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Pescador mergulhou 9 metros no Lago de Palmas e encontrou casa, retroescavadeira, piscinas e barreira de tijolos no fundo, revelando vestígios do antigo povoado Canela que desapareceram sob as águas há mais de 20 anos

Pescador mergulhou 9 metros no Lago de Palmas e encontrou casa, retroescavadeira, piscinas e barreira de tijolos no fundo, revelando vestígios do antigo povoado Canela que desapareceram sob as águas há mais de 20 anos

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Pescador mergulhou 9 metros no Lago de Palmas e encontrou casa, retroescavadeira, piscinas e barreira de tijolos no fundo, revelando vestígios do antigo povoado Canela que desapareceram sob as águas há mais de 20 anos

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 23/08/2026 às 20:57

Atualizado em 23/08/2026 às 20:58

Curiosidades

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Pescador encontrou casa preservada, retroescavadeira e outras estruturas no fundo do Lago de Palmas, no Tocantins, durante mergulhos para mapear a região. Imagem meramente ilustrativa gerada por IA.

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Pescador encontrou casa preservada, retroescavadeira e outras estruturas no fundo do Lago de Palmas, no Tocantins, durante mergulhos para mapear a região.

Um pescador esportivo que mapeava o fundo do Lago de Palmas, no Tocantins, encontrou vestígios de uma paisagem que desapareceu quando o reservatório foi formado há mais de duas décadas. Entre as estruturas registradas por Luiz Carlos Marques de Queiroz está uma casa preservada ligada ao antigo povoado Canela, além de uma retroescavadeira, piscinas e uma barreira construída com tijolos. A descoberta da residência ocorreu em junho de 2026.

Luiz Carlos, que também é tenente-coronel da Polícia Militar, não iniciou os mergulhos com o objetivo de procurar construções históricas. O levantamento subaquático é utilizado principalmente para identificar pontos interessantes para a pesca esportiva.

Quando os equipamentos indicam algo incomum no fundo, ele registra as coordenadas e, dependendo da profundidade, utiliza uma câmera ou mergulha pessoalmente para descobrir o que está escondido sob a água.

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Pescador encontra vestígios de uma região anterior ao lago

Parte das estruturas remonta ao período anterior ao enchimento do reservatório, realizado entre 2001 e 2002. Casas, propriedades rurais e outros elementos que faziam parte da paisagem permaneceram submersos depois que a água ocupou a área, transformando antigos espaços utilizados por moradores em ambientes hoje frequentados por peixes.

Ao g1, Luiz Carlos explicou que decidiu registrar essas descobertas também por um motivo histórico. Muitas pessoas que atualmente vivem em Palmas chegaram à cidade quando o lago já existia e, por isso, não conheceram diretamente a paisagem que havia no local antes da inundação. Os vídeos e imagens produzidos durante os mergulhos acabaram sendo compartilhados na internet.

Pescador encontrou casa preservada, retroescavadeira e outras estruturas no fundo do Lago de Palmas, no Tocantins, durante mergulhos para mapear a região. Fonte: Divulgação/Luiz Carlos Marques de Queiroz.

Casa preservada foi localizada a partir de varredura subaquática

O trabalho começa ainda na superfície. Equipamentos utilizados pelo pescador permitem fazer uma espécie de leitura do relevo e identificar formas que destoam do restante do fundo. Quando surge algum sinal diferente, a posição é armazenada para uma verificação posterior.

Luiz Carlos estabelece um limite de aproximadamente nove metros de profundidade para os mergulhos que realiza. Em alguns casos, prefere apenas baixar uma câmera até o objeto; em outros, entra na água para observar a estrutura de perto. Foi nesse processo que começaram a surgir resquícios associados tanto à antiga Vila Canela quanto a fazendas existentes antes da formação do lago.

O passar dos anos também alterou a função de parte desses objetos. O que antes fazia parte de casas ou propriedades agora integra o ambiente subaquático e, em determinados pontos, oferece locais de abrigo para os próprios peixes procurados durante as atividades de pesca esportiva.

Entre as descobertas estão piscinas que permaneceram no fundo do reservatório, além da barreira de tijolos e da retroescavadeira. A presença desses elementos cria uma espécie de registro físico da ocupação anterior, ainda que hoje estejam completamente inseridos em outra paisagem.

Nem tudo que aparece durante os mergulhos, porém, pertence ao período anterior à criação do Lago de Palmas. Algumas estruturas foram colocadas propositalmente na água muitos anos depois, para atender atividades de treinamento do Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins.

Pescador encontrou casa preservada, retroescavadeira e outras estruturas no fundo do Lago de Palmas, no Tocantins, durante mergulhos para mapear a região. Fonte: Divulgação/Luiz Carlos Marques de Queiroz.

Bombeiros colocaram três estruturas no lago para treinamento

O CBMTO informou ao g1 que é responsável por apenas três objetos específicos encontrados no fundo. Um deles é um micro-ônibus; os demais são o compartimento traseiro de uma unidade de resgate e uma estrutura metálica semelhante a uma grade, utilizada como tablado durante exercícios.

Esses materiais foram instalados no lago em 2016, durante um Curso de Mergulho Autônomo, e permanecem no local desde então. Segundo a corporação, o objetivo é oferecer cenários para capacitação técnica de bombeiros militares e de outros profissionais que atuam em operações subaquáticas de emergência.

O Corpo de Bombeiros também fez questão de diferenciar esses itens das outras descobertas. A corporação afirmou que sua atuação está limitada às três estruturas citadas e que os demais veículos, construções ou objetos localizados naquela região não foram colocados por suas equipes.

Micro-ônibus foi preparado antes de ser colocado na água

Antes de ser submerso, o veículo utilizado nos treinamentos passou por modificações destinadas a evitar contaminação. O motor foi retirado, assim como fluidos e outros componentes que poderiam provocar vazamentos no reservatório.

A corporação acrescentou que as outras duas estruturas empregadas nas atividades de instrução também não continham substâncias com potencial para poluir a água. Dessa forma, os equipamentos puderam permanecer no fundo como parte permanente da estrutura utilizada nos cursos de mergulho.

Essa distinção ajuda a separar dois momentos muito diferentes da história submersa do lago: de um lado, estão objetos instalados intencionalmente para treinamento a partir de 2016; de outro, aparecem construções e vestígios ligados à ocupação anterior à formação do reservatório.

Pescador transforma busca por pontos de pesca em registro da memória local

Para Luiz Carlos, cada nova varredura pode revelar mais do que um bom local para encontrar peixes. Ao identificar e salvar as coordenadas dessas estruturas, o pescador também constrói um mapa informal de lugares que deixaram de ser visíveis quando o lago foi formado.

A casa encontrada em junho é um dos exemplos mais marcantes justamente porque mantém uma ligação direta com o antigo povoado Canela. Mesmo submersa, ela preserva fisicamente parte de um cenário que já não pode ser observado da superfície. Os mergulhos mostram, assim, que o Lago de Palmas guarda duas histórias sobrepostas.

A primeira está relacionada às áreas ocupadas antes de 2001 e 2002; a segunda nasceu depois da formação do reservatório, quando estruturas passaram a ser utilizadas para treinamento e antigos imóveis se transformaram em habitats para peixes.

Para o pescador, investigar esses pontos acabou unindo pesca esportiva, mergulho e a recuperação visual de uma paisagem que ficou escondida sob a água.

Fonte

Olhar Digital


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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