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Pequenos produtores se recusaram a entregar leite aos intermediários em 1946, formaram duas cooperativas rurais com 247 litros e construíram uma rede com 18.600 unidades

Pequenos produtores se recusaram a entregar leite aos intermediários em 1946, formaram duas cooperativas rurais com 247 litros e construíram uma rede com 18.600 unidades

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Pequenos produtores se recusaram a entregar leite aos intermediários em 1946, formaram duas cooperativas rurais com 247 litros e construíram uma rede com 18.600 unidades

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 03/08/2026 às 17:39

Atualizado em 03/08/2026 às 17:40

Indústria

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A greve dos produtores de leite em Gujarat deu origem à Amul

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A greve dos produtores de leite em Gujarat deu origem à Amul, retirou intermediários do caminho e transformou 247 litros em uma rede com 18.600 cooperativas, 3,64 milhões de membros e coleta diária de 32 milhões de litros no ciclo de 2024 a 2025.

Em 1946, pequenos produtores de Gujarat, na Índia, se recusaram a continuar entregando leite aos intermediários que controlavam a compra na região. Os latões ficaram parados enquanto as famílias rurais exigiam uma forma mais justa de comercializar sua produção.

A história foi publicada pela Amul, site institucional da marca indiana de laticínios. A reação dos produtores levou à formação de duas cooperativas rurais, que começaram suas atividades com somente 247 litros de leite.

No ciclo de 2024 a 2025, a federação ligada à marca reunia 18.600 cooperativas, 3,64 milhões de produtores membros e recolhia uma média de 32 milhões de litros por dia. A paralisação local acabou dando origem a uma ampla infraestrutura coletiva de coleta, processamento e comercialização.

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A recusa em entregar leite enfrentou o controle dos intermediários

Os produtores não tinham uma estrutura própria para processar o leite nem acesso direto aos consumidores das cidades. Na prática, dependiam de comerciantes que controlavam a compra e determinavam as condições do negócio.

A paralisação permitiu que os trabalhadores rurais demonstrassem sua insatisfação sem abandonar a atividade que sustentava suas famílias. O leite se tornou um instrumento de pressão econômica contra o controle exercido pelos intermediários.

Greve dos produtores de leite em Gujarat deu origem à Amul

A solução foi criar uma organização administrada pelos próprios produtores. A nova cooperativa passou a controlar coleta, processamento e comercialização, etapas que antes ficavam fora do alcance das famílias rurais.

Tribhuvandas Patel e Verghese Kurien ajudaram a organizar a cooperativa

Tribhuvandas Patel conduziu a organização como presidente fundador. Seu trabalho ajudou a reunir os produtores e a estruturar a união que ficou conhecida como Amul Dairy.

Verghese Kurien assumiu a gestão profissional da atividade. Ele ajudou a transformar uma iniciativa rural em uma operação capaz de administrar unidades de processamento, organizar a produção e levar os produtos ao mercado.

A união entre representantes escolhidos pelos cooperados e profissionais responsáveis pela gestão se tornou uma das bases do modelo de Anand, nome da cidade de Gujarat onde a experiência começou.

Postos nos vilarejos conectaram pequenos rebanhos às fábricas

A rede avançou com a instalação de postos de coleta dentro das comunidades rurais. Nesses locais, o leite entregue pelos produtores era pesado, testado e encaminhado para pagamento.

Cada família podia fornecer uma quantidade pequena. Ao reunir essas entregas, a cooperativa formava um volume suficiente para abastecer as unidades responsáveis pelo processamento.

Essa organização aproximou os produtores das fábricas e dos mercados urbanos. Um trabalhador com poucos animais passou a integrar uma rede coletiva de coleta e distribuição, sem precisar negociar sozinho com os intermediários.

Cada parte da rede assumiu uma etapa da produção

O modelo cooperativo foi organizado em três partes. As cooperativas dos vilarejos recebiam o leite, as uniões distritais cuidavam do processamento e a federação estadual assumia a comercialização em maior escala.

A coleta passou de 247 litros para 32 milhões de litros por dia

Processar significa preparar o leite para chegar ao consumidor ou transformá lo em outros produtos. A atividade envolve unidades industriais, transporte, embalagens, controle da produção e canais de venda.

Ao dividir essas funções, a rede conseguiu atender pequenos produtores e movimentar grandes volumes. A produção continuava nos vilarejos, enquanto a estrutura coletiva cuidava das etapas que exigiam maior investimento e organização.

Amul Dairy, NDDB e GCMMF possuem funções diferentes

A Amul Dairy é o nome pelo qual ficou conhecida a União Cooperativa dos Produtores de Leite do Distrito de Kaira. Ela nasceu com as duas primeiras cooperativas rurais e os 247 litros de leite.

A NDDB é o Conselho Nacional de Desenvolvimento de Laticínios. A entidade foi criada para levar o modelo de Anand a outras regiões da Índia, sem fazer parte da mesma organização jurídica da cooperativa original.

A GCMMF é a Federação de Comercialização Cooperativa de Leite de Gujarat. Ela reúne uniões distritais e cuida da venda dos produtos da marca Amul. Por isso, Amul Dairy, NDDB e GCMMF participam da mesma história, mas não são uma única instituição.

A coleta passou de 247 litros para 32 milhões de litros por dia

A Amul, site institucional da marca indiana de laticínios, reúne os indicadores do ciclo de 2024 a 2025. A GCMMF contava com 18.600 cooperativas rurais, 3,64 milhões de produtores membros e média de 32 milhões de litros coletados diariamente.

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Esses números pertencem à federação estadual ligada à marca. Eles não representam apenas a primeira cooperativa criada em Anand, mas toda a rede formada por diferentes uniões e sociedades rurais.

A comparação com os 247 litros iniciais mostra como pequenas entregas podem alcançar escala industrial quando passam por uma infraestrutura compartilhada. O leite produzido nos vilarejos entra em um sistema que reúne coleta, processamento, transporte e comercialização.

A mobilização iniciada em 1946 não ficou restrita à recusa contra os intermediários. Os produtores construíram uma estrutura capaz de assumir as etapas necessárias para levar o leite das pequenas propriedades até os consumidores.

A rede chegou ao ciclo de 2024 a 2025 com 3,64 milhões de membros e 18.600 cooperativas, preservando as comunidades rurais como base da operação.

Se produtores com apenas 247 litros conseguiram construir uma rede dessa escala, quais setores brasileiros poderiam avançar com o mesmo tipo de organização? Comente e compartilhe.

Fonte

Amul


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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