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Pesquisadores noruegueses acompanham uma camiseta de algodão produzida em Bangladesh e usada na Noruega, descobrem que o desperdício têxtil provoca a perda de 44% das fibras antes da venda e apontam como uma fabricação mais eficiente poderia ampliar o reaproveitamento

Pesquisadores noruegueses acompanham uma camiseta de algodão produzida em Bangladesh e usada na Noruega, descobrem que o desperdício têxtil provoca a perda de 44% das fibras antes da venda e apontam como uma fabricação mais eficiente poderia ampliar o reaproveitamento

5 min de leitura

Pesquisadores noruegueses acompanham uma camiseta de algodão produzida em Bangladesh e usada na Noruega, descobrem que o desperdício têxtil provoca a perda de 44% das fibras antes da venda e apontam como uma fabricação mais eficiente poderia ampliar o reaproveitamento

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 02/08/2026 às 00:30

Atualizado em 02/08/2026 às 00:34

Indústria

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Estudo de pesquisadores noruegueses mostra que 44% das fibras de uma camiseta de algodão são perdidas durante a fabricação e aponta que processos mais eficientes poderiam ampliar o reaproveitamento, reduzir emissões e diminuir impactos sobre água, poluição e uso da terra

Uma pesquisa da NTNU e da SINTEF Industry indica que aproximadamente 44% das fibras usadas na fabricação de uma camiseta de algodão são perdidas durante a produção, antes mesmo de a peça chegar ao consumidor.

Desperdício têxtil começa dentro das fábricas

Grande parte do debate sobre resíduos têxteis concentra-se nas roupas descartadas pelos consumidores. A pesquisa mostra, porém, que uma parcela significativa das perdas ocorre anteriormente, durante a transformação das fibras em peças prontas para venda.

Os pesquisadores analisaram a trajetória completa de uma camiseta de algodão produzida em Bangladesh, utilizada posteriormente na Noruega e descartada ao final de sua vida útil.

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O trabalho combinou um modelo de fluxo de materiais com uma análise do ciclo de vida. Foram considerados cinco indicadores ambientais: mudanças climáticas, eutrofização da água, liberação de substâncias poluentes, consumo de água e uso do solo.

A análise identificou perdas durante a preparação das fibras, a fabricação dos fios e dos tecidos, o corte dos moldes, a confecção e os acabamentos têxteis.

Esses processos geram sobras que podem ser tratadas como materiais de baixo valor ou simplesmente descartadas. Dessa forma, parte dos recursos consumidos na produção não chega a integrar a camiseta colocada no mercado.

A indústria da moda produz entre 80 bilhões e 100 bilhões de peças de roupa por ano no mundo. Além das perdas industriais, dezenas de bilhões de itens não são vendidos e acabam armazenados, destruídos ou encaminhados para aterros sanitários.

Apenas 17% das fibras podem voltar para outra camiseta

Os sistemas atuais conseguem transformar menos de 1% dos têxteis usados no mundo em novas peças de vestuário. Mesmo produtos relativamente mais simples, como uma camiseta de algodão, apresentam limitações para retornar integralmente à cadeia produtiva.

No caso acompanhado pelos pesquisadores, somente 17% das fibras originais poderiam ser recuperadas e utilizadas na produção de outra camiseta.

A composição das roupas é um dos obstáculos. Muitas peças combinam algodão, poliéster, elastano e outras fibras, cuja separação durante a reciclagem industrial é difícil.

Corantes, acabamentos químicos, botões, zíperes e costuras também aumentam a complexidade do processo. Por isso, nem todo material recebido por sistemas de coleta consegue voltar à fabricação de roupas.

Parte das peças recolhidas é reutilizada temporariamente. Outra parcela é transformada em materiais isolantes ou tecidos industriais. Quando nenhuma dessas alternativas é possível, as roupas acabam descartadas.

A baixa recuperação mantém a necessidade de novas matérias-primas. No caso do algodão, a produção envolve terras agrícolas, água, energia, fertilizantes e produtos químicos.

As fibras sintéticas, por sua vez, ampliam a dependência de derivados do petróleo e podem liberar microplásticos durante a lavagem das roupas.

Estimativas internacionais apontam que o setor têxtil responde por cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. Seus efeitos ambientais também incluem consumo de água, uso do solo e liberação de substâncias poluentes.

Produção eficiente pode recuperar até 44% do material

Os pesquisadores estimam que mudanças nos processos industriais poderiam elevar o potencial de reaproveitamento das fibras de 17% para aproximadamente 44%.

Entre as possibilidades estão a redução das perdas durante a fiação, o uso mais eficiente dos tecidos no corte automatizado e a reincorporação das sobras ao próprio processo produtivo.

Segundo as estimativas apresentadas, essas melhorias poderiam reduzir em aproximadamente 10% as emissões relacionadas à produção de camisetas.

Outros impactos ligados ao consumo de água, à poluição e ao uso da terra poderiam cair entre 20% e 25%. Esses resultados dependem da adoção de processos de fabricação mais eficientes.

Tecnologias destinadas a reduzir as perdas já começaram a aparecer no setor. Entre elas estão sistemas digitais de corte assistidos por inteligência artificial e equipamentos de triagem automatizada que utilizam visão computacional.

Também estão em desenvolvimento processos de reciclagem química capazes de separar fibras misturadas. Essas soluções buscam recuperar materiais que os métodos convencionais apresentam dificuldade para reaproveitar.

Uma produção mais precisa reduziria a necessidade de algodão, diminuindo a pressão sobre terras agrícolas e o consumo de água para irrigação.

A demanda por fibras sintéticas também poderia cair, reduzindo o uso de derivados do petróleo e as emissões relacionadas à fabricação desses materiais.

União Europeia amplia medidas para roupas circulares

A União Europeia vem reforçando sua estratégia para tornar o setor têxtil mais sustentável. Uma das iniciativas é a Estratégia para Têxteis Sustentáveis e Circulares.

A política busca aumentar a durabilidade das roupas, melhorar sua capacidade de reciclagem e reduzir a geração de resíduos desde a fase de projeto.

Desde janeiro de 2025, os Estados-membros devem implementar a coleta seletiva de resíduos têxteis. A medida pretende evitar que roupas descartadas sejam misturadas ao lixo doméstico.

A pesquisa indica, entretanto, que ampliar a coleta das roupas usadas não é suficiente se as perdas continuarem nas etapas iniciais de fabricação.

A economia circular no setor também envolve desenvolver peças que possam ser desmontadas com facilidade, reduzir misturas desnecessárias de materiais e preservar a qualidade das fibras para sucessivas reutilizações.

Algumas marcas começaram a adotar ecodesign, passaportes digitais de produtos e sistemas de rastreabilidade. Essas medidas permitem identificar a origem das fibras e podem facilitar futuras operações de reciclagem.

A redução das perdas industriais também significaria menos resíduos, menor consumo de energia e uso mais eficiente dos produtos químicos empregados em corantes e acabamentos.

Com isso, os efeitos estimados incluem menor poluição da água, redução das emissões de gases de efeito estufa e diminuição do volume de resíduos encaminhados para aterros sanitários ou incineradores.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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