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Pele de tilápia que iria para o lixo vira curativo para queimaduras e ganha fábrica de R$ 52 milhões no Ceará capaz de processar até 12 mil peles por dia
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 14/08/2026 às 23:45
Atualizado em 14/08/2026 às 23:46
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Tecnologia criada na UFC transforma resíduo da indústria do pescado em curativo biológico e deverá avançar para produção industrial em Jaguaribara a partir de 2026
Uma tecnologia brasileira está transformando pele de tilápia, normalmente descartada, em curativo biológico para queimaduras e feridas de difícil cicatrização.
O projeto ganhará escala industrial em Jaguaribara, no Ceará, com uma fábrica de R$ 52 milhões.
A unidade deverá começar processando 4,3 mil peles diariamente e poderá atingir 12 mil unidades por dia em uma segunda etapa.
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Segundo informações apresentadas pelo projeto, a implantação deverá avançar a partir de outubro de 2026.
A operação comercial, por sua vez, está prevista para janeiro de 2028, dependendo das etapas regulatórias e da validação dos lotes.
Pesquisa da UFC transforma pele de peixe em tecnologia médica
A tecnologia nasceu em pesquisas realizadas pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Pesquisadores estudaram as propriedades da pele da tilápia e desenvolveram uma forma de utilizá-la como curativo biológico.
Atualmente, o Laboratório de Pesquisa da Pele de Tilápia, ligado ao NPDM da UFC, consegue processar aproximadamente 600 peles por mês.
A nova fábrica, portanto, representará uma mudança expressiva na capacidade de produção.
O Consórcio Biotec e a Inova Medical participam da iniciativa que pretende levar a tecnologia da pesquisa acadêmica para a produção industrial.
Curativo pode reduzir trocas durante tratamento de queimaduras
O material poderá ser usado principalmente em queimaduras de segundo e terceiro graus.
Após a aplicação, o curativo permanece em contato com a área lesionada e pode diminuir a necessidade de substituições frequentes.
Pacientes, consequentemente, podem enfrentar menos procedimentos dolorosos durante o tratamento.
Estudos realizados com pacientes apontaram ainda redução da dor, diminuição de infecções e aceleração da cicatrização.
Dados divulgados pelo projeto indicam também uma possível redução de até 52% no custo total do tratamento de queimaduras.
A economia está relacionada principalmente à menor necessidade de curativos, medicamentos e procedimentos hospitalares.
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Viviane Alves
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Material que seria descartado passa a integrar cadeia da saúde
A pele retirada durante o processamento da tilápia geralmente possui baixo valor agregado ou acaba descartada.
O novo uso, dessa maneira, permite inserir esse material em uma cadeia produtiva voltada à saúde e à indústria farmacêutica.
Jaguaribara também oferece uma localização considerada estratégica para o empreendimento.
A proximidade com o Açude Castanhão coloca a unidade perto de produtores capazes de fornecer tilápias para obtenção da matéria-prima.
O projeto, assim, aproxima piscicultura, ciência e produção industrial dentro do Ceará.
Liofilização permitirá guardar curativo sem refrigeração
A conservação do produto representa outro diferencial previsto para a fábrica.
O processo utilizará liofilização, técnica responsável pela retirada da água presente no material.
Os curativos, dessa forma, poderão ser mantidos em temperatura ambiente, sem necessidade permanente de refrigeração.
Responsáveis pelo projeto estimam uma validade de até três anos.
Profissionais de saúde precisarão reidratar o material com solução fisiológica antes da aplicação.
A comercialização, entretanto, dependerá do cumprimento das exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Fábrica de R$ 52 milhões deve começar implantação em 2026
O cronograma prevê avanços na implantação da unidade a partir de outubro de 2026.
Construção, instalação dos equipamentos e validação dos primeiros lotes fazem parte das etapas seguintes.
A operação poderá começar em janeiro de 2028, caso o planejamento e os processos regulatórios sejam concluídos.
A fábrica também deverá gerar empregos e ampliar a capacitação técnica de profissionais na região.
O empreendimento poderá ainda aumentar o valor econômico da cadeia produtiva da tilápia no Ceará.
Tecnologia desenvolvida no Ceará também mira outros países
O projeto pretende atender inicialmente a demanda brasileira e, posteriormente, alcançar o mercado internacional.
A iniciativa poderá transformar uma pesquisa desenvolvida pela UFC em um produto médico produzido em escala industrial.
Uma matéria-prima antes associada ao descarte passa, portanto, a ganhar espaço no tratamento de queimaduras.
Pele de peixe, pesquisa científica e indústria se encontram em um projeto que poderá produzir até 12 mil curativos biológicos por dia no Ceará.
O que chama mais sua atenção nessa tecnologia: o reaproveitamento da pele de tilápia ou seu potencial para tornar tratamentos de queimaduras menos dolorosos? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

