Em espécies adaptadas à escavação, os raios das nadadeiras apresentam pequenas estruturas sensoriais capazes de responder a substâncias químicas. Essa característica ajuda o peixe a identificar sinais associados a presas escondidas, mesmo quando elas não estão visíveis na superfície da areia.
Testes com a espécie Prionotus carolinus registraram a localização e a retirada de mexilhões enterrados, além da resposta a compostos químicos relacionados ao alimento. Já Prionotus evolans caminha pelo fundo do mar, mas não demonstrou a mesma aptidão para cavar ou detectar esses sinais. A expressão provar a areia descreve uma capacidade de certas espécies, não uma regra de toda a família.
Escavação expõe pequenos animais escondidos sob a areia
Depois de localizar um ponto promissor, o peixe-robin-do-mar pode afastar o sedimento para alcançar presas enterradas. Esse peixe encontra no leito marinho diferentes fontes de comida, como mariscos, camarões, vermes, peixes pequenos e lulas.
Essa procura também beneficia animais oportunistas. Outros peixes podem acompanhar a escavação e capturar presas que ficaram expostas antes que o responsável pela busca consiga comê-las. O aproveitamento do alimento descoberto por outro animal é uma forma de cleptoparasitismo.
Nadadeiras peitorais abertas também participam da defesa
As nadadeiras peitorais não servem somente para nadar ou originar os seis apêndices. Em algumas espécies, o peixe exibe áreas largas e coloridas quando percebe uma ameaça, ampliando visualmente o corpo e tentando surpreender ou afastar possíveis predadores.
Quando estão recolhidas, essas nadadeiras acompanham o contorno do animal e auxiliam nas mudanças de posição. A abertura repentina acrescenta uma função defensiva ao conjunto de adaptações usado perto do fundo do mar. Uma mesma estrutura corporal participa da natação, da estabilidade e da reação a ameaças.
Bexiga natatória vibra e produz o som semelhante a coaxo
O ruído associado ao peixe não vem das seis estruturas usadas para caminhar. Músculos especializados se contraem e fazem a bexiga natatória vibrar, produzindo uma sequência sonora que pode lembrar o coaxo de um sapo para o ouvido humano.
Esse som pode ser percebido quando o animal é capturado, situação que originou parte da fama popular do grupo. A comparação descreve a semelhança acústica, mas não significa que o mecanismo seja igual ao utilizado por anfíbios. O coaxo atribuído ao peixe é produzido dentro do corpo pela vibração da bexiga natatória.
Diferenças entre espécies explicam o conjunto de habilidades
Assista o vídeo
O peixe-robin-do-mar chama atenção porque reúne locomoção sobre o solo, exploração do sedimento, defesa visual e produção de som. Esse peixe, porém, não apresenta todas as características com a mesma intensidade em cada espécie, principalmente quando se trata de detectar quimicamente presas sob a areia.
Separar as habilidades comuns das capacidades especializadas torna a descrição mais fiel: todos os integrantes observados podem ter raios livres associados ao deslocamento, enquanto apenas parte deles usa esses apêndices como órgãos sensoriais refinados. A diversidade dentro da família é tão relevante quanto a aparência incomum do animal.
Na sua opinião, qual adaptação é mais surpreendente: caminhar pelo leito marinho, localizar alimento enterrado, abrir nadadeiras para defesa ou produzir um som semelhante ao de um sapo? Conte nos comentários qual delas mais chamou sua atenção.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

