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Pesquisadores suíços transformaram um laboratório em uma casa habitada de três pavimentos, com robôs construindo paredes, imprimindo formas e organizando estruturas de madeira
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 06/08/2026 às 19:30
Atualizado em 06/08/2026 às 19:31
Construção, Indústria
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A DFAB HOUSE levou robôs, impressão 3D e estruturas de madeira automatizadas para uma casa real em Dübendorf, na Suíça
A DFAB HOUSE abriu em 27 de fevereiro de 2019, no edifício NEST, em Dübendorf, na Suíça. A casa de três pavimentos chamou atenção por reunir uma parede curva de concreto feita por robô, uma laje moldada sobre impressão 3D e estruturas de madeira organizadas por máquinas.
A ETH Zurich, universidade pública suíça dedicada à pesquisa e inovação tecnológica, apresentou o projeto como a primeira casa habitada construída em grande parte com processos digitais.
O resultado não é uma casa feita inteiramente por uma impressora. A construção combinou robótica, fabricação de formas, cálculos estruturais, montagem automatizada de madeira e métodos tradicionais usados na construção civil.
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Do laboratório para uma casa habitada
A DFAB HOUSE foi instalada em uma unidade do NEST, edifício modular de pesquisa e inovação mantido por Empa e Eawag. O complexo funciona como um espaço de testes para novas tecnologias de construção e energia em condições reais de uso.
A proposta permitiu que soluções desenvolvidas por pesquisadores saíssem do ambiente experimental e fossem aplicadas em uma construção habitável. A casa passou a receber moradores temporários e visitantes ligados às instituições envolvidas.
Essa mudança trouxe desafios que não aparecem em um modelo de laboratório. Além de fabricar componentes com precisão, foi necessário integrar estrutura, acabamento, instalações e uso cotidiano dentro do mesmo edifício.
A parede curva construída por um robô
A sala principal ganhou uma parede de concreto com dupla curvatura, criada por um robô de construção. O formato rompe com o padrão das paredes retas e dá ao espaço uma aparência incomum.
A estrutura é identificada como Mesh Mould, sistema usado para criar uma parede com geometria livre. Além de compor o ambiente, ela sustenta a carga da laje superior.
A fabricação robótica ampliou as possibilidades de desenho. Formas curvas e complexas podem ser produzidas diretamente a partir do planejamento digital, sem depender apenas de moldes retos e repetitivos.
A laje otimizada recebeu formato em impressão 3D
O teto da sala foi feito com uma laje de concreto moldada sobre uma forma impressa em 3D. A impressão não produziu a laje pronta, mas criou o molde usado para dar ao concreto o formato definido no projeto.
A estrutura foi planejada e calculada digitalmente para economizar material em comparação com uma laje convencional. O desenho distribui o concreto de acordo com as necessidades de resistência da peça.
Assista o vídeo
Esse processo mostra a diferença entre digitalizar apenas o projeto e digitalizar também a execução. O modelo criado no computador orienta a fabricação do molde e influencia diretamente o resultado final da obra.
Dois robôs montaram as estruturas de madeira
Os dois pavimentos residenciais superiores receberam estruturas de madeira produzidas com auxílio de dois robôs de construção. As peças foram organizadas em geometrias complexas, diferentes de uma montagem baseada apenas em elementos retos e repetidos.
A automação ajudou a posicionar cada componente de acordo com o desenho digital. Isso permitiu trabalhar com formas mais detalhadas e com uma organização precisa dos elementos estruturais.
A madeira, porém, não foi transformada em uma casa completa de forma automática. A fabricação e a montagem ocorreram dentro de uma sequência planejada, que depende da preparação dos componentes e da coordenação entre máquinas e profissionais.
A construção digital não eliminou o trabalhador
A automação foi aplicada em partes específicas da DFAB HOUSE. A própria ETH Zurich, universidade pública suíça dedicada à pesquisa e inovação tecnológica, descreveu o projeto como uma combinação entre métodos tradicionais e novas soluções digitais.
Isso significa que a presença de robôs não retirou a necessidade de acompanhamento humano. A construção continuou dependendo de planejamento, supervisão, ajustes e integração entre diferentes etapas.
A casa também não deve ser confundida com uma residência inteiramente impressa. O projeto usou impressão 3D para produzir formas, robôs para executar componentes e processos convencionais para completar a construção.
O que muda em relação ao BIM e à pré fabricação
O BIM organiza informações de uma obra em um modelo digital, enquanto a pré fabricação permite produzir componentes fora do canteiro e levá los para a montagem. Essas ferramentas ajudam a planejar e organizar a construção.
A DFAB HOUSE avançou para uma etapa diferente. O arquivo digital passou a orientar diretamente a fabricação de paredes, formas, lajes e estruturas de madeira.
A diferença está na ligação entre desenho e execução. O computador não serviu apenas para representar a casa, mas também para definir como partes dela seriam produzidas e montadas.
Uma experiência que aproximou tecnologia e moradia
A DFAB HOUSE reuniu em três pavimentos tecnologias que antes costumavam aparecer separadas em laboratórios. A parede curva feita por robô, a laje moldada sobre impressão 3D e a madeira montada por máquinas funcionaram dentro de uma casa habitada.
O projeto mostrou que a construção digital pode criar novas formas, reduzir o uso de material em determinados componentes e aproximar a fabricação industrial do canteiro de obras. Também deixou claro que a tecnologia trabalha junto com profissionais, e não necessariamente no lugar deles.
Se robôs já conseguem fabricar partes de uma casa habitada, quais etapas da construção brasileira você gostaria de ver automatizadas primeiro? Compartilhe a publicação e deixe sua opinião nos comentários.
Fonte
ETH Zurich
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

