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Peixes carregam uma ‘impressão digital química’ no músculo, e estudo da Embrapa consegue diferenciar tainhas de três regiões do Brasil e revelar de onde elas vieram

Peixes carregam uma ‘impressão digital química’ no músculo, e estudo da Embrapa consegue diferenciar tainhas de três regiões do Brasil e revelar de onde elas vieram

4 min de leitura

Peixes carregam uma ‘impressão digital química’ no músculo, e estudo da Embrapa consegue diferenciar tainhas de três regiões do Brasil e revelar de onde elas vieram

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 14/08/2026 às 10:52

Agronegócio

Tainhas e outros pescados ilustram pesquisa da Embrapa que identificou compostos capazes de ajudar a diferenciar a origem dos peixes.

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Pesquisa divulgada pela Embrapa em agosto de 2026 encontrou 23 compostos naturais no músculo das tainhas e abre caminho para rastrear a origem do pescado.

Uma característica invisível presente no músculo das tainhas pode revelar informações importantes sobre o local onde esses peixes viveram.

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificaram uma espécie de “impressão digital química” capaz de diferenciar tainhas de três localidades brasileiras.

A descoberta foi divulgada pela Embrapa em 11 de agosto de 2026 e utiliza pequenas moléculas presentes naturalmente no organismo dos animais.

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O perfil químico encontrado varia conforme fatores como salinidade da água, alimentação, ambiente e metabolismo dos peixes.

Impressão digital química diferencia tainhas de três localidades

Os pesquisadores analisaram a composição molecular presente no músculo das tainhas para identificar características relacionadas à origem dos animais.

A combinação das substâncias encontradas funciona como uma espécie de assinatura química individual de cada ambiente.

Diferenças foram observadas entre os peixes capturados nas três localidades analisadas no Brasil.

O ambiente onde cada tainha vive influencia diretamente a composição encontrada pelos cientistas.

A quantidade de sal presente na água também interfere nesse perfil.

A alimentação e o funcionamento do organismo completam o conjunto de fatores capazes de modificar essa assinatura.

Pesquisadora analisa uma tainha em equipamento de laboratório usado em estudos de composição química e rastreabilidade do pescado.

Cientistas encontraram 23 compostos naturais no músculo dos peixes

A pesquisa identificou 23 compostos químicos naturais presentes no músculo das tainhas.

Essas substâncias permitem observar informações relacionadas a diferentes funções do organismo.

Entre elas estão o gasto de energia, a atividade muscular, a alimentação e a adaptação às condições ambientais.

O conjunto dessas informações ajuda os pesquisadores a compreender como o ambiente deixa marcas químicas no organismo dos animais.

Técnica funciona como uma espécie de “raio-X químico”

A análise foi realizada por meio da Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio, conhecida como ¹H RMN.

A técnica permite mapear a posição dos átomos de hidrogênio encontrados nas moléculas.

O funcionamento pode ser comparado, de maneira simplificada, a uma espécie de “raio-X químico” do pescado.

A Ressonância Magnética Nuclear foi associada à metabolômica.

Essa abordagem analisa pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas naturais que acontecem diariamente.

A combinação das duas técnicas permitiu construir e comparar os diferentes perfis químicos encontrados nas tainhas.

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Viviane Alves

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Pesquisa reúne especialistas da Embrapa do Rio de Janeiro e de São Paulo

O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, e Luiz Colnago, da Embrapa Instrumentação, em São Paulo.

Os resultados também foram publicados em 2026 no periódico científico Fishes.

A pesquisa demonstrou que características químicas naturalmente presentes no pescado podem fornecer pistas sobre sua procedência.

Descoberta pode ajudar a combater fraudes no mercado de pescado

A aplicação da tecnologia pode ultrapassar os laboratórios e chegar ao setor pesqueiro.

A impressão digital química pode ajudar na criação de mecanismos destinados a certificar a origem dos pescados.

Os pesquisadores também apontam uma possível utilização da técnica no combate às fraudes encontradas nesse mercado.

A substituição de uma espécie por outra aparece entre as práticas que podem ser verificadas.

A falsificação da procedência do produto representa outro problema citado pelos cientistas.

O perfil químico poderia oferecer uma ferramenta adicional para confirmar informações sobre a origem do pescado comercializado.

Tainha da Lagoa de Araruama pode ganhar instrumento para comprovar origem

A técnica também pode fornecer base técnica para um pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem.

O caso mencionado pelos pesquisadores envolve especificamente a tainha da Lagoa de Araruama, no Rio de Janeiro.

A região apresenta características ambientais particulares capazes de interferir diretamente no metabolismo dos animais.

Salinidade da Lagoa de Araruama deixa marcas nas tainhas

A Lagoa de Araruama é considerada a maior lagoa com concentração permanente de sais do mundo.

Sua água apresenta salinidade média de 52%, superior à encontrada no mar.

Essa condição influencia diretamente o metabolismo das tainhas que vivem na região.

As alterações provocadas pelo ambiente aparecem na composição química dos músculos analisados pelos pesquisadores.

A chamada impressão digital química pode, dessa forma, ajudar a identificar características associadas à procedência desses peixes.

Fontes: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Instrumentação e periódico científico Fishes.

Você imaginava que pequenas moléculas presentes no músculo de um peixe poderiam ajudar cientistas a descobrir de onde ele veio? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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