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Pescador perde a própria casa na enchente do RS, usa barco de 5 metros para salvar pelo menos 16 pessoas e levar alimentos e remédios a moradores ilhados, quebra o motor durante os resgates e, após mais de um ano com a lancha parada, recebe outro equipamento de um empresário
Escrito por Carla Teles
Publicado em 27/08/2026 às 15:45
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O pescador Lauri Goettems, o Neni do Lami, perdeu a casa na enchente de 2024 no RS, mas usou a lancha de 5 metros para resgatar pelo menos 16 pessoas e levar alimentos e remédios. Após quebrar o motor e ficar mais de um ano parado, recebeu um novo equipamento.
O pescador Lauri Goettems, conhecido como Neni do Lami, viveu os dois lados da enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Enquanto sua própria casa, no extremo sul de Porto Alegre, era tomada pela água, ele colocou a lancha Sucuri do Lami no Guaíba e participou de resgates e entregas a moradores isolados.
Segundo o Diário Gaúcho, em reportagem publicada em 17 de julho de 2025, com informações complementares divulgadas pela Náutica em 27 de julho daquele ano, Neni estima ter salvado pelo menos 16 pessoas. O motor usado na cheia acabou quebrando e, depois de mais de um ano sem o equipamento próprio, um empresário doou outro motor para a embarcação voltar à água.
Pescador colocou barco próprio nos resgates enquanto a casa era atingida
A Sucuri do Lami tem cinco metros de comprimento e capacidade para transportar pelo menos seis pessoas. Construída pelo próprio Neni, que também trabalha como mecânico náutico, a embarcação foi utilizada intensamente durante a enchente de 2024.
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Enquanto participava das operações, o pescador também sofria perdas dentro de casa. Sua moradia foi atingida pela inundação e posteriormente precisou ser reconstruída, deixando Neni diante de despesas que continuariam muito depois de a água baixar.
Pelo menos 16 pessoas foram retiradas de situações de risco
Neni calcula que conseguiu salvar ao menos 16 pessoas, incluindo ocupantes de embarcações perdidas ou que haviam virado durante a cheia. A lancha pequena permitia circular por áreas onde havia necessidade de atendimento e deslocamento.
Os resgates não foram a única atividade. O barco também passou a transportar alimentos, água, medicamentos e outros itens necessários para moradores ilhados, especialmente nas regiões do Lami e de Belém Novo, no extremo sul de Porto Alegre.
Barco de 5 metros virou ferramenta de ajuda no Guaíba
Apesar das dimensões relativamente compactas, a Sucuri do Lami foi usada repetidamente nas águas tomadas pela enchente. Seu tanque comporta 40 litros de gasolina, e a embarcação havia entrado na cheia equipada com um motor de 50 hp.
A combinação entre barco pequeno e conhecimento da região permitiu ao pescador enfrentar áreas difíceis durante a emergência. O uso contínuo, porém, submeteu o conjunto mecânico a condições muito superiores às de uma rotina normal de pesca.
Motor de 50 hp não resistiu à operação durante a enchente
Durante os trabalhos, o motor que equipava a Sucuri do Lami sofreu uma falha grave. Neni relatou que o equipamento trabalhou intensamente em meio às condições adversas e acabou tendo o bloco danificado.
O problema mecânico não encerrou imediatamente a participação do pescador nas ações. Em vez de abandonar as entregas, ele conseguiu emprestado com o irmão um motor de 25 hp e continuou navegando para levar suprimentos a quem permanecia isolado.
Motor emprestado permitiu que trabalho continuasse
Mesmo com metade da potência aproximada do equipamento original, o motor emprestado permitiu manter a embarcação ativa durante parte da emergência. Neni seguiu transportando alimentos, medicamentos e outros itens para famílias afetadas.
Quando as águas baixaram, cerca de dois meses depois, o equipamento precisou ser devolvido ao irmão. Sem condições naquele momento de substituir o motor perdido, a Sucuri do Lami deixou de operar com equipamento próprio.
Pescador também perdeu a casa e precisou reconstruir o próprio lar
A paralisação do barco ocorreu justamente quando Neni enfrentava outro problema de grandes proporções. Sua residência também havia sido destruída pela inundação, e o pescador precisou direcionar recursos para reconstruir a própria casa.
Durante o período mais crítico, chegou a morar na caçamba do caminhão de um amigo, onde improvisou uma barraca de lona. Depois, iniciou a reconstrução e afirmou ter contraído dívidas no processo.
Um ano depois, a Sucuri do Lami continuava sem motor próprio
Ao longo dos meses seguintes, a embarcação que havia participado dos resgates permaneceu sem um motor próprio capaz de colocá-la novamente em operação regular. Para alguém cuja rotina e trabalho têm relação direta com o Guaíba, a situação também impedia atividades de pesca e navegação.
Neni continuou ligado à água utilizando outras embarcações quando possível. A Sucuri do Lami, porém, aguardava uma solução para o equipamento perdido na enchente, justamente depois de ter sido utilizada em uma das maiores emergências já enfrentadas pelo Rio Grande do Sul.
Empresário decidiu doar equipamento para a embarcação
A situação mudou em julho de 2025. Um empresário ligado à Finger Engenheiros Associados, companhia que presta serviços de inspeção de pontes, levou um motor até a residência de Neni.
O doador pediu para não ter seu nome divulgado. Segundo as informações publicadas sobre o caso, o equipamento doado também havia pertencido a uma embarcação utilizada para ajudar pessoas durante a enchente de 2024.
Novo motor tem 15 hp e permite barco voltar à água
O equipamento recebido é um Mercury 15 Super, de 15 hp. A potência é suficiente para colocar novamente a Sucuri do Lami em circulação e permitir que o pescador retome atividades comuns com a embarcação.
O próprio Neni, entretanto, reconheceu a limitação. Para operações de maior exigência, especialmente em condições semelhantes às encontradas durante uma enchente, a embarcação precisaria de um motor superior a 40 hp.
Equipamento atual não substitui capacidade usada nos resgates
A diferença de potência é significativa. Durante a enchente de 2024, a Sucuri do Lami utilizava um motor de 50 hp antes da quebra. O novo equipamento possui 15 hp, adequado para usos menos severos.
Por isso, Neni combinou com o doador que poderá trocar o motor caso apareça alguém interessado em oferecer um modelo mais potente. A prioridade imediata, entretanto, era retirar o barco da longa paralisação e voltar a navegar pelo Guaíba.
Ajuda continuou mesmo depois de a grande enchente terminar
As ações do pescador não ficaram restritas aos meses da cheia de 2024. Em maio de 2025, por exemplo, ele utilizou a lancha do irmão para chegar ao Morro da Formiga, onde moradores enfrentavam alagamentos prolongados e dificuldades de acesso terrestre.
Neni transportou medicamentos, água e alimentos para a região e realizou duas viagens. Entre os relatos encontrados no local estavam moradores sem acesso regular a comida e um idoso que precisava de medicamentos.
Rede de solidariedade também ganhou base em terra
Além das embarcações, Neni participou da organização do Barracão Amigos do Lami, estrutura criada durante a enchente para reunir e distribuir doações. O espaço continuou atendendo famílias de diferentes bairros da zona sul de Porto Alegre e áreas próximas.
Durante oito meses da cheia, o galpão chegou a servir aproximadamente 750 almoços por dia, além de receber água mineral e outros mantimentos. Um grupo de ajuda organizado por Neni no WhatsApp reuniu mais de 480 participantes da região.
Pescador voltou ao Guaíba depois de resgatar pessoas e reconstruir a própria vida
A trajetória da Sucuri do Lami acabou ligada diretamente à história do próprio pescador. O barco construído por Neni foi usado para retirar pessoas da água, transportar comida e medicamentos, teve o motor destruído pelo esforço e permaneceu sem equipamento próprio enquanto seu dono reconstruía a casa perdida.
Mais de um ano depois, a doação permitiu que a embarcação voltasse ao Guaíba, ainda que com potência inferior à utilizada nos resgates. O que chama mais sua atenção nessa história: Neni continuar ajudando enquanto perdia a própria casa ou a mobilização que permitiu ao barco voltar à água? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

