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Peixes gigantes dos Grandes Lagos, conhecidos como esturjões, podem viver entre 200 e quase 300 anos, segundo novo estudo que analisou décadas de registros de crescimento e aplicou modelos usados no tubarão-da-Groenlândia, revelando que alguns desses animais de água doce podem carregar quase três séculos de história
Escrito por Carla Teles
Publicado em 12/08/2026 às 12:00
Atualizado em 12/08/2026 às 12:01
Ciência e Tecnologia
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Novo estudo indica que esturjões dos Grandes Lagos podem viver mais de 200 anos e alguns se aproximar de 300. Pesquisadores analisaram registros de crescimento acumulados por décadas e utilizaram modelos matemáticos aplicados ao tubarão-da-Groenlândia, ampliando estimativas de longevidade e levantando questões para conservação desses peixes gigantes de água doce.
Os esturjões que vivem na região dos Grandes Lagos, na América do Norte, podem ter uma longevidade muito maior do que se imaginava. Uma nova análise indica que muitos indivíduos da espécie Acipenser fulvescens podem viver por mais de 200 anos, enquanto alguns poderiam se aproximar de 300 anos, colocando esses peixes de água doce em uma faixa de longevidade comparável à de animais conhecidos justamente por atravessar séculos.
O estudo foi divulgado em agosto de 2026 e publicado no Journal of Fish Biology, com participação de pesquisadores do Michigan Department of Natural Resources e da Michigan State University. A Popular Science destacou os resultados em reportagem de 11 de agosto de 2026. A estimativa não significa que um esturjão específico tenha sido comprovadamente identificado com 300 anos, mas que os modelos de crescimento indicam a possibilidade de indivíduos alcançarem idades próximas desse limite.
Esturjões podem viver muito mais do que indicavam estimativas anteriores
Os esturjões dos Grandes Lagos já eram reconhecidos pela ciência como alguns dos peixes de água doce mais longevos da América do Norte. A nova pesquisa, entretanto, sugere que a duração da vida desses animais vinha sendo subestimada, principalmente quando os indivíduos alcançavam idades mais avançadas e seu crescimento se tornava cada vez mais lento.
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Scott Colborne, professor assistente do Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Michigan State University, explicou que os resultados ampliam significativamente a percepção sobre a longevidade da espécie. Segundo ele, esses peixes representam uma conexão viva com períodos históricos muito anteriores ao nascimento das gerações humanas atuais, justamente porque alguns indivíduos podem permanecer nos rios e lagos por séculos.
Contar anéis de crescimento fica mais difícil quando o peixe envelhece
Tradicionalmente, cientistas estimam a idade dos esturjões observando anéis de crescimento presentes em estruturas como os espinhos das nadadeiras. O princípio lembra a contagem de anéis em troncos de árvores, já que determinadas marcas registram fases sucessivas de desenvolvimento ao longo da vida do animal.
O problema aparece nos exemplares muito antigos. À medida que o crescimento desacelera, os anéis ficam progressivamente mais difíceis de interpretar, aumentando a possibilidade de pesquisadores atribuírem aos animais uma idade inferior à verdadeira. Essa limitação motivou a equipe a buscar outra forma de reconstruir a curva de crescimento da espécie.
Décadas de registros ajudaram a reconstruir o crescimento desses peixes
Os pesquisadores recorreram a um dos maiores conjuntos de dados de longo prazo já reunidos sobre esturjões dos Grandes Lagos. Esses registros incluem animais marcados, medidos e posteriormente encontrados novamente ao longo de vários anos, permitindo acompanhar como o tamanho de cada indivíduo mudou com o passar do tempo.
Esse tipo de acompanhamento fornece informações que uma única captura não conseguiria revelar. Ao observar repetidamente os mesmos esturjões durante décadas, os cientistas puderam estimar com maior precisão quanto o crescimento desacelera conforme esses animais envelhecem, etapa essencial para projetar quanto tempo eles poderiam continuar vivos.
Modelo usado no tubarão-da-Groenlândia ajudou nas novas estimativas
Além dos registros de crescimento, a equipe aplicou modelos matemáticos semelhantes aos usados para estimar a longevidade do tubarão-da-Groenlândia, espécie conhecida por viver durante séculos. A comparação metodológica permitiu testar diferentes cenários para o ritmo de crescimento dos esturjões ao longo de suas vidas.
Os resultados apontaram que muitos esturjões podem ultrapassar 200 anos e alguns podem chegar perto dos 300. Essa faixa aproxima a espécie de um dos exemplos mais conhecidos de longevidade entre vertebrados e altera a maneira como os pesquisadores interpretam a história de vida desses grandes peixes de água doce.
Alguns esturjões atuais podem ter atravessado séculos de história humana
Se as novas estimativas estiverem corretas, determinados animais que ainda vivem nos Grandes Lagos podem ter nascido antes de vários acontecimentos que hoje fazem parte dos livros de história. A Popular Science observou que alguns poderiam ter estado vivos durante eventos ocorridos ainda nos séculos XVIII e XIX.
Entre os exemplos citados estão a Guerra dos Sete Anos, o Boston Tea Party, a expedição de Lewis e Clark e o Grande Incêndio de Chicago. Um único animal poderia, em tese, ter atravessado mudanças políticas, industriais e urbanas ocorridas ao longo de várias gerações humanas, permanecendo no mesmo sistema hidrográfico enquanto a região se transformava profundamente.
Esturjões gigantes também chamam atenção pelo tamanho
A longevidade não é a única característica incomum da espécie. Os esturjões dos Grandes Lagos podem alcançar dimensões impressionantes, com indivíduos que ultrapassam 1,8 metro de comprimento e atingem pesos superiores a 45 quilos.
A própria reportagem mostra exemplos de animais ainda maiores monitorados por equipes de conservação. Um exemplar capturado por pesquisadores em Wisconsin pesava cerca de 112 libras, enquanto uma fêmea encontrada no rio Detroit alcançou aproximadamente 240 libras e 6 pés e 10 polegadas de comprimento. Esse último indivíduo foi estimado em mais de 100 anos e posteriormente devolvido ao rio.
Vida longa também torna a recuperação populacional mais lenta
A descoberta tem implicações que vão além da curiosidade biológica. Esturjões amadurecem lentamente e não se reproduzem com a frequência observada em espécies de ciclo de vida mais curto, o que significa que a reposição de indivíduos perdidos pode exigir períodos muito longos.
Se os animais realmente vivem dois ou três séculos, qualquer mudança na sobrevivência de adultos pode produzir consequências que se estendem por décadas. Compreender melhor a longevidade ajuda pesquisadores a interpretar tendências populacionais, avaliar resultados de medidas de conservação e planejar estratégias de recuperação de longo prazo.
Monitoramento realizado há décadas tornou o estudo possível
A pesquisa também destaca a importância de programas contínuos de marcação e acompanhamento. Universidades, comunidades tribais e órgãos estaduais vêm protegendo e monitorando esturjões na região dos Grandes Lagos há décadas, acumulando justamente o tipo de dado necessário para avaliar animais que possuem ciclos de vida extraordinariamente longos.
Sem séries históricas extensas, seria muito mais difícil perceber como o crescimento muda durante a vida desses peixes. Uma espécie capaz de viver séculos exige uma escala de observação científica que ultrapassa a duração de muitos projetos individuais, tornando a continuidade institucional especialmente importante.
Conhecimento indígena já apontava para uma longevidade ainda maior
Durante conversas relacionadas à pesquisa, Colborne relatou ter descoberto que integrantes de algumas comunidades indígenas já consideravam possível que os esturjões alcançassem idades ainda maiores, chegando a aproximadamente 400 anos.
O pesquisador afirmou que esse encontro entre observações tradicionais e modelos científicos modernos chamou sua atenção. O estudo atual não estabelece uma longevidade de 400 anos, mas mostra que as estimativas convencionais provavelmente estavam abaixo do potencial real da espécie e abre espaço para novas investigações sobre os limites biológicos desses animais.
Ciência ainda precisa explicar como esses peixes conseguem viver tanto
Embora o novo trabalho ofereça uma estimativa mais ampla de longevidade, ainda existem perguntas sobre os mecanismos biológicos que permitem aos esturjões permanecer vivos por períodos tão extensos. A equipe aponta a necessidade de estudos adicionais para compreender melhor esses processos e aprimorar métodos usados para determinar a idade de outros peixes longevos.
Essa revisão pode ter efeitos importantes sobre pesquisas futuras. Se técnicas tradicionais subestimam sistematicamente animais mais velhos, outras espécies também podem ter histórias de vida mais longas do que atualmente reconhecido, exigindo uma reavaliação de dados de crescimento e sobrevivência.
Peixes que podem carregar quase três séculos de história
Os novos modelos transformam a percepção sobre os esturjões dos Grandes Lagos. Animais que já impressionavam pelo tamanho agora aparecem também como possíveis testemunhas biológicas de períodos que antecedem várias transformações decisivas da América do Norte.
A possibilidade de um esturjão viver entre 200 e quase 300 anos mostra como a escala de tempo de algumas espécies é completamente diferente da experiência humana. Para você, o que mais surpreende: imaginar um peixe atravessando quase três séculos ou saber que a ciência pode ter subestimado sua idade durante tanto tempo? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

